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Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch capta postura mais cautelosa dos investidores institucionais, mas visão para longo prazo segue positiva. Ações emergentes podem ser destaque em 2020
O otimismo ou empolgação dos gestores consultados pelo Bank of America Merrill Lynch continuou se reduzindo agora em outubro. O percentual dos que viam Ibovespa acima dos 110 mil pontos no fim do ano caiu de 54% em setembro para 47% agora, depois de marcar 87% em julho. Para o dólar, subiu de 22% para 40%, o percentual daqueles trabalhando com cotação acima dos R$ 4 no fim de 2019.

Segundo o banco, a tomada de posição dos investidores foi gradualmente mudando para a saída do risco (risk-off). A posição em caixa atingiu 4% em outubro, maior leitura do ano, e acima da média histórica da pesquisa.
Apenas 13% dos participantes dizem estar com posição acima do normal, contra 24% no mês passado, e aumentou a procura por hedge (proteção) de posições (37%). A guerra comercial continua como o maior risco (53%) pelo quarto mês seguido.
Mas mesmo com essas ressalvas, 43% dos investidores planejam elevar suas alocações no mercado de ações dentro dos próximos seis meses. E para 90% o Brasil vai recuperar o grau de investimento entre 2021 e 2022.
Segundo o banco, o Brasil tem muitos catalisadores positivos, como reformas, inflação controlada e corte de juros, mas muito disso já parece estar no preço. Com relação à taxa básica Selic, 83% trabalham com juro em 4,75% ou abaixo disso e 37% estão com 4,5% ou abaixo.
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E o real fraco não parece um problema. Os gestores foram questionados que taxa de câmbio seria um impeditivo para a Selic ir abaixo dos 5%. Três em quatro gestores citaram patamares entre R$ 4,30 a R$ 4,50.
Os gestores também estão contando com a continuidade da agenda de reformas, com 80% esperando aprovação da reforma tributária em 2020.
Por fim, os gestores foram perguntados sobre que vetor seria mais relevante para a retomada do crescimento (algo que falta para melhorar a avaliação com relação ao país). Metade dos participantes citou uma retomada do investimento privado. Para 23%, o fator mais necessário seria a reforma tributária.
Na pesquisa feita com os gestores globais, o tom cauteloso predomina e o maior ponto de preocupação segue sendo a guerra comercial. De fato, para cerca de 40% dos gestores, a disputa entre China e EUA é o "novo normal", ou seja, algo sem solução com data marcada.
O ponto que chama atenção para nosso mercado dentro dessa pesquisa é a visão positiva com relação aos mercados emergentes em 2020. As ações dos EUA foram destaque nos últimos 10 anos, mas agora 30% dos gestores acreditam que as ações emergentes terão performance melhor (outperform) no próximo ano.

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