Menu
2019-11-05T16:29:27+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
plano mais brasil

Guedes vende transformação do Estado em máquina fraterna e eficiente

Amplo conjunto de medidas não saiu exclusivamente da cabeça do ministro ou da equipe do governo, foi uma construção com as lideranças políticas

5 de novembro de 2019
14:57 - atualizado às 16:29
Paulo Guedes
Imagem: Edu Andrade/ASCOM/Ministério da Economia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, apresentou um ambicioso plano de trabalho que quer transformar o Estado brasileiro que gasta muito e gasta mal em uma máquina eficiente e fraterna.

“Vamos falar sobre o pacto federativo. Gostaria que fosse entendido como uma transformação do Estado e ela ocorre em várias dimensões. Fiscal, tributária, administrativa. O importante é sabermos que é uma transformação do Estado”, disse ao apresentar o Plano mais Brasil.

Ao longo da entrevista, Guedes passou a mensagem de que o amplo conjunto de medidas não saiu exclusivamente da sua cabeça ou da equipe do governo, mas que foi uma construção com as lideranças políticas.

"Dessa vez, ao contrário dos enfrentamentos da Previdência, os líderes nos ajudaram a calibrar as propostas. Estamos construindo juntos uma agenda para transformação do Estado", disse.

Perguntamento sobre a chance de atrasos e desfigurações das PECs e projetos, Guedes se disse tranquilo, pois houve uma "construção de boa-vontade" e que a ideia de apresentar uma agenda ampla de medidas foi consenso político das lideranças. "O próprio fatiamento foi processado por essas lideranças, manda um pra o congresso, outro para o Senado. É um processo de construção conjunta", disse.

“Não tenho receio disso ser fragmentado, pulverizado, desfigurado. Temos uma belíssima agenda”, disse.

Guedes disse que não gostaria de arriscar prazos, mas avalia que a reforma administrativa “está em ponto de bala”, a tributária leva mais um tempo, assim como o fim dos fundos públicos.

“Só na Previdência era clima de tudo ou nada. Agora temos mais um pouco de tempo para redesenhar o Estado por meio de um Congresso e um presidente reformistas. O presidente quer mudar, foi eleito para fazer mudanças e temos um Congresso que quer promover mudanças”, disse Guedes.

O plano também prevê um projeto para facilitar as privatizações. Sobre isso, Guedes disse que ninguém quer vender estatal para guardar dinheiro em banco, mas sim para liberar recurso para a área social. "O problema é quando você dá dinheiro para o pobre e não tira do gato gordo. Transformar essa máquina é uma percepção do Congresso, que está querendo reescrever essa história da máquina pública e temos de ir junto nessa direção", afirmou.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Diagnóstico

Segundo Guedes, o Brasil está em uma transição incompleta. De um Estado arquitetado em uma ordem política fechada (regime militar), com bancos públicos, empresas estatais, acúmulo de capital físico, para uma democracia com outras aspirações e necessidades sociais.

Nessa transição incompleta, os meios de anteder aos anseios democráticos não são os mais eficientes. Como exemplo, Guedes citou os 280 fundos de governo, que concentram mais de R$ 200 bilhões em recursos parados.

“A máquina não pode gastar mais consigo do que com a população. Existimos para servir a máquina. Essa é a transformação que queremos fazer”, disse, complementando que não devemos ter um Estado com autoridades que mandam na gente e gastam demais.

Um Copom fiscal

Segundo Guedes, precisamos consolidar um novo marco institucional que garanta as finanças da república. Aqui ele faz uma comparação com o Banco Central (BC), pois criamos uma cultura de estabilidade monetária antes da lei de autonomia do BC.

De acordo com Guedes, a cultura anti-inflacionária já é parte do DNA da população. “O aperfeiçoamento do BC já é parte da cultura de estabilidade monetária. Isso antes da lei de autonomia.”

No front fiscal temos o exato inverso. Há uma Lei de Responsabilidade Fiscal, mas não temos uma cultura de responsabilidade fiscal. “Trocamos a emissão inflacionária de moeda por endividamento em bola de neve”, disse.
Aqui entra da ideia do Conselho Fiscal, que reúne todos os Poderes que têm capacidade de manter ou desestabilizar o equilíbrio fiscal.

Guedes também disse que não se incomoda com a desidratação da reforma da Previdência, se tiver Estados e municípios via PEC paralela.

“Isso é responsabilidade fiscal com as futuras gerações. Estamos empurrando essa bola de neve, é uma avalanche de dívida. Transformação do Estados é, antes de tudo, um ato de crença na democracia, no fortalecimento da federação”, disse.

Guedes disse que em oito anos a ideia é mandar 70% dos recursos para Estados e municípios e reter 30% para a União. “Esse é o primeiro governo em 40 anos que fala em descentralizar recursos, fortalecer a democracia. Constituição botou essa meta lá, mas não conseguiu entregar”, disse.

Na reforma administrativa, Guedes disse que a mentalidade do servidor público é adquirida quando se serve ao público, não se ganha de cara, na chegada via concurso, que te autoriza a maltratar a população depois.
O plano é não mudar as regras para os atuais funcionários, já que privilégios viraram direitos adquiridos, e daqui para frente, “seja um servidor exemplar”, e depois de alguns anos ganha a estabilidade.

Ainda de acordo com o ministro, quem tiver carteira de partido político não terá direito a estabilidade. “Tem filiação partidária? Não é servidor. Não vou dar estabilidade para militante”, disse.

Ainda de acordo com Guedes, o termo "pacote" não reflete o espírito da equipe e do governo. "É uma agenda de transformação para o Congresso brasileiro. Pacote era de outros tempos, quando você baixava e estava aprovado na marra”, disse.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Tensão nos ares

Crise na Boeing: sindicatos de companhias aéreas temem a liberação do 737 Max

Com a possibilidade de as aeronaves 737 Max da Boeing serem liberadas novamente para voar, os sindicatos das companhias aéreas mostram-se preocupados

Protestos no país

Banco Central do Chile anuncia novas medidas para conter a queda do peso

A autoridade monetária do Chile irá adotar mais ferramentas para frear a trajetória de desvalorização da moeda do país, em meio à onda de protestos sociais vistos nos últimos dias

Renda fixa

CDB com remuneração de até 124% do CDI? É a oferta do C6 Bank

O C6 Bank oferece novas opções de investimento em CDB com resgates mais longos. A rentabilidade pode chegar a 124% do CDI

Expansão no país

Carrefour Brasil investe R$ 2 bilhões e quer mais parcerias

O Carrefour Brasil mostra-se otimista em relação às perspectivas para o país em 2020. Como resultado, o grupo continuará investindo e abrindo novas unidades

Tudo que vai mexer com o seu dinheiro hoje

Inflação e terno preto nunca saem de moda

Um certo frenesi sempre tomou conta das redações do país no dia de divulgação do índice de preços. A inflação brasileira é um número a acompanhar com lupa no noticiário econômico. Em um passado não tão distante, todo o mês os economistas apontavam o vilão dos custos do consumidor. O tomate virou uma espécie de […]

Agora vai?

Declarações de autoridades dos EUA mostram otimismo nas negociações com a China

O tom mais ameno assumido por duas autoridades dos EUA em relação às conversas com a China renova a esperança dos mercados quanto ao fechamento de um acordo

Siga o mestre

Warren Buffett fez novas apostas na bolsa e vendeu parte de suas ações da Apple

Um frenesi toma conta dos mercados americanos nesta sexta-feira: o lendário Warren Buffett comprou ações de duas empresas — o que faz esses papéis dispararem hoje

Feriado? Que feriado?

Os mercados estão abertos lá fora — e as bolsas dos EUA estão nas máximas

Uma sinalização animadora das autoridades americanas quanto às negociações com a China dá força aos mercados globais nesta sexta-feira

Sem crise

Sabesp tem lucro líquido de R$ 1,209 bilhão no 3º trimestre, alta de 113,9%

A Sabesp reportou forte expansão no lucro líquido e no Ebitda no terceiro trimestre deste ano, impulsionada pelo início das operações em Santo André e Guarulhos

Más notícias

A Braskem fechou o trimestre no vermelho e viu sua receita cair 18% em um ano

Empresa cujas ações têm o pior desempenho do Ibovespa no ano, a Braskem reportou um prejuízo líquido de mais de R$ 800 milhões no terceiro trimestre

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements