Menu
2018-10-17T09:39:29-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Banco Central

Atividade surpreende novamente e sugere terceiro trimestre positivo

Indicador do Banco Central (BC) sobe 0,47% em agosto e acumula alta de 1,5% em 12 meses

17 de outubro de 2018
9:39
Fachada do Banco Central do Brasil (BC)
Imagem: Arnaldo Jr./Shutterstock

Pelo segundo mês consecutivo a atividade surpreende para cima na métrica do Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) apresentou alta de 0,47% em agosto, vindo de variação positiva de 0,65% em julho (dado revisado de 0,57%).

A leitura mensal ficou acima da mediana de 0,25% da “Broadcast Projeções”, que oscilava entre queda de 0,10% e avanço de 0,90%. No ano, o indicador acumula alta de 1,28%. E medido em 12 meses, que capta melhor a tendência em função das revisões constantes, a variação é positiva em 1,50%.

Fazendo um breve exercício de projeção, a economia caminha para um terceiro trimestre com crescimento na casa de 2% sobre o trimestre anterior, quando teve queda de 0,84%, considerando aqui estabilidade do IBC-Br para o mês de setembro.

Essa surpresa positiva, no entanto, não tem força para mudar a visão do Banco Central (BC) com relação ao nível de ociosidade da economia, que faz parte do balanço de riscos para a inflação.

Por ora, a avaliação é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem condições de manter a Selic estável na reunião de 31 de outubro em 6,5% ao ano em função da recente desvalorização do dólar, que reduz a pressão sobre as projeções e expectativas de inflação em 2019.

Por outro lado, uma confirmação dessa reação da atividade pode vir a pesar na tomada de decisão do Copom nas demais reuniões. Por isso não se descarta que o BC possa começar a retirar estímulo monetário em 2019.

Há uma diferença entre reduzir a quantidade de estímulo e mudar a instância da política monetária, que segue e deverá continuar estimulativa, ou seja, com taxa abaixo da considerada neutra (taxa neutra é aquela que não tira nem dá estímulo).

A questão envolvendo o “nível de ociosidade” tem pelos menos dois impactos sobre a tomada de decisão do BC. Primeiro, atividade fraca não representa ameaça para a inflação. Segundo, atividade fraca reduz a capacidade de transmissão da alta do dólar para o restante dos preços da economia.

Mas a queda do dólar, que saiu de R$ 4,20 para linha de R$ 3,70, ainda não chegou aos índices de inflação. Sinal claro disso veio nesta manhã com a divulgação do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10). O indicador subiu 1,43% em outubro após aumento de 1,2% em setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A mediana da “Broadcast Projeções” era de 1,46%, com intervalo de 0,99% a 1,83%.

Para 2018, o BC trabalha com um crescimento do PIB de 1,4%. A mediana do Focus aponta variação positiva de 1,34%. Para 2019 a previsão do BC é de 2,4% e a do mercado está em 2,5%.

Não é o PIB do BC

Mesmo conhecido como PIB do BC, o IBC-Br tem metodologia de cálculo diferente das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em box no Relatório de Inflação (RI), o BC explicou que IBC-Br e PIB são indicadores agregados de atividade econômica com trajetórias similares no médio prazo. Mas há características que os diferenciam tanto do ponto de vista conceitual quanto metodológico.

O IBC-Br, de frequência mensal, permite acompanhamento mais tempestivo do comportamento da atividade econômica, enquanto o PIB, de frequência trimestral, descreve quadro mais abrangente da economia. Além disso, o BC alerta que o processo de dessazonalização pode ampliar diferenças pontuais entre os dois indicadores, o que demanda cautela em comparações nos horizontes mais curtos. No entanto, essas diferenças tendem a se compensar ao longo do tempo, favorecendo as comparações em horizontes mais longos, como o anual.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Apertem os cintos

Segredos da bolsa: Termina mais um trimestre que valeu por um ano

Semana traz agenda intensa de indicadores tanto no Brasil quanto nos EUA; cautela e volatilidade tendem a seguir em cena

EUA X China

Trump X TikTok: empresa chinesa tenta impedir proibição de downloads

Decisão judicial pode barrar restrição, que passaria a valer a partir de meia-noite deste domingo nos Estados Unidos.

A 38 dias da eleição

Trump anuncia nomeação de Barrett para a Suprema Corte

Nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado, que hoje tem maioria Republicana.

Últimos ajustes

Guedes se reúne com líder do governo na Câmara para discutir Reforma Tributária

Segundo o deputado Ricardo Barros, na segunda-feira a proposta já estará fechada para uma rodada de discussão com os líderes da base governista no Congresso.

Em 2020

Pandemia tira R$ 12 bilhões em investimentos

Investimentos públicos em infraestrutura deverão ser 10% menores em relação ao estimado antes da pandemia de covid-19.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements