Investidores estão à espera de cenário mais definido
Dúvidas em relação à condução fiscal do Brasil deixam investidores e empresários em compasso de espera
O que os economistas veem como tendência se confirma no dia a dia de empresas brasileiras: o cenário indefinido, fruto das dúvidas sobre o direcionamento fiscal do País, adiam ou inviabilizam que negócios engatilhados há tempos sejam concretizados. O empresário Junior Durski, fundador da rede de hamburguerias Madero, por exemplo, está em busca de um sócio, mas diz que os fundos de private equity - que compram participações em empresas - estão receosos em fazer grandes apostas neste momento.
"Enquanto o cenário não fica mais claro, as propostas têm sido muito baixas, pois os fundos estão conservadores", conta Durski. "Essa falta de definição está deixando os negócios represados, porque o investidor não quer fazer a aposta sozinho. Prefere esperar."
A dificuldade em encontrar um sócio impede que o Madero, que empreendeu um forte crescimento nos últimos anos, apesar da crise, alce voos mais altos. Atualmente com 135 restaurantes - incluindo oito de uma segunda marca de apelo popular lançada em 2018, a Jerônimo -, a companhia prevê superar a marca de R$ 1 bilhão em receita no ano que vem, ante R$ 500 milhões de 2017 e cerca de R$ 780 milhões de 2018.
O Madero, conta o empresário, está em busca de um sócio para reduzir o endividamento que tomou para financiar o crescimento. "Nosso objetivo é atrair um fundo de private equity como sócio para pagarmos a dívida", conta Durski. "Nós temos uma boa geração de caixa, mas o serviço do pagamento da dívida é muito alto no Brasil." O receio sobre a indefinição político-econômica do País leva o investidor a recolher as armas, diz o fundador do Madero: "Eles estão esperando com o anzol na mão, sem coragem de jogá-lo na água".
Produtividade
Presidente de uma das principais exportadoras do País - a fabricante de celulose Suzano, que está próxima de concretizar uma fusão bilionária com a rival Fibria -, o executivo Walter Schalka diz que o Brasil precisa vencer as próprias amarras de produtividade - mexendo nas questões fiscal, previdenciária e tributária - para evitar que o País fique ainda mais atrasado em relação ao resto do mundo à medida que a economia global se digitaliza. "Para que essas mudanças aconteçam é preciso que o Congresso seja bem eleito e que tenha viés reformista", diz.
Outro desafio, na visão de Schalka, é a redução do tamanho do Estado brasileiro, que tem um peso desproporcional na economia. Hoje, contando a carga tributária de cerca de 36% e o efeito do déficit nas contas públicas, o setor público concentra cerca de 40% da atividade econômica. "É necessário um choque de produtividade no Estado brasileiro, com privatizações. Isso porque os outros 60% (da iniciativa privada) não têm condições de carregar os 40% nas costas."
Leia Também
Sem que as mudanças estruturais ocorram, o presidente da Suzano vê poucas chances de a economia brasileira deixar de ser refém da velha síndrome do "voo da galinha", em que a economia dá eventuais saltos acima de sua capacidade para depois passar por um período de baixo crescimento, estagnação ou retração. "É necessário que se substitua o círculo vicioso pelo virtuoso, que traga investimentos que gera emprego, renda e consumo. Aí não faremos mais só voo de galinha."
*Com o jornal O Estado de S. Paulo.
GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO
WEG (WEGE3) anuncia dois investimentos milionários em grandes avenidas de crescimento da próxima década
28 de setembro de 2026 - 15:15OLHO NA TARJA
O detalhe que levou a Anvisa a proibir a Hypera Pharma (HYPE3) de divulgar a caneta emagrecedora Semavy
28 de setembro de 2026 - 7:54ENTREVISTA EXCLUSIVA
Inter adiou o ROE de 30%, mas não desistiu da meta: CEO revela qual é a prioridade agora
28 de setembro de 2026 - 6:14AGORA É SÓ SUBIR
Hapvida (HAPV3) chegou ao fundo do poço e pode ter até R$ 30,8 bilhões em benefício — mas ela ainda precisa fazer isso para se recuperar, diz UBS
27 de setembro de 2026 - 13:02ESTRATÉGIA
Carrefour vende 21 lojas de bairro a gigante do varejo, que estreia em São Paulo com nova bandeira; saiba qual
27 de setembro de 2026 - 10:02O CENÁRIO BULL
XP, Nubank, Itaú, Bradesco, Santander e BTG: dois bancos vão se dar melhor se a Selic cair, segundo o UBS BB
25 de setembro de 2026 - 14:35SAÚDE DO CRÉDITO
Inter (INBR32) ainda não viu o pior: inadimplência deve subir no 3T26; CEO revela de onde vem a pressão
25 de setembro de 2026 - 12:51PREÇO NÃO É O SUFICIENTE
Ozempic no Mercado Livre emagrece as ações da RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3); bancos explicam o que falta para o Meli bater de frente com as grandes redes
25 de setembro de 2026 - 11:19Conteúdo Empiricus
Apesar da adoção crescente da inteligência artificial, 41% das empresas ainda apresentam dificuldades na integração com agentes de IA
24 de setembro de 2026 - 14:00NO BOLSO
Yduqs (YDUQ3) anuncia dividendos de R$ 750 milhões após fusão com a Afya, mas presente da dona da Estácio ao acionista pode ser ainda maior, diz JP Morgan
24 de setembro de 2026 - 13:45VENDE BRKM5, RECEBE DÍVIDA