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Eleições

Haddad e a reforma da Previdência à la PT

Candidato do PT à Presidência defendeu fazer uma Reforma da Previdência negociando pontos como idade mínima

17 de setembro de 2018
15:44 - atualizado às 16:25
fernando-haddad
Haddad: "os pobres pagarem a conta da crise não é razoável" - Imagem: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

O candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) defendeu fazer uma reforma da Previdência no Brasil, mas disse que detalhes como idade mínima e alíquota de contribuição terão de ser discutidos em uma "mesa de negociação" após o início de um eventual governo.

"Não tem tabu de discutir todas as variáveis, mas tem que sentar e negociar. Tem várias partes envolvidas", declarou Haddad, durante sabatina promovida por "Folha de S.Paulo", "UOL" e "SBT" na capital paulista. Segundo ele, um dos pontos a serem debatidos será a idade mínima para aposentadoria.

O candidato afirmou que há "coisas úteis" na proposta apresentada pelo governo Michel Temer, mas ponderou que "os pobres pagarem a conta da crise não é razoável". O candidato defendeu que os regimes próprios de Previdência deveriam ser o objetivo inicial da reforma. "Muitos governadores e prefeitos não vão conseguir pagar suas contas", justificou.

Ilan na condicional

Na sabatina, Haddad declarou ter uma "boa relação pessoal" com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, mas disse que o convite para continuar à frente do banco em um eventual governo será condicionado à concordância com as bases do programa petista.

Ele reforçou que pretende promover uma reforma bancária já no primeiro ano de gestão, aumentando impostos para bancos que cobram juros mais altos do consumidor e reduzindo para instituições que forneçam crédito barato à população. Nas palavras de Haddad, Ilan veria essa ideia com "bons olhos".

Com a reforma bancária, Haddad disse entender que o papel do BNDES pode ser "repensado" e que os subsídios da instituição para empresas e setores específicos não precisariam existir nesse cenário. "Entendo que, com a reforma bancária que vamos fazer, os juros para o tomador final vão cair muito no Brasil", declarou.

Fraude eleitoral

Após o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) acusar o PT de tentar promover uma "fraude" nas eleições de outubro, Haddad cobrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se manifeste em relação às declarações, dadas no domingo (16) pelo deputado no hospital onde está internado.

"Espero que o TSE se manifeste em elação a essas acusações que estão sendo feitas porque, na verdade, quem garante a lisura do processo é o TSE", disse Haddad, durante sabatina. "TSE não é petista, acabou de cassar a candidatura do presidente Lula desautorizando a ONU", afirmou o presidenciável do PT.

Ao comentar declarações do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, Fernando Haddad afirmou que pessoas no governo do presidente Michel Temer "falam pelos cotovelos". Após o ataque contra Jair Bolsonaro, o militar disse, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", que a legitimidade de quem for eleito em outubro poderá ser questionada.

"Quem comanda as Forças Armadas é o presidente da República. Hoje acontece essa dispersão porque não há autoridade. Como você tem um presidente que não tem nenhuma autoridade, fala todo mundo pelos cotovelos", disse o candidato do PT.

Haddad prometeu ainda, em um eventual governo, demitir qualquer funcionário de cargo de confiança que defenda intervenção militar. "Se for cargo de confiança, está na rua no dia seguinte. Não se brinca com a democracia", declarou. Se um militar da ativa fizer a defesa, pontuou, sofrerá ato disciplinar como está previsto em regimento.

"Delator mentiroso"

Haddad defendeu punição contra "delator mentiroso" ao falar sobre a Operação Lava Jato. O presidenciável negou intenção em cortar as investigações no País, mas defendeu mudanças na legislação que envolve colaborações premiadas.

"Temos que estabelecer regras mais precisas sobre as punições para o delator mentiroso (...). Na regra geral, o corruptor é o que mais mentiu, então nós temos que corrigir algumas pequenas falhas para evoluir nas investigações", defendeu o ex-prefeito de São Paulo.

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