Menu
2018-09-22T15:28:08+00:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Bancos

Como o Itaú se vê em constante transformação, mas avesso a ‘apostas’

Maior banco privado brasileiro se prepara para um cenário de competição acirrada e regulação mais difícil

12 de setembro de 2018
19:59 - atualizado às 15:28
Bicicletas do Itaú
Bicicletas do Itaú: maior banco privado brasileiro vê capacidade de adaptação como trunfo - Imagem: Matheus Obst/Shutterstock.com

O Itaú Unibanco prefere ser essa metamorfose ambulante. Só faltou tocar Raul no tradicional evento anual promovido pelo maior banco privado brasileiro com analistas e investidores. "Transformação" foi uma das palavras mais repetidas para uma plateia que acompanha de perto os números do banco.

Passei a tarde de hoje no Hotel Unique, em São Paulo, para ouvir o que pensam os principais executivos do banco. Um sinal dos novos tempos estava na bancada sobre o palco onde estavam perfilados. Todos se apresentaram sem gravata, inclusive o presidente Candido Bracher e o copresidente do conselho de administração, Roberto Setubal.

Foi Bracher quem sintetizou a receita do Itaú para atravessar os muitos períodos de turbulência, sem deixar de ganhar (muito) dinheiro: a capacidade de se adaptar a mudanças e gerenciar riscos.

Diante do avanço da tecnologia e da pressão por mais competição, o Itaú decidiu tomar um caminho diferente do Bradesco, seu principal e histórico rival. O banco não vai adotar, por exemplo, iniciativas como a criação de um banco digital para atrair os clientes mais jovens, da chamada geração “millennial”.

“Escolhemos ser um banco só. Começar do zero seria negar a nossa capacidade de transformação”, disse.

Dinheiro no bolso

Para além dos lucros bilionários, Bracher destacou outro indicador que o banco persegue: a criação de valor. Em linhas gerais, trata-se do resultado obtido por cada atividade menos o custo de capital para desempenhá-la.

Foi de olho na criação de valor que o Itaú decidiu virar o rumo do transatlântico a partir de 2012. O objetivo foi aumentar as receitas com prestação de serviços e reduzir a exposição a linhas de crédito mais lucrativas, porém de maior risco.

Para os 123 mil acionistas diretos do banco, a estratégia rendeu em mais dinheiro no bolso. Em 2017, o Itaú distribuiu 83% do lucro de quase R$ 25 bilhões em dividendos. E caminha para mais um pagamento generoso aos acionistas neste ano.

Mas o vento a favor com que o Itaú e os outros grandes bancos brasileiros navegaram começou a virar. O surgimento de novas empresas de tecnologia financeira, as chamadas fintechs, fez o tema da concorrência volar ao radar.

O resultado mais visível da maior competição ocorreu nas áreas de investimentos e cartões. No primeiro caso, o Itaú decidiu se unir ao rival que não conseguia deter, com a compra de 49,9% do capital da XP Investimentos, por R$ 6,3 bilhões.

Ao atuar em segmentos que os bancos tradicionais operavam de forma menos eficiente, as fintechs trazem outro efeito colateral: chamam a atenção dos órgãos reguladores, que procuram incentivar a concorrência nessas áreas.

“O ambiente regulatório está se tornando mais difícil para nós”, disse Bracher.

Rigoroso com XP

Foi justamente ao ser questionado sobre a XP que a temperatura do evento subiu. Para Bracher, a decisão do Banco Central de impor restrições adicionais ao negócio foi “rigorosa demais”.

O contrato original dava ao banco a opção de comprar o controle da XP no futuro, desde que com a aprovação dos órgãos reguladores. Mas o BC condicionou a aprovação da compra ao fim dessa cláusula.

A mudança no desenho do negócio fez com que a compra da participação da XP deixasse de ser estratégica e passasse a ser vista como mais um investimento para o Itaú. “Mas o banco continua acreditando que o modelo é muito bom, vai crescer e criar valor para o acionista”, disse o copresidente do conselho do Itaú, Roberto Setubal. Ele disse que a XP opera hoje acima do avaliação feita pelo banco na época do negócio.

