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Ações da Cesp dispararam com privatização da companhia; na semana, Ibovespa acumula alta de 1,57% e dólar cai 1,62%
Pareceu até que o mercado sextou mais cedo hoje. Tanto que os negócios nesta sexta (19) somaram R$ 11,9 bilhões, volume abaixo da média das últimas semanas. Em dia de noticiário parado no Brasil e no exterior, o Ibovespa fechou em alta de 0,44%, aos 84.219 pontos, recuperando-se da forte queda de ontem e contrariando as bolsas americanas. O dólar fechou em queda de 0,34%, a R$ 3,7151, em linha com a desvalorização da moeda americana em relação às moedas emergentes.
Apesar da agenda doméstica fraca e da forte volatilidade no exterior, o dólar caiu e a bolsa brasileira operou em alta durante todo o pregão. Só os juros futuros que ficaram meio de lado, fechando em ligeira alta. O DI para janeiro de 2021 subiu de 8,514% para 8,52%, e o DI para janeiro de 2023 passou de 9,633% para 9,64%.
A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, explicou ao "Broadcast", serviço de notícias em tempo real do "Estadão", que com a ausência de notícias relevantes para mexer com os mercados no Brasil e a volatilidade alta no exterior, os investidores ficam meio ressabiados de assumir posições nos juros.
Na semana, o Ibovespa acumula alta de 1,57%, com avanço de 6,15% em outubro. Já o dólar acumula queda de 1,62% na semana, a terceira consecutiva de desvalorização. No mês, a moeda perde 8,29%.
Na bolsa brasileira tivemos alguns destaques pontuais. As ações da Eletrobrás tiveram as maiores altas do Ibovespa, fechando com ganho de 5,47% (ELET3) e 5,97% (ELET6). Os papéis se recuperaram das perdas dos últimos dois dias, depois que o Senado rejeitou projeto de lei que destravaria os leilões das distribuidoras da estatal.
Em seguida, vieram as ações da CCR (CCRO3), que fecharam em alta de 5,57%. Ontem, a companhia anunciou que iria pagar dividendos no valor de R$ 0,3960 por ação ordinária, totalizando uma distribuição de R$ 800 milhões.
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Os proventos serão pagos com base na posição acionária de 23 de outubro. Para os analistas do UBS Rogerio Araujo e Alberto Valerio, o pagamento pode ter chamado a atenção dos investidores depois que os papéis caíram 35% no acumulado do ano.
Os papéis da Smiles (SMLS3) também figuraram entre as maiores valorizações do dia, tentando se recuperar do tombo de quase 40% na última segunda-feira. Na ocasião, a Gol anunciou que incorporaria a companhia e uniria sua base acionária com a do seu programa de fidelidade de uma forma que não agradou aos acionistas.
Apesar da recuperação, ainda há dúvidas, entre os acionistas, de como essa incorporação será feita. As ações da Smiles fecharam em alta de 4,83%. Contudo, ainda acumulam queda de quase 27% na semana.
Os papéis da Petrobras avançaram 1,01% (PETR3) e 0,86% (PETR4), e as do BB fecharam em alta de 0,84%. Bradesco subiu 0,18% (BBDC3) e 0,34% (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,10% e Santander (SANB11) recuou 0,20%. Vale (VALE3) fechou praticamente estável, com alta de 0,05%.
Após quatro tentativas frustradas de privatização, o controle da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) foi vendido para o consórcio São Paulo Energia, formado por Votorantim Energia e o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), fundo de pensão canadense.
Foi um leilão de um participante só. Único a apresentar proposta, o consórcio pagou R$ 14,60 por ação, o que corresponde a um ágio de 2,09% em relação ao preço mínimo de R$ 14,30 por ação. O pagamento pelo bloco de controle será de R$ 1,699 bilhão, e os minoritários deverão participar da oferta pública de aquisição de ações obrigatória (OPA).
O valor da aquisição pode chegar próximo de R$ 4,8 bilhões. Adicionalmente, o consórcio deverá pagar R$ 1,397 bilhão de outorga pela renovação antecipada da concessão da usina de Porto Primavera, por 30 anos, até 2048. O atual contrato de concessão vence em 2028.
Com a privatização da companhia, suas ações dispararam 16,12% (CESP6) e 25,93% (CESP3).
