Menu
2018-09-26T06:43:49-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Programas Eleitorais 2018

Os presidenciáveis e a temida taxa de câmbio

Seu Dinheiro apresenta série sobre as principais propostas econômicas dos candidatos

26 de setembro de 2018
5:59 - atualizado às 6:43
Ilustração sobre as Eleições 2018
Imagem: Pomb

Dando sequência à avaliação dos planos de governo dos principais candidatos à presidência (Alckmin, Bolsonaro, Ciro, Haddad e Marina) na área econômica, vamos olhar as propostas para o câmbio. O assunto é bastante controverso dentro e fora da academia e do mercado e quase nunca gera consenso. Alguém ou algum setor sempre estará insatisfeito com o patamar vigente da taxa câmbio.

Alckmin - Plano de governo não tem nada específico sobre taxa de câmbio.

Bolsonaro - Plano defende câmbio flutuante como parte do tripé também composto por superávit primário e metas de inflação. Também fala em maior flexibilidade cambial (mas sem dar detalhes).

Ciro - A taxa de câmbio deve oscilar, com reduzida volatilidade, em torno de um patamar competitivo para a indústria nacional (não se especifica qual seria esse patamar). Recriação do fundo soberano, para impedir as oscilações excessivas da taxa de câmbio em função dos ciclos de commodities, possibilitar a implementação de políticas anticíclicas e a estabilidade de preços importantes, como o petróleo.

Haddad - Programa fala em câmbio competitivo e menos volátil. Brasil passará a adotar regulações que controlem a entrada de capital especulativo de curto prazo sobre o mercado interbancário e sobre o mercado de derivativos. Dessa forma, a volatilidade da taxa de câmbio, causada pela especulação financeira, deverá ser fortemente inibida. Também será constituído um imposto regulatório sobre a exportação, capaz de estimular a elevação do valor agregado das exportações e minimizar a variação cambial. Esse imposto deve acompanhar a variação dos preços e formar um fundo de estabilização cambial que beneficiará os exportadores no longo prazo.

Marina - Programa defende câmbio flutuante, com intervenção para evitar excessiva flutuação, como parte dos pilares de superávit primário e regime de metas para a inflação.

Atualmente o nosso regime é de câmbio flutuante. Como qualquer outro preço na economia, o que define seu valor é a interação entre oferta e demanda. O Banco Central (BC) advoga que o câmbio flutuante é a primeira linha de defesa contra eventuais choques externos. Mas isso não quer dizer que o BC do Brasil e de outros lugares com câmbio flutuante não atuem no mercado.

O modelo mais difundido e também em voga por aqui é conhecido como “leaning against the wind" (inclinar-se contra o vento). O BC atua para amortecer ou suavizar os movimentos do mercado, sem a pretensão de mudar a direção do câmbio. Essa é a diretriz do atual BC, que pode atuar no mercado à vista, no mercado futuro, via swaps cambiais, e ofertar linhas em dólar (venda com compromisso de recompra).

Pelo exposto, os programas de Alckmin, Bolsonaro e Marina não tentariam fazer grandes mudanças no modelo vigente. Já os programas do PT e Ciro advogam algo semelhante. Reduzir a volatilidade cambial e manter uma taxa competitiva. Ciro fala em recriar o Fundo Soberano para isso. O PT quer adotar controles de capital – como feito por um bom tempo durante a gestão de Guido Mantega, quando o ministro travava uma guerra cambial. E fala, também, em taxar exportações para criar um fundo de estabilização. Mauro Benevides, que trabalha na campanha de Ciro, falou em entrevista sobre a criação de um comitê para gerenciar o câmbio no Brasil. Benevides sugeriu a criação de um Copom (comitê do BC que decide a Selic) para a taxa de câmbio, que seria pautado por critérios técnicos.

Câmbio e política industrial

O que se depreende das estratégias de Ciro e do PT é usar a taxa de câmbio como parte de uma política industrial. Ciro tem essa ideia declarada, mas não está claro quais seriam os instrumentos para chegar ao que seria uma taxa competitiva. Também não fica claro para quem essa taxa seria competitiva. Há diversas visões sobre o tema, mas essa é uma escolha política com efeitos distributivos que o governo terá de fazer e convencer a sociedade.

Manter o câmbio desvalorizado para estimular a indústria resulta, ao menos em um primeiro momento e se tudo der certo, em uma transferência de renda da sociedade para o setor industrial. Já que a população teria de pagar mais caro por bens importados e nacionais. Taxa desvalorizada também significa perda de poder real de salário. No entanto, em tese, isso seria compensado futuramente pelo aumento de renda geral trazido pelo que seria um renascimento da indústria nacional. Os pontos perigosos são esse futuro nunca chegar ou a taxa desvalorizada apenas mascarar ineficiências da indústria local.

Controles de capitais podem ser uma alternativa para momentos incomuns – quando por exemplo os Estados Unidos reduziram o juro a zero e o Federal Reserve ampliou seu balanço – e isso foi feito por aqui. A questão é saber até que ponto se mantêm tais restrições e que tipo de barreiras podem acabar prejudicando, também, o chamado capital produtivo. Há essa pecha de capital especulativo como algo ruim, mas todos os “capitais” têm sua função, se eles vêm especular por aqui é porque há algum fundamento ou preço fora do lugar que pode ser arbitrado. Especular é da natureza humana.

As discussões sobre o tema não são triviais e o aceno do eleito é de grande relevância para o funcionamento de todos os mercados, não apenas o de câmbio. Sempre que se discutem assuntos relacionados à taxa de câmbio, lembro do que dizia o ex-ministro Mário Henrique Simonsen: “inflação aleija, mas o câmbio mata”.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
INVISTA COMO UM MILIONÁRIO

Sirva-se no banquete de investimentos dos ricaços

Você sabe como ter acesso aos craques que montam as carteiras dos ricaços com aplicações mínimas de R$ 30? A Pi nasceu para colocar esses bons investimentos ao seu alcance

Vítima da guerra das maquininhas

Lucro da Cielo cai pela metade em 2019 e despenca 68% no 4º trimestre

A estratégia deliberada da empresa controlada por Banco do Brasil e Bradesco é sacrificar as margens de lucro para defender a liderança do mercado de maquininhas de cartão. Os números refletem bem esse esforço, para o bem e para o mal

POLÍTICA

Moro diz que quem vai decidir o vice (em 2022) é o presidente; mas ideal é o vice Mourão

O ministro considerou que “pode ser que no futuro lá distante volte a se cogitar isso” e defendeu: “Não acho uma boa ideia”. “Os ministérios juntos são mais fortes.”

APROVADA SEM RESTRIÇÕES

Cade aprova compra da Embraer pela Boeing

A operação analisada pelo Cade prevê duas transações. Uma delas consiste na aquisição pela Boeing de 80% do capital do negócio de aviação comercial da Embraer, que engloba a produção de aeronaves regionais e comerciais de grande porte (operação comercial)

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Bolsa contaminada pelo coronavírus

Caro leitor, A semana começou mal para as bolsas do mundo todo. O avanço do coronavírus na China durante o fim de semana colocou os mercados de molho nesta segunda. Já foram confirmados quase 3 mil casos em mais de dez países, sendo a maioria deles na China. Até agora, foram computadas 82 mortes. Os […]

Cautela elevada

Em dia de queda de 3% do Ibovespa com alerta sobre coronavírus, ações de drogaria sobem

A disseminação do coronavírus elevou a aversão ao risco nos mercados financeiros, derrubando o Ibovespa e fazendo o dólar romper a marca de R$ 4,20. Apenas cinco ações do índice subiram, incluindo Raia Drogasil

DE OLHO NO CORONAVÍRUS

‘Índice do medo’ atinge patamar visto no auge da guerra comercial e sobe mais de 25%

Na máxima intradiária, o indicador chegou a bater a casa dos 19,02 pontos, valor que não era visto desde outubro do ano passado quando ele atingiu a marca dos 19,28 pontos

CONCESSÕES

Maia definirá até dia 30 quando lei de concessões vai a plenário, dizem deputados

“Se ele (presidente da Câmara) estiver convencido de que esse texto é um texto bom, que atende a sociedade, eu acho que a gente vota ele rápido”, disse também o deputado João Maria

CRÉDITO

Demanda por crédito do consumidor cai em dezembro e cresce em 2019, diz Boa Vista

Considerando os segmentos que compõem o indicador, o Financeiro apresentou elevação de 6,1% no ano, enquanto o segmento Não Financeiro registrou evolução de 2,5% na mesma base de comparação

primeira avaliação

Quão longe a XP pode ir? Para o BTG, ação da corretora já está bem precificada

BTG Pactual inicia cobertura das ações da corretora com recomendação neutra para os papéis.

DE OLHO NA REFORMA

Reforma administrativa quer acabar com promoções por tempo de serviço

O governo vai propor ainda a vedação das aposentadorias como forma de punição

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements