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A prisão do ex-presidente Michel Temer trouxe (ainda) mais preocupação ao mercado, que já mostrava cautela com a reforma da Previdência
O otimismo do início da semana deu lugar à cautela. Muita cautela.
O mercado já tinha acordado de mau humor por causa das tensões de ontem envolvendo a reforma da Previdência. E o dia, que já estava negativo, ganhou mais um foco de turbulência: a prisão do ex-presidente Michel Temer pela força-tarefa da Lava Jato. A notícia fez o Ibovespa acentuar fortemente as perdas, chegando a cair 2,63% no pior momento do dia, aos 95.456,28 pontos. Mas, passado o estresse inicial, o principal índice da bolsa brasileira respirou fundo e acalmou um pouco os nervos.
Ao fim do dia, o Ibovespa reduziu as perdas e fechou o pregão em queda de 1,34%, aos 96.729,08 pontos e, com isso, já acumula perda de 2,43% desde o início da semana — vale lembrar que, na última segunda-feira, o índice atingiu a marca intradiária histórica de 100 mil pontos. O dólar comercial também diminuiu a alta, encerrando a sessão com ganho de 0,88%, a R$ 3,8009 — na máxima do dia, atingiu os R$ 3,8372 (+1,84%).
"Esse tipo de noticia tem um impacto significativo para o investidor estrangeiro, afinal, é o segundo ex-presidente preso", diz Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research. "Para a bolsa, o impacto é: o quanto deste noticiário diminuirá a força para as reformas?", questiona.
Essa dúvida gerou calafrios no mercado e levou o índice às mínimas. Mas, ao longo da tarde, a percepção de que a prisão do ex-presidente não necessariamente impactará o avanço das reformas ajudou a reduzir o estresse — o tom, no entanto, continua sendo de cautela.
Quanto ao noticiário envolvendo a reforma da Previdência em si, Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos, diz que a proposta de reforma dos militares gerou um "ruído ruim", dada a sensação de que o governo cedeu demais às concessões exigidas pelos militares. "Isso incentiva outras categorias a pedirem o mesmo, o que pode enfraquecer ainda mais a reforma".
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Ele ainda ressalta que a queda na aprovação do governo — segundo o Ibope, a popularidade da gestão Bolsonaro caiu 15 pontos percentuais em dois meses — também representa um foco de preocupação. "O governo já perdeu gordura e nem começou efetivamente a negociar a reforma", diz Herrera. Por fim, ele ainda cita a postura cautelosa do Banco Central, sinalizando que não pretende baixar juros num futuro próximo, como motivo para os ajustes negativos, já que parte do mercado apostava nisso.
"É uma realização normal e que pode até perdurar mais", diz Fernando Barroso, diretor da CM Capital Markets, destacando que, ao longo dos próximos dias, o Ibovespa pode cair até a faixa dos 92 mil pontos, dada a cautela maior em relação à Previdência. "A reforma ainda não está comprometida, mas a dificuldade de trâmite no Congresso vai ditar o comportamento do mercado no momento".
No mercado de juros, os DIs fecharam em alta, ajustando-se às sinalizações do BC: as curvas com vencimento em janeiro de 2020 subiram de 6,325% para 6,355%, as com vencimento em janeiro de 2021 avançaram de 6,851% para 6,87% e as com vencimento em janeiro de 2023 foram de 7,862% para 7,94%.
Os fatores locais se sobrepuseram ao tom positivo dos mercados americanos: o Dow Jones fechou em alta de 0,84%, o S&P 500 avançou 1,09% e o Nasdaq subiu 1,42%. Na Europa, o Stoxx 600 fechou em leve queda de xx%. Na Europa, o Stoxx 600
O noticiário amplamente negativo afetou especialmente as ações da Petrobras e dos bancos. Os ativos da Petrobras devolveram parte dos ganhos acumulados na semana: os papéis ON caíram 2% e os PN tiveram perda de 1,42% — o tom negativo do petróleo no exterior contribuiu para pressionar os ativos da estatal.
Os bancos também tiveram baixas intensas, com destaque para Banco do Brasil ON, que recuou 2,1%, Bradesco PN, em queda de 2,2%, e Itaú Unibanco PN, em baixa de 1,76%. No entanto, tanto as ações da Petrobras fecharam longe das piores cotações do dia.
Enquanto as ações de empresas mais voltadas ao cenário doméstico sofrem com o noticiário local carregado, papéis de companhias exportadoras e mais ligadas aos mercados globais despontam no lado positivo do Ibovespa — e o viés de alta exibido pelo dólar é um atrativo a mais para esses ativos. É o caso das ações ON da Suzano, que subiram 3,15% e lideraram os ganhos do índice, e de Vale ON, em alta de 0,65%. A mineradora ainda é auxiliada pelos ganhos do minério de ferro, que hoje fecharam em alta de 0,23% na China.
Por outro lado, o dólar forte atrapalhou as ações de companhias aéreas, já que tais empresas possuem uma parcela relevante de seu custos em moeda americana. Gol PN, por exemplo, fechou em queda de 5,02% — fora do Ibovespa, Azul PN recuou 0,53%. O dólar mais forte impediu reações positivas à aprovação, no plenário da Câmara, do texto-base do projeto de lei que permite a empresas aéreas em operação no Brasil terem até 100% de capital estrangeiro.
Os destaques negativos, contudo, ficaram com as ações PN de Lojas Americanas, que caíram 5,58%, e com os papéis ON de B2W, que recuaram 6,31% — os piores desempenhos do Ibovespa. E isso porque ambas as empresas divulgaram seus balanços referentes ao quarto trimestre de 2018, e os resultados não foram bem recebidos pelo mercado.
A Lojas Americanas fechou o quarto trimestre de 2018 com lucro líquido de R$ 272,8 milhões, queda de 4,2% em relação ao mesmo período de 2017; já a B2W viu seu prejuízo crescer 94% na mesma base de comparação, para R$ 67,7 milhões — ambos os resultados ficaram aquém do esperado pelo mercado.
Em relatório, o BTG Pactual classificou os resultados da Lojas Americanas como menos fortes que o esperado, destacando as margens mais fracas como ponto negativo do balanço. Já o Itaú BBA cortou a recomendação para os papéis de ambas as empresas para market perform — equivalente à neutro.
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