Estresse e eleições

Durante as três horas de apresentação, praticamente não se falou de política. Mas coube a Setubal dizer que o banco está preparado para um cenário de estresse. Em uma simulação no caso de o dólar atingir a cotação de R$ 5, o índice de capital do Itaú poderia cair para 13,3%, abaixo do mínimo de 13,5% definido pelo banco. Mas com as medidas de gestão de capital adotadas pela administração, o banco tem condições de manter um patamar de 14,5% mesmo nesse cenário.

Em meio às inovações e mudanças na cultura do banco apresentadas durante o evento, Setubal reassumiu o discurso do Itaú tradicional ao ser questionado sobre a política de concessão de crédito: “Não é o momento de tomar riscos, assumindo que um candidato A ou B vencerá [a eleição] e sair na frente. Seria fazer uma aposta, e a gente não faz aposta.”

Quebra-queixo

Em rápida entrevista após o evento, o chamado "quebra-queixo", no jargão da imprensa, Bracher falou diretamente sobre eleições e disse esperar por uma volatilidade nos mercados até o segundo turno. Para ele, o lado bom é que os principais candidatos abordam a importância da questão fiscal, ponto fundamental para a retomada do crescimento no ano que vem.

O presidente do Itaú disse que pretende estudar propostas como a renegociação de dívidas de devedores negativados, como defende o candidato Ciro Gomes, “se e quando” forem apresentadas. Quanto à possível taxação das operações de crédito com spreads maiores, projeto do petista Fernando Haddad, Bracher disse que não vê a tributação como eficaz.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Fila andou

Sem Bolsonaro, Alcolumbre e Maia assinam promulgação da reforma da Previdência

Na mesa da sessão, estavam apenas parlamentares, entre eles integrantes dos comandos da Câmara e do Senado e líderes do governo. Novas alíquota entram em vigor em março de 2020

Turbulência

A Embraer deu prejuízo e cortou a projeção de dividendo. O mercado não gostou do que viu

O balanço da Embraer no terceiro trimestre ficou abaixo das expectativas do mercado, pressionado pelos custos ligados à transação com a Boeing. Como resultado, as ações caem forte

Balanços

Caixa tem no 3º tri lucro líquido contábil de R$ 8 bi, alta de 66,7% em um ano

Nos nove primeiros meses do ano, o lucro da Caixa foi de R$ 16,2 bilhões, aumento de 40,9% comparado o mesmo intervalo do ano passado

Câmbio

Quer entender a alta do dólar por aqui? Dê uma olhada no Chile

Dólar opera em alta, na linha de R$ 4,18, refletindo movimento de aversão ao risco regional puxada pelo Chile, onde o peso cai mais de 4%

Digerindo a sopa de números

Yduqs cai forte na bolsa após balanço do 3º trimestre, mas não deveria ser tudo isso

Os resultados da empresa de educação pegaram mal entre os investidores, mas analistas apontam um trimestre de neutro a positivo

Voltando ao positivo

Volume de serviços sobe 1,2% em setembro, a maior alta mensal em mais de um ano

Resultado ficou acima do teto das estimativas dos analistas, que previam desde uma queda de 0,30% a um avanço de 1,10%

no ritmo do balanço

Eletrobras reverte prejuízo e tem lucro de R$ 716 milhões no trimestre

Divulgação dos números é feita num momento em que as ações da Eletrobras ostentam uma alta da ordem 60% no ano

Tensão na América Latina

Ibovespa cai mais de 1%, pressionado pela cautela local; dólar sobe a R$ 4,17

Após uma sessão mais tranquila na segunda-feira, o Ibovespa opera em baixa, mostrando uma postura mais cautelosa em relação ao cenário global

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta terça-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Exile on Wall Street

Lula solto — e agora? (Ou, por uma dose de nacionalismo)

Talvez estejamos diante de um caso de antifragilidade clássico. Há uma possibilidade de sairmos não somente iguais depois desse choque aparentemente negativo, mas também de sairmos melhores

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements