2018-11-15T16:33:33-02:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Política monetária

O que esperar de Roberto Campos Neto no Banco Central de Bolsonaro

Economista e diretor do Santander, responsável pela tesouraria do banco, foi confirmado no comando da autoridade monetária

15 de novembro de 2018
15:48 - atualizado às 16:33
Imagem: Arnaldo Jr./Shutterstock

O economista do Santander, Roberto Campos Neto, foi confirmado na tarde desta quinta-feira como novo presidente do Banco Central (BC). Junto com ele, a assessoria do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou a permanência de Mansueto Almeida no cargo de secretário do Tesouro Nacional.

Campos Neto tem 49 anos é formado em economia com foco em finanças pela Universidade da Califórnia (UCLA). Ele já trabalhou no banco Bozano Simonsen, entre 1996 e 1999, como operador de derivativos, juros e câmbio. Entre 2000 e 2003 foi chefe da área internacional de renda fixa do Santander. Em 2004 foi gerente de portfólio na gestora Claritas. Em 2005, voltou ao Santander como operador, depois virou chefe da mesa de operações e atualmente é tesoureiro do banco.

O economista e sócio da GO Associados, Eduardo Velho, avalia que Campos Neto é uma ótima escolha de Paulo Guedes para o BC.

“O presidente do BC tem que ser aliado ao ministro da Economia, mas atuar com autonomia. Além disso, Campos Neto conta com elevada experiência na área monetária e cambial e é bem reconhecido no mercado financeiro”, diz Velho.

Para um economista estrangeiro que acompanha a economia brasileira, a primeira impressão é que faltaria qualificação acadêmica ao indicado para comandar o BC, pois em comparação com os demais presidentes, Campos Neto não tem bagagem de estudo em política monetária. “Ele é basicamente um trader, não um economista”, diz.

Sobre a falta de experiência acadêmica, Eduardo Velho diz não ver problema e lembra que Henrique Meirelles e Armínio Fraga, por exemplo, também não tinham passagens pela academia. "O Armínio Fraga mesmo era um trader do fundo Quantum, do George Soros", diz Velho.

Para um ex-tesoureiro de bancos nacionais e estrangeiros, é preciso esperar a reação do mercado à indicação de Roberto Campos Neto. Para ele, a falta de experiência acadêmica em política monetária tem menos importância que no passado. Essa questão pode ser resolvida com a composição da diretoria do BC, que passa a ser o grande ponto de interrogação de agora em diante.

O atual presidente Ilan Goldfajn é doutor em economia pelo Massachussetts Institute of Technology (MIT). Ilan era economista-chefe do Itaú Unibanco até assumir o BC em junho de 2016. Entre 2000 e 2003 tinha sido diretor de Política Econômica.

A menor experiência acadêmica de Roberto Campos Neto na comparação com o antecessor é mais que compensada com a habilidade nas mesas de operação.

Na tesouraria do Santander, o diretor é apontado como um dos principais responsáveis pelos resultados excepcionais que o banco espanhol tem registrado no país nos últimos anos.

Comunicado oficial

Leia a íntegra da nota à imprensa divulgada pela assessoria de Paulo Guedes:

NOTA À IMPRENSA

O futuro Ministro da Economia, Paulo Guedes, confirma nesta quinta-feira (15/11) a indicação de dois novos integrantes da equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro:

O economista Roberto Campos Neto aceitou o convite e terá seu nome indicado ao Senado Federal para presidir o Banco Central. Com extensa experiência na área financeira, pós-graduado em economia pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), Campos Neto deixa diretoria do Banco Santander, onde ingressou em 2000.

O economista Mansueto Almeida será indicado para permanecer no cargo de Secretário do Tesouro Nacional, que ocupa desde abril de 2018. Com extensa experiência no setor público, tendo passado pelo IPEA e ocupado outros cargos importantes no Ministério da Fazenda, é mestre em Economia pela USP e cursou doutorado em Políticas Públicas no MIT.

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