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A confirmação do atraso na votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara trouxe forte cautela aos mercados
O Ibovespa teve mais um dia de voo turbulento. Os céus em Brasília, afinal, estão carregados.
O principal índice da bolsa brasileira chegou a dar indícios de que poderia engatar uma terceira alta seguida, mas o noticiário político apagou qualquer sinal de otimismo. Descontente com os rumos da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o mercado mudou o plano de viagem.
Logo após a abertura, o Ibovespa chegou a subir 0,75%, aos 95.041,78 pontos. Esse desempenho positivo, no entanto, não durou muito: o índice perdeu força já durante a manhã, tocando os 92.337,54 pontos no pior momento do dia (-2,12%). Ao fim do pregão, registrou baixa de 1,11%, aos 93.284,75 pontos.
O dólar à vista mostrou tendência semelhante. No início do dia, a moeda americana chegou a cair 0,41%, a R$ 3,8862, mas ganhou força em meio ao noticiário político — fechando a quarta-feira em alta de 0,85%, a R$ 3,9354.
Grande parte da piora do humor dos mercados se deve ao cenário local e às incertezas quanto à tramitação da reforma da Previdência no Congresso.
Sem um acordo entre os deputados, a sessão de hoje da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara terminou mais cedo — e sem que a admissibilidade da reforma da Previdência fosse votada. E mais: o relator da proposta no colegiado, Marcelo Freitas (PSL-MG), fará mudanças no seu parecer, que até então era integralmente favorável ao texto enviado pelo Executivo.
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Agora, a votação deve ocorrer só na semana que vem — uma nova sessão da CCJ está marcada para a próxima terça-feira. Entre os itens que podem ser modificados por Freitas no parecer estão a chamada desconstitucionalização, a restrição ao pagamento do abono salarial e a escolha da Justiça Federal do Distrito Federal como instância de questionamentos da reforma.
"Além do atraso, o pessoal já começa a trabalhar com uma desidratação maior que a esperada para a reforma", diz Thiago Silêncio, da CM Capital Markets. "O mercado está mais realista e colocando a realidade política nos preços".
A agência de classificação de risco Fitch também mostrou preocupação, sinalizando inclusive que poderá fazer uma "ação negativa" na nota brasileira — seja através de uma redução do rating ou uma mudança na perspectiva da avaliação — caso o governo Bolsonaro mostre "inércia ou inabilidade ou falta de vontade" para avançar na aprovação das reformas.
Essa nebulosidade no front local afetou o mercado de câmbio. Num dia em que a moeda americana perdeu força ante a maior parte das divisas emergentes, o dólar ganhou terreno em relação ao real. "É um momento delicado para o cenário político", diz Silêncio.
As curvas de juros acompanharam o dólar e fecharam em alta: Os DIs com vencimento em janeiro de 2023 subiram de 8,25% para 8,31%, enquanto os com vencimento em janeiro de 2025 avançaram de 8,76% para 8,84%. Na ponta curta, as curvas para janeiro de 2020 foram de 7,10% para 7,12%.
"Essa dificuldade na CCJ não é por causa da oposição, é o centrão quem está criando confusão. O governo não tem base, falta liderança para articular", diz um operador que prefere não ser identificado, ressaltando ainda que o tom levemente negativo nas bolsas americanas não ajudou o Ibovespa. O Dow Jones caiu 0,01%, o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq teve perda de 0,05%.
O noticiário envolvendo a Petrobras também continuou no centro das atenções do mercado. Por um lado, as sinalizações de que a política de preços da estatal não sofrerá com interferências do governo trouxe ânimo ao mercado — ontem, o porta-voz da Presidência da República, general Rêgo Barros, disse que o presidente Jair Bolsonaro não quer e não vai intervir na empresa.
Mas, por outro, a falta de um parecer quanto ao reajuste do diesel gerou desconforto e limitou o potencial de recuperação dos papéis. "Muita coisa foi dita para garantir que a Petrobras é independente, mas o diesel ainda não subiu. Quando subir, talvez o mercado melhore", diz o operador.
Os sinais tão aguardados pelo mercado, contudo, começaram a aparecer nos últimos minutos do pregão. A Petrobras convocou uma coletiva de imprensa para hoje, às 18h, para falar sobre o preço dos combustíveis.
A notícia de última hora deu impulso aos papéis da estatal: após passarem o dia no campo negativo, as ações ON da empresa fecharam em leve alta de 0,11%, enquanto os papéis PN tiveram ganho de 0,10%.
Preocupações a respeito de um aumento na oferta de minério de ferro derrubaram os preços da commodity, em meio à autorização judicial obtida pela Vale para retomar as atividades na mina de Brucutu: na China, o minério fechou em queda de 1,64% hoje.
Esse contexto, somado à cautela local em relação ao cenário político, fez os papéis ON da Vale terminarem o pregão em queda de 1,6%, devolvendo parte dos ganhos acumulados na sessão de ontem. As siderúrgicas CSN ON (-1,73%), Gerdau PN (-0,66%) e Usiminas PNA (-1,56%) também recuaram.
As units da Klabin foram o destaque positivo do Ibovespa, fechando o dia em alta de 3,44%. Ontem, o conselho de administração da companhia aprovou o projeto de expansão de capacidade no segmento de papéis de embalagem. Conhecido como Puma II, o plano prevê a instalação de novas máquinas na unidade da Klabin em Ortigueira (PR) com capacidade para produzir 920 mil toneladas anuais de papel Kraftliner.
Os papéis ON da Centauro começaram a ser negociados hoje na B3 — e tiveram uma sessão volátil. As ações da estreante oscilaram entre a faixa de R$ 12,07 (-3,44%) e de R$12,74 (+1,9%) ao longo do dia, fechando em queda de 1,6%, a R$ 12,30.
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