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Raphael Bostic, do Fed, disse que os Estados Unidos estão próximos do juro neutro e acalmou mercados internacionalmente; dólar fecha a R$ 3,87
A quinta-feira foi difícil para a Bolsa de Valores de São Paulo. O pregão abriu em queda acentuada e o Ibovespa chegou a cair mais de 2%. Pouco antes das 17h, porém, o ritmo vertiginoso diminuiu, graças ao presidente regional do banco central americano, que falou novamente sobre juros próximos a zero. No fechamento, o dia terminou com desvalorização de 0,22%, a 88.846 pontos.
Poucas ações subiram, com destaque para a BB seguridade , que anunciou o pagamento de R$ 2,7 bilhões em dividendos extraordinários. O dólar, acompanhando o azedo do mercado, chegou ao patamar máximo de R$ 3,94 no começo da tarde. Mas, assim como a Bolsa, foi subindo com menos intensidade depois de 16h e fechou com alta de 0,34%, a R$ 3,87. No acumulado do ano, a moeda americana já tem valorização de 21%.
O que deu uma acalmada nos mercados internacionalmente foi a fala do "Fed Boy", Raphael Bostic. O presidente do Federal Reserve de Atlanta disse que os Estados Unidos estão próximos do juro neutro e muitos investidores respiraram aliviados, afastando o medo de recessão. Ele disse que os números de amanhã do relatório de empregos (payroll) nos Estados Unidos serão "uma importante atualização das condições do mercado de trabalho". O presidente do Fed de Atlanta acrescentou ainda que as expectativas de inflação "estão razoavelmente estáveis por enquanto".
A aversão ao risco no exterior pós feriado nos EUA e também cautela com o cenário fiscal doméstico justificaram o dia ruim, aqui e no exterior. Incomoda ainda no câmbio o fato de o Banco Central não ter programado para hoje, pelo segundo dia seguido, leilão de linha com recompra, apesar de os investidores estrangeiros continuarem saindo do País.
O dólar se fortalece ante moedas ligadas ao petróleo, depois que a commodity ampliou perdas em reação a indicações confusas da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Os investidores estão atentos às contraditórias sinalizações vindas da reunião da Opep em Viena sobre possíveis cortes de produção. Nesse cenário, aumenta drasticamente a procura pelos títulos da dívida americana, considerados ativos seguros.
Declarações contraditórias de autoridades ligadas à organização marcaram a reunião do cartel. Delegados da organização ouvidos pela agência de notícias Dow Jones Newswires afirmam que o cartel ainda não decidiu sobre um possível corte na produção da commodity, com o objetivo de equilibrar o mercado. Uma coletiva de imprensa ainda é esperada. Apesar disso, fontes ligadas ao grupo afirmaram que o cartel poderia esperar até amanhã, quando se reunirá também com seus aliados, para chegar a uma decisão.
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Um corte de cerca de 1 milhão de barris por dia (bdp), segundo as fontes, estaria em discussão entre os membros do grupo, além de isenções para a Líbia, Irã e Venezuela.
Os preços do petróleo reduziram parte das perdas depois que o Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês) divulgou que os estoques de petróleo recuaram 7,323 milhões de barris na semana passada, bem acima da expectativa de queda de 1,2 milhão. Além disso, a produção da commodity ficou estável. O Brent para fevereiro recuou 1,50%.
A queda da ação da Boeing, entre os contratos de maior peso no índice Dow Jones, chegou a ultrapassar 5% no meio da tarde e engrossa a pressão de baixa que leva as bolsas de Nova York para um rali negativo nesta quinta-feira. Isso porque a Justiça Federal de São Paulo suspendeu a fusão entre a gigante aeronáutica norte-americana Boeing e a fabricante brasileira Embraer (cujas ações caíram 2,33% aqui) . O juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível Federal de São Paulo, concedeu uma liminar e suspendeu a fusão entre as empresas. A decisão do juiz sobre a Boeing e Embraer é desta quarta-feira (5). Todavia, a Advocacia Geral da União (AGU) informou nesta quinta-feira (6) que ainda não foi notificada.
As tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, que voltaram a gerar temores após a prisão, a pedido de autoridades americanas, de uma executiva da gigante de tecnologia chinesa Huawei também influenciaram Nova York.
A Cielo conseguiu por o pescoço para fora d´água e foi destaque de alta do dia ruim. Segundo operadores, os investidores procuram potenciais oportunidades e acharam a Cielo, por conta da forte queda acumulada tanto nas últimas semana quanto em 2018. Em 30 dias, a ação cai 26%, e no ano, o recuo é de quase 57%. Cielo ON subiu 3,88%. Localiza ON subiu 1,89% e a BB Seguridade NM, 1,87%.
Como, ontem, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que regulamenta os direitos e deveres nos casos de rompimento de contratos de compra de imóveis na planta, o chamado "distrato imobiliário", os papéis de construtoras também conseguiram se safar. Even, por exemplo, subiu 7%, Cyrella 2,08 e Tecnica, 1,55%.
No time dos que amargaram queda, as maiores desvalorizações foram Petrobras, de 4,16%, para PN, e de 3,79% para ON, Copel PNB caiu 3,30%. Usiminas PNA, 2%.
No noticiário doméstico, a informação de que a equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro pretende promover alterações no plano de negócios 2019-2023 da Petrobras divulgado ontem pela estatal teve um efeito secundário para o papel, na avaliação de alguns operadores.
*Com Estadão Conteúdo
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