As ações da MRV (MRVE3) tiveram a maior queda do Ibovespa, fechando em baixa de 2,91% depois de ter sido rebaixada de "outperform" (desempenho acima da média do mercado) para "neutra" pelo Bradesco BBI. Seu preço-alvo em 12 meses foi reduzido de R$ 18 para R$ 15. O novo valor, ainda assim, representa um potencial de alta de 21% em relação ao fechamento de ontem.
O rebaixamento se justifica pelas possíveis mudanças no FGTS sinalizadas pelos prováveis integrantes do novo governo. A ideia é que os trabalhadores possam investir os recursos do seu fundo no mercado de capitais, o que reduziria o montante direcionado para o financiamento habitacional.
Como a MRV é muito focada em imóveis para o segmento de baixa renda, qualquer medida que reduza o financiamento pelo FGTS afeta as ações da companhia.
Entre as maiores quedas do dia, as ações da Gerdau (GGBR4) fecharam em baixa de 2,45%, e as da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) recuaram 1,86%. Segundo relatório do UBS, as siderúrgicas são prejudicadas pelas preocupações quanto aos impactos da desaceleração da economia global sobre os preços internacionais do aço.
Os analistas do banco ressaltam, em relatório, a possibilidade de os EUA reduzirem novamente para 25% as tarifas de importação para o aço turco. Elas foram elevadas para 50% depois da prisão do pastor Andrew Brunson pelo governo da Turquia, o que causou um atrito diplomático entre os dois países. Com a libertação do americano, espera-se a retomada da taxa antiga.
Além disso, o relatório lembra que as construtoras chinesas cortaram os bônus para seus executivos. Esses fatores podem levar à estabilidade dos preços globais de aço no curto prazo.
As bolsas americanas começaram o dia recuperando as fortes perdas de ontem, mas desaceleraram os ganhos no início da tarde, em dia bastante volátil. A bolsa brasileira tendeu a acompanhar, mas conseguiu fechar em alta, enquanto em Nova York apenas um dos principais índices terminou o pregão com ganhos.
O Dow Jones fechou em alta de 0,24%, aos 25.442 pontos; já o S&P500 fechou em leve queda de 0,04%, aos 2.767 pontos; a Nasdaq teve as maiores perdas do dia, fechando em queda de 0,48%, aos 7.449 pontos.
As ações de tecnologia, como Netflix e Intel, puxaram os índices para baixo.
Por volta das 16h, as ações de Facebook e Twitter eram pressionadas em meio a informações de que agências de inteligência dos Estados Unidos estavam preocupadas com tentativas de interferência eleitoral de países como Rússia, China e Irã.
Segundo elas, há campanhas em andamento, inclusive em redes sociais, na tentativa de influenciar a opinião pública americana com vistas às eleições de meio de mandato deste ano e às eleições gerais de 2020.
Quanto ao orçamento italiano para 2019, que também vem trazendo preocupações aos investidores internacionais nos últimos dias, a União Europeia emitiu um sinal tranquilizador.
Hoje o comissário econômico da UE, Pierre Moscovici, afirmou que é possível resolver as diferenças relativas ao orçamento italiano com diálogo. O plano orçamentário havia desagradado a Comissão Europeia, que precisa aprová-lo.
O governo italiano tem até segunda-feira para propor mudanças no plano.
A divulgação de dados fracos de crescimento econômico na China ontem à noite (já sexta de manhã no Oriente) não desanimaram os mercados nem na potência asiática, nem no Ocidente.
O PIB chinês cresceu 6,5% no terceiro trimestre, contra 6,7% no trimestre anterior, mostrando desaceleração da economia da potência asiática e possíveis reflexos da guerra comercial dos EUA.
A previsão inicial, de 6,6%, já tinha deixado os mercados globais pessimistas ontem, e foi um dos fatores que levou ao aumento da aversão a risco, com queda das bolsas e alta do dólar ao redor do mundo.
Outros dados divulgados pela China tiveram sinal misto. A produção industrial mostrou desaceleração em setembro, com alta de 5,8% contra 6,1% em agosto, também frustrando a previsão de 6,0%.
Já as vendas do varejo surpreenderam com alta de 9,2% contra 9,0% no mês anterior e acima da projeção de 9,1%.
Apesar dos dados ruins, as bolsas chinesas fecharam em alta nesta sexta, após comentários otimistas de autoridades chinesas.
O Escritório Nacional de Estatísticas disse que os fundamentos permanecem sólidos, que as disputas comerciais com os EUA não afetaram os indicadores e que o país será capaz de alcançar a meta de crescimento de 6,5% neste ano.
*Com Estadão Conteúdo
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