Menu
2019-05-09T19:30:55+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
A política como ela é

Congresso mostra os dentes ao tirar Coaf de Sergio Moro, mas redes sociais rugem de volta

Congresso tenta impor derrota ao governo, mas atinge mesmo o popular ministro da Justiça e atiça a ira dos apoiadores do ex-juiz da Lava Jato. Bolsonaro espera que mudança seja revertida

9 de maio de 2019
16:13 - atualizado às 19:30
Sérgio Moro
Sérgio Moro - Imagem: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo

Ao longo da semana acompanhei encafifado as manobras para retirada do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) das mãos do ministro da Justiça, Sergio Moro. Estava tentando entender a questão utilizando da lógica do mundo normal, me esquecendo da lógica política de certas movimentações.

Dentro do que chamo de lógica normal, me perguntava qual seria o motivo de tanta celeuma com um órgão eminentemente técnico, de baixo orçamento, onde um punhado de servidores analisa milhões e milhões de dados.

Se perguntarmos aos parlamentares, creio que grande parte não faz ideia de como funciona o Coaf. Assim, tanto faz essa estrutura estar no Ministério da Justiça ou de volta ao Ministério da Fazenda, agora Economia, onde esteve desde 1998, ou mesmo ficar separado em qualquer outro lugar.

Mas na lógica da política meus questionamentos pouco importam. O que os parlamentares querem com isso é mostra força, impor um desgaste ao governo Jair Bolsonaro, que precisa negociar e barganhar votos para aprovar suas Medidas Provisórias, projetos de lei e reformas.

Sergio Moro pode ser visto como um “selo de ética” do governo, figura respeitada e admirada pela população, sendo mais popular, por grande margem, que o próprio presidente. Atacar e impor uma derrota a uma figura desses é uma grande demonstração de força.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Cutucando as redes com vara curta

No entanto, essa estratégia de desgastar o Bolsonaro via Moro pode se virar contra o próprio Congresso, já que a reação das redes sociais, muito acompanhadas pelo governo, é de claro apoio ao ex-juiz da Lava Jato e de repúdio aos congressistas que votaram pela mudança na comissão que analisa a matéria.

Assim como os parlamentares, creio que grande parte da opinião pública não entende como funciona o Coaf, mas isso pouco importa. O que importa aqui é que Sergio Moro está sob ataque e precisa ser defendido. Não por acaso, o tema é o mais comentado no “Twitter”, superando 90 mil menções.

Aos olhos da política, é sim um desgaste para o governo, que não conseguiu defender um de seus principais ministros. Mas sob o olhar da opinião pública, a culpa é do Congresso.

Pode ser que essa pressão sobre os parlamentares diminuía e que prevaleça a visão política, mas também poderemos ver uma mudança de postura do Congresso quando a medida for aos plenários da Câmara e Senado. Há uma medição de forças acontecendo, resta saber para que lado a corda arrebentará.

Em live no "Facebook", na noite de quinta-feira, Bolsonaro fez um breve comentário sobre o assunto, esclarecendo que a decisão foi tomada pela comissão e dizendo esperar que os plenários da Câmara e do Senado "mantenham o Coaf lá na mão do Sergio Moro", pois é um órgão importante para combater a corrupção e lavagem de dinheiro.

Para o leitor que quiser entender o funcionamento do Coaf, fica aqui o link da matéria que fiz quanto a sigla entrou em destaque depois do caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-assessor Fabrício Queiroz. Aliás, uma das razões para parte dos parlamentares se oporem à mudança e falarem que teríamos um "órgão policialesco".

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

Economia aquecida?

Empresários esperam queda na inadimplência e mais investimentos até o fim do ano

Pesquisa também mostra que 55% das empresas têm a intenção de aportar recursos em novos produtos e serviços, 53% querem dar um upgrade tecnológico e 46% capacitar seus profissionais

Seu Dinheiro na sua noite

O elefante na loja de cristais dos mercados

No seu livro Princípios – leitura obrigatória (ao lado do meu romance Os Jogadores, é claro…) –, Ray Dalio afirma que o importante para quem investe não é prever o futuro, mas captar mudanças no ambiente econômico enquanto elas estão acontecendo. O bilionário gestor do maior “hedge fund” do mundo sabe que é natural os […]

Sete blocos envolvidos

MPF entra com ação para impedir leilão de petróleo ao lado de Abrolhos

MPF na Bahia sustenta que blocos não deveriam ir a leilão sem os devidos estudos ambientais prévios

Papel passado

Bolsonaro sanciona com vetos MP da liberdade econômica

Presidente disse durante a cerimônia de sanção que o governo avalia projeto para incentivar a abertura de empresas

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: A Selic caiu novamente. E agora, como ficam os seus investimentos?

Repórteres do Seu Dinheiro trazem em podcast semanal um panorama sobre tudo o que movimentou os seus investimentos nesta semana

A grana tá solta

Governo libera R$ 12,459 bilhões do Orçamento de 2019 e educação leva a maior fatia do bolo

Parte desse dinheiro não poderá ser distribuída livremente já que, do total, R$ 2,6 bilhões vêm das receitas recuperadas por meio da Operação Lava Jato

Tesourada no governo também

Ministério da Economia corta projeção da Selic em 2019 de 6,2% para 5,9%

Projeção para o câmbio médio deste ano passou de R$ 3,8 para R$ 3,9. Já a estimativa para a alta da massa salarial passou de 5,5% para 4,9%

Meio ambiente em jogo

Amazon entra na onda verde e assina acordo ambicioso para combater mudanças climáticas

Como parte do plano, Bezos disse ainda que vai adquirir 100 mil vans de entregas elétricas da startup de veículos elétricos Rivian e que elas vão começar a rodar a partir de 2021

O céu é o limite?

Ações da Braskem disparam na bolsa após notícias sobre venda pela Odebrecht

Construtora teria recontratado a empresa Lazard para dar continuidade às negociações de venda da sua participação na Braskem

Nova tecnologia

Tim prepara novos polos de testes do 5G no Brasil

“Queremos disponibilizar a tecnologia o quanto antes para que os desenvolvedores comecem a projetar aplicações. Quando o 5G chegar, elas já estarão disponíveis”, explicou, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements