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Briga entre comprados e vendidos no mercado futuro é que dita a formação de preço do dólar, que flerta com a linha de R$ 3,8
O Banco Central (BC) apresentou os dados sobre o fluxo cambial de setembro. Uma saída de US$ 6,14 bilhões do Brasil. E qual a importância disso para a formação de preços do dólar? Nenhuma. A brincadeira acontece no mercado futuro, onde os estrangeiros já venderam mais de US$ 8 bilhões em dois dias. E o desmanche de posições compradas, que podem ser vistas como uma aposta de alta do dólar, certamente continua no pregão desta quarta-feira, depois das últimas pesquisas eleitorais apontarem o avanço do candidato Jair Bolsonaro.
O estrangeiro fechou o mês de setembro com uma posição comprada de US$ 39,271 bilhões, considerando dólar futuro e cupom cambial (DDI – juro em dólar negociado no mercado local). Ontem, essa posição tinha caído a US$ 31 bilhões. O que pode ser visto como um dos maiores desmanches de posição, pois desde meados do ano o gringo vinha carregando sempre algo próximo a US$ 40 bilhões em posição comprada, recorde histórico.
Outros players relevantes no mercado futuro são os bancos e os fundos de investimento. Como o mercado futuro é um jogo de soma zero, se um vende um outro compra. E os maiores compradores de dólares foram os bancos, com US$ 6,3 bilhões, seguidos pelos fundos, com outros US$ 650 milhões.
Ainda assim, os bancos mantêm uma posição vendida de US$ 16,2 bilhões no mercado futuro e os fundos têm outros US$ 16,7 bilhões.
Isso avaliando o ocorrido entre o fim de setembro e o pregão de terça. Olhando só o que ocorreu na terça-feira, a movimentação dos fundos de investimento chama atenção, pois eles ampliaram a aposta de queda do dólar em US$ 4,4 bilhões.
Em suma, bancos e fundos estão, em tese, ganhando com a queda do dólar, enquanto o estrangeiro está perdendo dinheiro, ou “pagando a janta”, segundo jargão de mercado.
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A avaliação sobre perdas e ganhos é sempre feita em tese, pois não sabemos a que preço a compra foi feita. Além disso, esses agentes podem ter posições em moeda estrangeira no mercado à vista e em derivativos de balcão. Bancos, por regra, não podem ter exposição cambial direcional. É uma medida prudencial.
O mercado de câmbio no Brasil é um caso curioso, pois o são os derivativos que formam o preço do dólar à vista e não o contrário, como acontece nos demais mercados. É um caso de rabo que balança o cachorro. Isso decorre de uma série de limitações às operações com dólar físico por aqui que se contrapõem a exuberante estrutura e volume de negócios no mercado futuro, que está entre os maiores do mundo. Para dar uma ideia, a proporção é de um dólar negociado à vista para mais de dez no mercado futuro.
É na também na antiga BM&F que os investidores e empresas vão fazer a proteção de suas exposições em dólar, o famoso hedge. É lá que a mágica do câmbio acontece. E não por acaso é também no mercado futuro que o BC concentra suas atuações, quando necessárias, com os swaps cambiais.
Para não dizer que não falei do fluxo, o resultado no ano ainda é positivo em R$ 18 bilhões. Essa “sobra” de dólares aliada a outros fatores estruturais, como reservas internacionais e pequeno déficit em conta corrente é que diferenciam o Brasil de outros emergentes como Argentina e Turquia, que sofreram com forte saída de moeda americana e tiveram de responder com uma disparada nas taxas de juros.
São esses fundamentos que também permitem ao Banco Central (BC) esperar o resultado das eleições e o aceno do eleito com relação às reformas antes de subir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 6,5% ao ano.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece em 31 de outubro. Ainda é cedo para tentar estimar como estará o câmbio até lá. Mas esse movimento de queda da máxima de R$ 4,2 para a linha de R$ 3,85 certamente tira pressão das projeções de inflação para 2019 e outros anos, facilitando o trabalho do BC de ancoragem de expectativas e projeções.
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