Menu
2019-04-16T12:51:16+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mais perto dos 100 mil pontos

Ibovespa acumula ganho de 1,78% na semana; dólar vai a R$ 3,87

Apesar de alguma turbulência em Brasília nos últimos dias, a semana termina com uma percepção mais positiva em relação à articulação política — e isso deu força aos mercados

5 de abril de 2019
10:16 - atualizado às 12:51
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa voltou aos 97 mil pontos, de olho no cenário político e no exterior positivo - Imagem: Seu Dinheiro

Acompanhar o dia a dia dos mercados é lembrar constantemente de um mantra: as coisas mudam rápido e as verdades absolutas podem ser derrubadas em pouquíssimo tempo.

Vejamos o comportamento do Ibovespa nesta semana: na terça-feira, os temores de que a proposta de reforma da Previdência poderia passar por um processo de desidratação no Congresso colocaram o índice no campo negativo.

Na quarta-feira, os desentendimentos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os deputados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara pioraram ainda mais o sentimento dos mercados.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

E hoje, apenas dois dias depois, como está o Ibovespa?

Muito bem, obrigado: o índice terminou o pregão desta sexta-feira em alta de 0,83% aos 97.108,17 pontos — o maior nível de fechamento desde 20 de março. Com o avanço de hoje, o Ibovespa fechou a semana com ganho acumulado de 1,78%.

O dólar à vista mostrou tendência semelhante: hoje, encerrou em alta de 0,38%, a R$ 3,8718, mas, na semana, a moeda americana acumulou queda de 1,13%.

O que mudou?

Em termos concretos, pouca coisa — a proposta de reforma da Previdência segue em análise na CCJ, sem grandes avanços na tramitação. Mas, em termos de percepção de risco, há uma melhora sensível no ambiente.

"Na quinta-feira, o Bolsonaro já veio com um discurso de aproximação, conversando com os líderes partidários", lembra Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos. "Isso ajudou e, no fim das contas, apesar do estresse, a bolsa está mais animada, acreditando mais no poder de articulação do governo".

Assim, apesar de toda a turbulência do meio da semana — e da infame discussão entre Guedes e o deputado Zeca Dirceu na noite de quarta-feira — a semana terminou com um clima mais ameno.

Mas, obviamente, esse otimismo não é eterno. "Nessa faixa entre 95 e 100 mil pontos, fica evidente que a bolsa fica muito sensível a qualquer tipo de notícia, especialmente as negativas", diz Villegas. "O mercado segue mais confiante, mas, ao mesmo tempo, com o pé atrás".

Afinal, as coisas mudam rápido e as verdades absolutas podem ser derrubadas em pouquíssimo tempo.

Ajuda do exterior

Mas nem só de Brasília vive o mercado: lá fora, a semana foi de noticiário agitado — e o clima foi de otimismo.

Dados fortes da indústria chinesa impulsionaram os mercados globais no início da semana, diminuindo a tensão em relação ao crescimento econômico no mundo. E, ao longo da semana, sinais de que Estados Unidos e China estariam mais próximos de um acordo comercial também serviram para melhorar o humor no exterior.

Hoje, dados mais fortes que o esperado do mercado de trabalho americano trouxeram otimismo renovado às negociações: o Dow Jones fechou em alta de 0,15%, o S&P 500 avançou 0,46% e o Nasdaq teve ganho de 0,59%.

Nessa onda de notícias favoráveis, chama a atenção o desempenho do S&P 500, que acumulou alta de 2,05% na semana e teve hoje o sétimo pregão seguido de alta.

Sextou?

Por aqui, declarações dadas pelos principais atores políticos ao longo da manhã, somadas ao tom positivo visto nas bolsas americanas, deram ânimo ao Ibovespa.

Guedes, por exemplo, disse a uma platéia de empresários em Campos do Jordão (SP) que é preciso fazer "já" a reforma da Previdência — e que ela tem de ser potente. O ministro também fez afagos à classe política, afirmando que Bolsonaro tem dado apoio e está mostrando "grandeza extraordinária".

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, também estiveram no evento e deram declarações mostrando maior sintonia entre governo e Congresso — o que aumenta a confiança do mercado em relação à tramitação da reforma da Previdência.

"Considerando tudo, foi um dia de agenda bem positiva para os mercados brasileiros", diz Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos. "O tom lá fora é positivo e, aqui dentro, melhorou um pouco mais o humor [em relação ao cenário político]. É normal que a bolsa dê uma puxada".

Assim, o Ibovespa aproveitou para romper a barreira dos 97 mil pontos: fechou em alta de 0,83%, aos 97.108,17 pontos. Já o dólar à vista ainda mostra certa reticência, buscando indícios mais concretos de avanço nas discussões da reforma — como resultado, a moeda americana subiu 0,38%, a R$ 3,8718.

Já as curvas de juros aproveitam o ambiente de tranquilidade e fecharam em queda: os DIs com vencimento em janeiro de 2020 caíram de 6,501% para 6,47%, e os com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 7,06% para 7,03%. Entre as curvas longas, as para janeiro de 2023 foram de 8,18% para 8,14%.

Petrobras ganha terreno

As ações da Petrobras fecharam em alta nesta sexta-feira, beneficiadas pelo tom positivo do petróleo WTI (+1,58%) e Brent (+1,35%) no exterior. As ações ON da estatal subiram 2,23%, e as PN avançaram 1,09%.

Ao longo do dia, a expectativa em relação à venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) também influenciou os papéis— logo após o fechamento dos mercados, a Petrobras confirmou que o grupo francês Engie e do fundo canadense Caisse venceram a disputa pelo ativo, com um lance de US$ 8,6 bilhões.

Bancos sobem em bloco

O ambiente interno menos estressado atraiu compradores para as ações do setor bancário — tais ativos têm mostrado grande sensibilidade ao noticiário político a respeito da reforma da Previdência. Hoje, os ganhos do segmento foram capitaneados por Itaú Unibanco PN (+2,16%) — Bradesco PN (+0,83%) e Banco do Brasil ON (+0,57%) também subiram.

Olhos atentos à Avianca

As ações PN da Gol fecharam em queda de 1,25%, em meio à indefinição da assembleia de credores da Avianca que decidirá sobre o plano de recuperação judicial da empresa. Fora do índice, os papéis PN da Azul caíram 3,45%.

A assembleia decidirá sobre o novo plano de recuperação judicial da Avianca: a proposta que está na mesa prevê a criação de sete UPIs (Unidades Produtivas Isoladas), que serão levadas a leilão judicial, em data ainda não definida.

Na última quarta-fera, a Gol e a Latam entraram na briga pelos ativos da Avianca e propuseram, cada uma, US$ 70 milhões por ao menos uma das UPIs — no mês passado, a Azul fez uma proposta de US$ 105 milhões pela Avianca.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Não está sendo fácil

Deu ruim pra Cielo! Empresa retira projeção de lucro e corta dividendos dos acionistas

Projeções de lucro entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões foram extintas, enquanto o percentual de distribuição de dividendos caiu para 30%

Só assim resolve!

Se não aprovar a Previdência, só chamando um ministro da Alquimia, diz Bolsonaro

Segundo presidente, mídia tenta criar atrito, mas casamento com Paulo Guedes segue mais forte que nunca. Ministério da Economia solta nota oficial

Seu Dinheiro na sua noite

Paisagem na janela

O mercado financeiro tem todo um linguajar próprio, com uma penca de termos em inglês. Alguns deles já foram “tropicalizados”, por assim dizer, e fazem parte do dia a dia de quem acompanha as negociações. É o caso do IPO, que é a sigla para oferta pública inicial (ou initial public offering), como é chamada […]

Tudo pelo teto de gastos

FMI diz que ajuste fiscal depende de idade mínima e redução de benefícios de servidores

Fundo afirma que uma reforma robusta e medidas adicionais na área fiscal são necessárias para colocar a dívida pública em trajetória sustentável

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast: Natura e Avon no mesmo pote e o dia depois do ‘tsunami’

Semana foi marcada por negócio bilionário no segmento de beleza, briga pela Netshoes e novidades no front político.

Conquistando aliados

Entidades assinam manifesto pró-reforma da Previdência

Empresários alegam ter confiança na aprovação do texto e dizem que as mudanças são um primeiro passo para a retomada da confiança

Cenário de emprego misto

Caged aponta criação de 129 mil empregos formais em abril; serviços lideram vagas

Resultado divulgado pelo governo, em linha com as expectativas de mercado, foi o melhor para o mês desde 2013

Se quiser ir, vai

Ninguém é obrigado a ficar como ministro, diz Bolsonaro sobre fala de Guedes

Na linha defendida por seu ministro da Economia, presidente voltou a dizer que sem a reforma previdenciária “será o caos na economia”

Privatizações

“Brasil é locomotiva atolada no brejo, precisamos colocá-la sobre os trilhos”, diz Salim Mattar

O secretário responsável pelas privatizações do governo Bolsonaro afirmou mais uma vez que não conhece nenhuma estatal eficiente. “Se alguém encontrar me manda um WhatsApp.”

Mais casos de corrupção

Líder do governo Bolsonaro no Senado está entre os alvos da Lava Jato com bens bloqueados

Senador Fernando Bezerra Coelho é acusar de cometer desvios em negócios relacionados ao esquema de corrupção na Petrobras

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements