🔴 ONDE INVESTIR 2026: ESTRATÉGIAS DE ALOCAÇÃO, AÇÕES, DIVIDENDOS, RENDA FIXA, FIIS e CRIPTO – ASSISTA AGORA

Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

No meio da turbulência, Embraer se prepara para decolar

Investidores deixaram de fora questões importantes na avaliação da empresa, que está perto de se unir com a Boeing, e a ação está barata.

1 de outubro de 2018
16:09 - atualizado às 11:30
Jato ERJ-175 da Polish Airlines voa sobre o aeroporto de Chopin
Imagem: Shutterstock

"Eu conheço esse avião. É da Embraer!” A propaganda, que circulou ao redor da Copa de 98, mostrava Zagallo embarcando em um avião da Embraer. Em uma releitura do “vocês vão ter que me engolir!”, a lenda viva ressaltava a qualidade e segurança da aeronave. Infelizmente, não achei o vídeo no YouTube, mas tenho um amigo que sabe imitar direitinho – se ele tomar umas duas canjibrinas, fica perfeito!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Anos depois, quando fui a primeira vez aos EUA, descobri que faria o percurso de pouco mais de 1,2 mil quilômetros entre NY e Chicago em um E-Jet. Um colega, que trabalhara na Embraer, me assegurou: “pode ficar tranquilo, é um dos jatos mais seguros do mundo”.

De fato, com quase 1,5 mil aeronaves entregues e cerca de 15 anos de operação, os E-Jets, principal produto da divisão de aviação comercial da Embraer, possuem um excelente histórico de segurança.

Além de seguros, são extremamente eficientes: lançados em 2001, logo caíram no gosto de companhias aéreas do mundo todo, inclusive das americanas e, hoje, a Embraer é referência na aviação regional e líder em aeronaves de até 150 assentos.

Na esteira do sucesso e buscando consolidar sua posição, a Embraer anunciou o desenvolvimento de sua nova família de jatos (E2) em 2011 – em abril de 2018, o primeiro E190-E2 foi entregue à norueguesa Widerøe e os três modelos (E175, E190 e E195) já contam com uma carteira de pedidos (backlog) de 227 unidades para os próximos anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao longo do processo de desenvolvimento dos E2, a Embraer viu seu mercado ficar bem mais competitivo – houve importantes movimentos de consolidação de clientes (companhias aéreas) e de fornecedores. Enquanto a brasileira se mexia e conversava com a Boeing, Airbus e Bombardier (canadense que concorre diretamente com a Embraer) anunciaram um acordo – a Airbus comprou o projeto de jatos médios da canadense que, de CSeries, passou a se chamar A220.

Leia Também

Embraer e Boeing se viram obrigadas a acelerar as tratativas e, no fim do ano passado, anunciaram oficialmente que estavam mais do que apenas conversando – de dezembro de 2017 a julho de 2018, as ações decolaram (desculpe, não consegui evitar). Com as especulações e otimismo em torno do negócio, os papéis chegaram a bater R$ 26,95 na véspera do anúncio de um acordo.

A tal da soberania nacional

Aqui, é importante fazer um parêntesis – a negociação da transação não foi trivial. A Embraer era uma companhia estatal até 1994, quando foi privatizada durante o governo Itamar Franco (o nosso Topete fez bem mais do que aparecer em foto controversa no Carnaval carioca). O processo de privatização só saiu do papel com a garantia de que a divisão de Defesa & Segurança seria preservada: há que se preservar a inteligência que nos deu os Super Tucanos!

Como resultado, o governo brasileiro detém uma golden share, que lhe dá direito de veto sobre algumas questões estratégicas da companhia, incluindo a transferência de controle acionário e diretrizes dos programas militares.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Fato é que, após muita negociação entre Boeing, Embraer e o Ministério da Defesa, no dia 5 de julho foi anunciado um acordo não vinculante (não definitivo) que prevê a criação de uma joint venture que englobará todas as atividades de aviação comercial da Embraer. A JV (chamada de NewCo, por enquanto) será 80% da Boeing e 20% da brasileira e foi avaliada em US$ 4,75 bilhões, bem abaixo do que boa parte do mercado esperava.

As ações da brasileira caíram cerca de 15% no dia do anúncio e já amargam uma queda de 26% desde o pico. Há dois pontos principais para a reação negativa:

  • Nos dias que antecederam o anúncio, o volume de negócios aumentou significativamente, com entrada de muitos investidores esperando pelo deal. O movimento gerou euforia e as expectativas ficaram bem acima da realidade – o valor anunciado pela divisão comercial é 58% (em reais) acima do que o valor de mercado da companhia inteira antes do anúncio das conversas em dezembro do ano passado e mesmo assim deixou muita gente insatisfeita;
  • Como o acordo ainda não é definitivo e precisa de aprovação do governo brasileiro, o papel passou a carregar um monte de risco político. Qual a garantia de que o próximo governo vai permitir que o negócio seja concluído nos termos anunciados?

Empurrãozinho da concorrência

Além do negócio em si, o movimento da Airbus com o CSeries foi importante. Com o avanço da combinação dos negócios, o Airbus A220 tem se tornado mais competitivo (menores custos e preços). Em 10 de julho, a Jet Blue, aérea norte-americana e parceira histórica da Embraer, anunciou que fechou um pedido para substituir seus 60 aviões ERJ-190 por 60 Airbus A220 e provocou novo tombo nas ações da brasileira.

Com a queda, hoje a Embraer opera a um valor de companhia (enterprise value, no jargão do mercado) próximo de US$ 5 bilhões, muito próximo dos US$ 4,75 bilhões de avaliação do segmento de aviação comercial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Grosso modo, quando você compra as ações da Embraer hoje, está pagando apenas pela aviação comercial e está levando de graça os outros dois segmentos da empresa:

  • a aviação executiva (os famosos jatinhos ostentação)
  • a segurança & defesa, que atua na produção e desenvolvimento de aviões militares e em uma série de serviços de monitoramento, dentre outros.

É verdade que esses dois segmentos não têm sido muito produtivos nos últimos anos, com geração de resultados negativos e um mercado muito difícil para o segmento de jatos executivos que, desde a crise de 2008, não se recuperou completamente (sim, até as grandes estrelas recorrem à compra de jatinhos usados em momentos de maior “dificuldade”).

O grandalhão que passou despercebido

A questão que parece ter passado desapercebida por uma boa parte do mercado (ou pelo menos, que não parece estar refletida no preço das ações) é que, junto com a JV de aviação comercial, Boeing e Embraer anunciaram uma parceira na área de defesa, mais especificamente para a comercialização e produção do KC-390.

O KC-390 é o maior projeto de aviação militar da história brasileira – desde 2006 a companhia faz estudos para colocar em pé um cargueiro militar que substituirá o já datado C-130 Hercules, gigante da Lockheed que está em operação desde os anos 1950 e já teve mais de 2,5 mil unidades entregues.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Há anos o segmento de cargueiros médios (até 30 toneladas) espera por uma aeronave mais moderna e o KC-390 visa preencher essa lacuna. Pelas especificações, o cargueiro da Embraer tem maior autonomia, consome menos combustível, é menor, transporta mais carga e, por ser mais moderno, tem bem menos custos de manutenção.

A ideia é que, se comercializado em parceira com a Boeing, o KC-390 teria maior entrada em alguns países, como os EUA, por exemplo, e o mercado potencial passaria de 700 aviões para algo em torno de 1.400 aviões nas próximas décadas.

Como a expectativa é de que a Embraer consiga produzir mais de 20 unidades do KC-390 ao ano e cada avião tem custo previsto acima dos US$ 50 milhões, a depender das especificações, estamos falando de uma receita potencial anual acima de US$1 bilhão.

É verdade que, com 55% das receitas, a divisão de Aviação Comercial é a maior e mais rentável da Embraer, principalmente pelo sucesso dos E-Jets. Mas, caso a empreitada do KC-390 seja bem-sucedida, a companhia pode passar a ser reconhecida também por seu programa militar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Assim, a ideia de levar um projeto desse porte me agrada bastante - por que não apostar no sucesso do KC-390 se não é preciso pagar nada por isso (desde que, claro, o negócio se concretize conforme anunciado).

Sem me alongar nas contas, se assumirmos apenas as sinergias conservadoras estimadas pelas duas empresas (US$ 150 milhões ao ano) e assumirmos uma margem Ebit de longo prazo de 6% para as divisões de aviação executiva e segurança & defesa sem crescimento significativo de receitas, há um potencial de ganhos da ordem de 20% com os papéis, a depender de como ficará a distribuição da dívida entre a Embraer e a JV – os detalhes ainda estão sendo definidos pelas partes.

O que pode dar errado?

O grande risco é se, por algum motivo, a transação não sair do papel. Do que depender das duas empresas, não me parece ser o caso. A Embraer precisa do acordo para se manter competitiva e a Boeing tem todo interesse em diversificar seu portfólio, sob o risco de perder espaço para a Airbus, sem contar no acesso ao excelente corpo de engenheiros do ITA, um dos principais pilares de geração de valor da Embraer.

Um novo governo poderia “melar" a brincadeira (Ciro Gomes, claro, já se posicionou contra). Para reduzir esse risco, as companhias estão trabalhando contra o relógio para entregar um acordo definitivo até o fim do ano, o que dificultaria muito uma reversão no próximo governo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além de Ciro Gomes, sindicatos e os suspeitos de sempre, quem tem feito barulho é um grupo de minoritários, que alega que a transação é uma venda de controle disfarçada e, portanto, deveria disparar uma oferta pela totalidade das ações (OPA). A companhia nega e diz que tem todo o respaldo jurídico – a briga promete ser boa, como todas as brigas do tipo no Brasil. Mas, se conseguirem melar a transação, os minoritários estariam dando um tiro no próprio pé – se o Nobel de John Nash ainda valer alguma coisa, imagino que as partes entrarão em algum tipo de acordo positivo para todo mundo.

O mais legal da brincadeira é que, se azedar o caldo das eleições e o dólar disparar, Embraer se beneficia fortemente, já que todo o mercado de aviação é dolarizado: cerca de 90% das receitas são em dólares e 20% dos custos em reais. A Embraer tem quase que uma proteção natural contra um governo mais refratário à transação.

Mesmo sem garantias de que o acordo vai levantar voo, o perfil de risco x retorno me parece atraente e o momento é particularmente oportuno. Só não esqueça de apertar os cintos, estamos atravessando uma área de turbulência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
CASA DE SAL

Casa de garrafas de vidro salta aos olhos no litoral de Pernambuco — e você pode se hospedar nela por R$ 430

28 de janeiro de 2026 - 11:13

Na Ilha de Itamaracá, duas mulheres recolheram cerca de 8 mil garrafas de vidro abandonadas nas praias e a transformaram em lar

DEVO, NÃO NEGO...

Foi mais difícil pagar aluguel em 2025: inadimplência teve leve alta no último ano, mas jogo pode virar em 2026

28 de janeiro de 2026 - 9:00

Levantamento mostra que os imóveis comerciais lideraram as taxas de inadimplência, com média de 4,84%

ENCALHADAS

Mega-Sena encalha e prêmio em jogo agora passa dos R$ 100 milhões; Lotofácil, Quina e outras loterias também emperram

28 de janeiro de 2026 - 7:05

Mega-Sena não sai desde a Mega da Virada. Lotofácil acumula pela primeira vez na semana. +Milionária promete o maior prêmio desta quarta-feira (28).

ENTREVISTA SD

“Não há nenhuma emergência que leve o Banco Central a apressar o corte da Selic”, diz Tony Volpon

28 de janeiro de 2026 - 6:03

O ex-diretor do Copom espera que um primeiro corte venha em março ou abril, quando a expectativa de inflação futura chegar, enfim, aos 3%

POLÍTICA MONETÁRIA

Selic a 8% ou a 15%? Ex-diretores do Banco Central explicam o dilema que o Brasil terá pela frente

27 de janeiro de 2026 - 18:46

Para Bruno Serra e Rodrigo Azevedo, o país entrou na fase decisiva em que promessas já não bastam: o ajuste fiscal precisará acontecer, de um jeito ou de outro

LENDA DO MERCADO

Dólar a R$ 4,40, ou dívida acima de 80% do PIB: o alerta de Stuhlberger para 2026

27 de janeiro de 2026 - 14:42

Dólar, juros e eleição entram no radar do gestor do lendário fundo Verde para proteger a carteira

POLÍTICA MONETÁRIA

Quando o Copom vai começar a cortar a Selic? O que dizem os economistas que esperam ajuste nesta semana e os que só veem corte em março

27 de janeiro de 2026 - 12:02

A grande maioria dos agentes financeiros espera a manutenção dos 15% nesta semana, mas há grandes nomes que esperam um primeiro ajuste nesta quarta-feira

