Menu
2018-12-07T10:37:27-02:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
análise

Inflação garante Selic estável por mais tempo. Trabalho agora está com Paulo Guedes

Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne na próxima semana e deve acenar juro em 6,5% a perder de vista. A grande dúvida é o ajuste fiscal

7 de dezembro de 2018
10:23 - atualizado às 10:37
Paulo Guedes
Ministro da economia, Paulo Guedes - Imagem: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Do lado do Banco Central (BC) as condições estão dadas para um longo período de estabilidade da taxa básica de juros, a Selic em 6,5% ao ano. A inflação continua surpreendendo para baixo agora em 2018, deixando uma herança positiva para 2019. A questão, mesmo, está com Paulo Guedes e sua agenda de reformas fiscais.

Para o nosso bolso, isso quer dizer que o cenário está e deve continuar favorável aos ativos de risco como bolsa de valores e fundos imobiliários. No mercado de títulos ganham atratividade os prefixados longos que ainda têm taxas próximas a 10% e as Notas do Tesouro Nacional Série-B mais longas, que encontramos no Tesouro Direto.

De volta aos números, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro apontou deflação de 0,21%, mais intensa que a mediana de deflação de 0,10% prevista da “Projeções Broadcast”, e menor que o 0,28% de igual mês do ano passado. Assim, medido em 12 meses, o índice oficial de inflação caiu de 4,56% para 4,05%.

Os núcleos de preços, que captam a tendência da inflação, também apresentaram queda em todas as suas diferentes medidas, com a média recuando de 3% em 12 meses até outubro para 2,87%, nos cálculos da CM Capital Markerts.

Além disso, o índice de difusão voltou a recuar, de 60,3% para 54,6%, mostrando menos itens da cesta com aumento de preço. Breve alta apenas para a inflação de serviços, mas nada que demande resposta do BC.

Copom

Na quarta-feira, dia 12, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem sua última reunião de 2018. O consenso é de estabilidade do juro básico e também não devemos ver grande mudança na comunicação do BC.

O ponto principal do balanço de riscos, que está levemente assimétrico, continua sendo “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira”, algo que pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O cenário externo também faz parte dos eventos que podem tirar a inflação das metas.

No entanto, esses dois vetores fogem do escopo de atuação do BC. Com 2018 “na conta”, o que importa, agora, é o comportamento das projeções e expectativas para 2019 e 2020. Uma leitura detalhada disso será conhecida no Relatório de Inflação de 20 de dezembro.

O BC deve manter em sua comunicação, o parágrafo no qual fala em eventual retirada de estímulo “caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e/ou seu balanço de riscos apresentem piora”.

O trabalho está com Paulo Guedes e o “pacote” aqui inclui a capacidade de articulação do governo com o Congresso, pois sem avanço das reformas fiscais ao longo de 2019, certamente as expectativas deixarão de ficar nas metas de 4,25% para o próximo ano, 4% para 2020 e 3,75% para 2021.

Se o governo for vitorioso na agenda de reformas uma nova discussão se abre envolvendo a redução da taxa neutra ou estrutural da economia. Essa é a taxa de juros que permite o máximo de crescimento com inflação nas metas. Ela é uma variável não observável, mas estimativas sugerem que ela está entre 4% a 4,5% em termos reais (juro nominal descontado da inflação). Atualmente nosso juro real está ao redor de 3%, por isso o BC fala que a política monetária está estimulativa, ou seja, juro real abaixo do estrutural.

Com reformas aprovadas esse juro estrutural tenderia a cair, abrindo espaço para Selic em 6,5% por ainda mais tempo ou até eventual redução da taxa básica.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

solução?

Decreto sobre contratação de militares para INSS deve sair esta semana, diz Bolsonaro

TCU já avisou o governo de que terá de ser elaborada uma solução ampla para o recrutamento de pessoal, abrindo a possibilidade de contratação também para civis

primeira reunião do ano

BCE mantém política monetária inalterada, mas lança revisão de estratégia

Como previam analistas, o BCE manteve a taxa de refinanciamento em 0% e a de depósito em -0,50%

Cautela

Ibovespa abre em queda firme, reagindo aos dados do IPCA-15 e ao risco do coronavírus

O Ibovespa exibe um tom negativo nesta quinta-feira, preocupado com a disseminação do coronavírus às vésperas do feriado na China. Os dados de inflação no país também são monitorados

levantamento do boa vista

Abertura de empresas cresce 18% em 2019

Setor de serviços foi destaque, com 61,8% de representatividade; em contrapartida, o comércio diminuiu essa parcela

contra a vontade de moro

Governo estuda a recriação do Ministério da Segurança Pública, diz Bolsonaro

Presidente deixou claro que, caso decida recriar o ministério, Moro seguirá no comando da Justiça

hora da moderação?

As chances não estão do lado do investidor, diz gestor da Oaktree

Fundador da empresa gerenciamento de ativos Oaktree, Howard Marks falou ao Valor Econômico que parte das altas do ano passado foi mero ajuste de perdas de 2018

Prévia da inflação

IPCA-15 tem alta de 0,71% em janeiro, segundo IBGE

Maior impacto no índice ficou na conta do grupo Alimentação e Bebidas, que desacelerou, mas ainda subiu 1,83%. Logo em seguida ficou o grupo de Transportes, com alta de 0,92%

parceria que não deu certo

Em meio a crise e brigas internas, Grow retira patinetes de 14 cidades do País

Empresa de aluguel de bicicletas e patinetes sofreu nos últimos meses com falta de capital, disputas de poder, questões regulatórias e o alto custo das viagens em patinetes

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

12 notícias para você começar o dia bem informado

As ações dos bancos estão apanhando em 2020. Fica uma pergunta no ar: é o início de um ciclo de baixa ou elas estão baratas e vale a pena comprar?  Lá fora o coronavírus assusta e a elite mundial trava uma discussão sobre a Amazônia sem uma participação relevante do Brasil.  O que você precisa saber hoje: […]

Aumentando a frota

Brasileira Drop inicia produção de patinetes elétricos em Manaus

Inicialmente a empresa apenas vai montar os patinetes com kits (CKDs) importados da China. Cerca de 20% dos itens são locais, como guidão, manopla e retrovisor, conforme prevê as regras da Superintendência da Zona Franca de Manaus

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements