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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Último pregão antes da eleição teve mercado cauteloso e bolsa em queda

Otimismo inicial com avanço de Bolsonaro no Datafolha foi revertido e Ibovespa fechou em queda; dólar alternou altas e baixas, mas também encerrou com desvalorização

5 de outubro de 2018
10:54 - atualizado às 18:46
Investidores aproveitaram último pregão antes das eleições para realizar lucros da semana - Imagem: Shutterstock

Os investidores se mantiveram cautelosos nesta sexta (05), no último pregão antes do primeiro turno das eleições, no domingo. Eles aproveitaram para realizar os ganhos de uma semana bastante volátil nos mercados em razão das divulgações de pesquisas de intenção de voto. O cenário externo também contribuiu, ainda que marginalmente, para a cautela interna, com quedas nas bolsas americanas e europeias. O Ibovespa fechou negativo em 0,76%, aos 82.321 pontos. O dólar à vista fechou também em queda de 0,70%, a R$ 3,8560.

A bolsa começou o dia em alta, embalada pela pesquisa Datafolha divulgada ontem à noite. Ainda pela manhã, contudo, o Ibovespa viu uma reversão e passou a operar em baixa. No início do pregão, o otimismo parecia retornar ao mercado. Mas a pesquisa não trouxe grandes mudanças no quadro eleitoral, e as chances de o pleito se resolver ainda no primeiro turno parecem remotas. Assim, tudo indica que o investidor brasileiro entrou novamente em compasso de espera.

Já o dólar oscilou para cima e para baixo durante a primeira parte do dia. À tarde, porém, a moeda americana engatou o movimento de queda, em linha com o que ocorreu frente a outras moedas emergentes hoje.

O Datafolha de ontem mostrou avanço do capitão reformado do Exército, preferido pelo mercado, que cresceu três pontos percentuais nas intenções de voto, subindo de 32% para 35%. Haddad apenas oscilou dentro da margem de erro, de 21% para 22%. As pesquisas vêm indicando, até o momento, que haverá segundo turno entre os dois líderes nas pesquisas. Em simulação desse cenário, o Datafolha mostrou que ainda ocorre empate técnico, com leve vantagem para o candidato do PSL, de 44% a 43%.

Os juros futuros fecharam em alta, após quatro sessões seguidas de queda. O DI para janeiro de 2021 terminou em 9,39%, contra 9,315% no último pregão. Já o DI para janeiro de 2023 subiu de 10,654% para 10,73%. As taxas abriram em baixa com o otimismo gerado pelo Datafolha de ontem. Mas após a divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos, os juros futuros brasileiros passaram a subir, em linha com a alta dos juros dos títulos do Tesouro americano.

No meio da tarde, a alta do DI futuro voltou a tomar força, com os investidores optando por diminuir suas posições frente ao risco eleitoral, já que deve haver segundo turno.

Nesta última semana antes das eleições, o Ibovespa teve alta de 3,75%, puxado pela valorização das estatais, que se beneficiaram da piora de cenário para o PT nas pesquisas, já que o partido é visto como intervencionista. O avanço de Bolsonaro e a chance de um novo presidente mais liberal na economia tirou o dólar do patamar dos R$ 4, levando a moeda americana a recuar 4,81% na semana.

Sobe: Cemig e CVC

As ações da Cemig (CMIG4) lideraram as altas do Ibovespa nesta sexta, com a perspectiva de eleição do candidato do PSDB, Antonio Anastasia, para o governo de Minas Gerais, segundo as pesquisas eleitorais. A escolha agrada o mercado. Os papéis fecharam com avanço de 7,45%. A Copasa (CSMG3) fechou em alta de 3,99%, também motivada pelo quadro eleitoral no estado.

Os papéis da CVC (CVCB3) também subiram forte, fechando em alta de 4,80%, segunda maior elevação entre as ações do Ibovespa. Os investidores reagem a dados operacionais divulgados pela empresa no início da noite de ontem. As reservas confirmadas da empresa cresceram 10,8% no terceiro trimestre ante um ano antes, somando R$ 3,480 milhões.

O desempenho, segundo a empresa, confirma a expectativa de que os impactos gerados pela greve dos caminhoneiros, pela desvalorização cambial e efeitos da Copa do Mundo eram temporários e não representavam mudança de tendência.

Desce: exportadoras

O dia foi duro com as ações de companhias exportadoras, cujas ações reagiram à continuidade de queda do dólar em relação ao real e figuraram entre as maiores quedas do Ibovespa. O maior tombo foi de Embraer (EMBR3), que fechou em queda de 3,47%. A Bradespar (BRAP4), que investe principalmente em ações da Vale, fechou em baixa de 3,02%, e a própria Vale (VALE3) teve recuo de 2,23%. Gerdau (GGBR4) fechou em queda de 2,53% e Klabin (KLBN11) caiu 2,81%.

Sobe e desce: estatais

Entre as estatais, o movimento foi misto. As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 0,25% (PETR4) e as ordinárias (PETR3) fecharam em queda de 0,37%. Banco do Brasil (BBAS3) teve alta de 1,77%. E os papéis da Eletrobrás tiveram alta de 1,35% (ELET3) e 1,53% (ELET6).

Investidor de estatais ganhou dinheiro nesta semana

As altas mais significativas da semana foram justamente as dessas empresas, beneficiadas pelas perspectivas de um eventual governo de Bolsonaro, líder nas pesquisas, ser menos intervencionista que um eventual governo petista. Na última semana antes do primeiro turno, Banco do Brasil (BBAS3) avançou 21,36%; Eletrobrás (ELET6) subiu 21,43%; e Petrobras (PETR4) avançou 13,61%.

Juros dos títulos americanos continuaram a subir

O movimento dos mercados locais hoje foi coerente com o que ocorreu no exterior. As bolsas americanas e europeias fecharam em queda, e os juros dos títulos americanos deram continuidade ao movimento de alta dos últimos dias. O dólar também se desvalorizou frente a outras moedas emergentes além do real. O Dow Jones fechou em queda de 0,68%, aos 26.447 pontos; o S&P 500 recuou 0,55%, para 2.885 pontos; e a Nasdaq fechou em baixa de 1,16%, aos 7.788 pontos.

Às 9h30 de hoje foi divulgado o payroll, os dados de emprego dos EUA, mostrando que foram criadas 134 mil vagas em setembro, abaixo da previsão de 185 mil vagas dos analistas ouvidos pelo Broadcast, do "Estadão". Contudo, a taxa de desemprego caiu de 3,9% em agosto a 3,7% em setembro, a menor desde dezembro de 1969 e inferior à taxa de 3,8% projetada pelos economistas. O salário médio por hora avançou 0,29% ao longo do último mês, com alta anual de 2,8%, frente a previsões de 0,30% e 2,8%, respectivamente.

Houve ainda revisões na criação de empregos em julho e agosto, que somadas representam 87 mil vagas a mais criadas nesses dois meses. Mesmo com dados abaixo das expectativas, o relatório apresentou vários pontos positivos, mostrando novamente a força do mercado de trabalho americano.

Dados econômicos positivos divulgados nesta semana vêm fazendo os juros dos títulos americanos subirem, numa expectativa dos investidores de que o aperto fiscal do Fed teria que ser maior que o previsto em uma economia tão aquecida.

Nesta tarde, uma fala de um dirigente do Fed reforçou as expectativas dos investidores em uma alta de juros mais rápida que o esperado pelo banco central americano: "O possível potencial de superaquecimento exigiria maior nível de juros", disse o presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic. Isso incrementou as perdas nas bolsas, uma vez que juros mais altos elevam a aversão a risco e aumentam a atratividade dos títulos do Tesouro americano frente às ações.

*Com Estadão Conteúdo.

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