JATINHOS, FESTAS MILIONÁRIAS E MAIS

A vida de rei vivida por Daniel Vorcaro enquanto o Banco Master crescia às custas do FGC

27 de janeiro de 2026 - 9:01

Enquanto o Banco Master caminhava para o colapso, Daniel Vorcaro manteve uma rotina de luxo que incluiu jatos particulares e uma festa de R$ 15 milhões para sua filha de 15 anos

MÁQUINA DE MILIONÁRIOS

Lotofácil abre semana com novo milionário, mas Dupla Sena paga maior prêmio da noite ao sair pela 1ª vez em 2026

27 de janeiro de 2026 - 7:03

Depois de a Lotofácil e a Dupla Sena terem feitos novos milionários, a Mega Sena tem prêmio estimado em R$ 92 milhões hoje

ESTÁ CHEGANDO A HORA

Temporada de balanços do 4T25 se aproxima: confira as datas das divulgações e teleconferências das principais empresas da B3

27 de janeiro de 2026 - 6:00

As empresas começam a divulgar os resultados na próxima semana e, como “esquenta”, a Vale (VALE3) publica hoje seu relatório de produção e vendas

SEGURANÇA ALIMENTAR

Depois da Nestlé e da Lactalis, mais uma gigante faz recall de fórmula infantil por risco de contaminação

26 de janeiro de 2026 - 14:38

Empresas de laticínios estão recolhendo lotes de fórmulas infantis à medida que cresce a preocupação de contaminação por toxina

VAI TER FOLGA?

Calendário de fevereiro de 2026: Carnaval é feriado? Veja as datas e quem tem direito à folga

26 de janeiro de 2026 - 12:20

Calendário de fevereiro 2026 mostra que o Carnaval não é feriado nacional, mas estados e municípios podem decretar folga para trabalhadores

IMPLOSÃO

Torre Palace: do primeiro hotel de luxo de Brasília à implosão no coração do poder

26 de janeiro de 2026 - 12:08

Primeiro hotel de alto padrão da capital federal, o Torre Palace nasceu como símbolo de sofisticação, mas afundou em disputa familiares 

CORRAM PARA AS COLINAS

Ouro ultrapassa US$ 5.120 e atinge recorde em corrida por proteção; ainda vale investir?

26 de janeiro de 2026 - 12:07

Em 2026, com apenas três semanas, o ouro já acumula valorização de 17%

SE A MODA PEGA

Leis municipais proíbem mais de uma pessoa na mesma moto — e o motivo envolve segurança

26 de janeiro de 2026 - 10:15

Medida vale para Lima e Callao e prevê multas, pontos na carteira e até apreensão do veículo em meio ao estado de emergência no país

NA MIRA DA PF

Banco Master, BRB e bilhões sob suspeita: quem a PF vai ouvir na nova fase da operação que investiga o banco de Daniel Vorcaro

26 de janeiro de 2026 - 9:38

Executivos do Master e do BRB, empresários e ex-dirigentes prestam depoimento à Polícia Federal nesta semana. O que está em jogo?

7 ANOS APÓS BRUMADINHO

Vale (VALE3): extravasamento de água e lama em Minas Gerais atingiu unidade da CSN Mineração (CMIN3), que se mantém funcionando

26 de janeiro de 2026 - 9:12

A estimativa da prefeitura de Congonhas, cidade vizinha também afetada pelo vazamento, é que foram derramados 200 mil m³ de água e lama; incidente ocorreu no aniversário de sete anos do rompimento de barragem em Brumadinho

TECNOLOGIA

IA no sistema financeiro: investimentos recordes e o desafio do Banco Central de regular sem travar a inovação

25 de janeiro de 2026 - 18:02

Avanço da inteligência artificial eleva investimentos e pressiona debate sobre governança, riscos sistêmicos e atuação do Banco Central

NO RADAR DOS ANALISTAS

Preço baixo e retorno alto: por que a XP recomenda a compra deste fundo imobiliário

25 de janeiro de 2026 - 16:45

Fundo imobiliário negocia com 15% de desconto e pode se beneficiar da retomada dos FIIs de tijolo

HÁ TRÊS DÉCADAS

O dia em que um experimento meteorológico quase terminou em guerra nuclear completa 31 anos

25 de janeiro de 2026 - 7:15

25 de janeiro de 1995 por pouco não impediu que o Brasil fosse pentacampeão mundial de futebol, entre outros acontecimentos das últimas três décadas

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar