Menu
2019-03-28T13:28:33+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Juros

Campos Neto pede tempo para avaliar cenário. Quanto tempo? Não tenho como dizer agora

Presidente do Banco Central diz que Copom tenta se abstrair da volatilidade do mercado e fazer uma análise de médio e longo prazos sobre reformas, crescimento e cenário externo

28 de março de 2019
13:28
Roberto Campos Neto presidente do BC
Roberto Campos Neto na Sabatina na CAE do Senado. - Imagem: Pedro França/Agência Senado

Em sua primeira coletiva como presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto transmitiu a mensagem de que o Comitê de Política Monetária (Copom) não reage a eventos de curto prazo sobre reformas, crescimento ou mercado externo, reforçando expectativa de estabilidade da Selic em 6,5% ao ano.

“O Copom tenta se abstrair da alta frequência. Tem elementos de incerteza na parte externa e reformas. Temos observados nível de ruído no mercado. O que podemos falar é que reavaliamos o cenário e vamos atuar quando necessário, mas o importante é ter um planejamento de longo prazo”, disse.

Campos Neto foi bastante perguntado sobre os ruídos políticos envolvendo a reforma da Previdência e se o BC teria uma estimativa de quando a reforma seria aprovada.

Segundo o presidente, não tem como o BC ter uma expectativa sobre a aprovação, pois esse é um tema do Legislativo. Ele lembrou que o ministro Paulo Guedes está fortemente empenhado, e completou afirmando que:

“Estamos confiantes que será aprovada. É o que podemos falar no momento.”

Segundo Campos Neto, o que importa para o BC é a influência das expectativas com relação às reformas nos canais de transmissão da política monetária. Quando a isso, disse o presidente, não tem como fazer teses sobre o quanto de reforma está ou não no preço do mercado. “Revisamos frequentemente.”

Campos Neto fez questão de explicar que o tomou o cuidado de não mudar nada na forma como o BC vinha atuando. “Tivemos a preocupação de manter a narrativa anterior e olhar três fatores determinantes, ociosidade, parte externa e reformas”, disse.

O que mudou foi a avaliação do balanço de riscos, que mostra os vetores com maior influência na inflação, que saiu de assimétrico para simétrico. Sobre o timing de avaliação, Campos Neto explicou que a expressão que mais se enquadrou foi “curto prazo”, para dizer que essa avaliação deve levar mais algum tempo. “Não temos como tomar medida no curto prazo.”

“Entendemos que existem choques e que precisamos de um tempo maior para avaliar. Que tempo é esse? Não tenho como dizer agora”, afirmou.

Crescimento

Campos Neto e o diretor Carlos Viana reforçaram que os choques do ano passado, como crise em emergentes, greve dos caminhoneiros e eleições, funcionaram como uma série de apertos monetários (alta de juros) e que é preciso mais tempo para avaliar os efeitos disso sobre a atividade.

Segundo o presidente, de forma alguma há complacência com o baixo crescimento. Para o BC, a recuperação segue em rimo gradual e o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2% em 2019, previsão menor que os 2,4% estimados no fim do ano passado.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Câmbio

Perguntando sobre o recente aumento de volatilidade na taxa de câmbio, que levou o dólar a testar a linha dos R$ 4,0, Campos Neto lembrou que já instabilidade também em Turquia e Argentina.

“Não tem mudança de estratégia com relação ao câmbio, que é flutuante e vamos sempre fazer as intervenções visando suprir liquidez, entendendo o instrumento mais demandado”, disse.

Sobre a atuação desta quinta-feira com leilão de linha, Campos Neto disse que o BC viu o aumento no cupom cambial (juro em dólar) e resolveu atuar. Movimento de alta do cupom geralmente estão associados à demanda por dólar à vista.

Cena externa

Segundo Campos Neto, o que importa na avaliação do BC é qual o impacto sobre o cenário de liquidez global. Já tivemos desaceleração global de atividade com aumento de liquidez e também vimos desacelerações mais fortes, seguidas de crises de aversão a risco, com saída de capital de emergentes e Brasil.

No momento, disse Campos Neto, “não temos como fazer essa avaliação”. Ele também citou preocupações com o crescimento na Europa e com a incerteza sobre o funcionamento das medidas tomadas pela China para estimular o crescimento por lá.

Paulo Guedes

Perguntado sobre a fala de ontem de Guedes de que com reforma da Previdência o juro poderia caria até 2 pontos, Campos Neto lembrou que o ministro enfatiza a independência do BC em tomar as decisões que tem de tomar.

Segundo Campos Neto, as reformas são importantes para reduzir a chamada taxa estrutural de juros de longo prazo e não tem como quantificar o impacto das reformas no curto prazo. Para ele, a reforma vai proporcional maior visibilidade fiscal e aumento da credibilidade.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

câmara e senado juntos

Alcolumbre diz que Congresso já tem votos para aprovar a Previdência

Senador falou que o processo todo deve ser concluído após o recesso parlamentar; expectativa é que a Câmara finalize a sua parte antes das férias de julho; senado retoma a discussão em agosto

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta terça-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Exile on Wall Street

CRISTO 2.0 — Desta vez é diferente

Ainda que tivéssemos sofrido as mazelas da crise de 2008, a verdade é que a recuperação no Brasil veio em formato de V, muito em função do fato de termos as condições para adotar medidas contracíclicas

Leve correção

Ibovespa abre em leve queda, aguardando novidades no front político

Após quatro altas consecutivas, o Ibovespa cede a um ligeiro movimento de realização de lucros e opera em queda; o dólar à vista sobe e aprece na casa de R$ 3,83

Tudo que vai mexer com seu dinheiro hoje

Chá inglês para a rainha e o primeiro-ministro

Veja os destaques do Seu Dinheiro nesta manhã

no patamar baixo

Confiança do consumidor sobe 1,9 ponto em junho em comparação a maio

Apesar da alta, o índice se mantém em patamar baixo em termos históricos, ponderou a FGV, que diz que a melhora foi determinada pela calibragem das expectativas

fala senador

‘Se for verdade, ultrapassou o limite ético’, diz Alcolumbre sobre Moro

O senador observou, contudo, que não é possível dizer que o conteúdo das mensagens reveladas pelo site seja verdadeiro

IPCA-15

Prévia da inflação tem alta de 0,06% em junho e atinge índice mais baixo para o mês desde 2006

Em 2019, o índice já acumula uma alta de 2,33%. Nos últimos 12 meses, encerrado em junho, a taxa chega a 3,84%. Passagens aéreas foram os itens individuais com maior impacto no índice do mês

O pior já passou

BC reitera importância das reformas e não da Selic para retomada da economia

Ata do Copom diz que juro atual estimula atividade e que redução de incerteza vai impulsionar investimento privado. Selic deve ficar em 6,5% por mais tempo

Guerra comercial

China diz esperar que reunião entre Trump e Xi solucione ‘questões pendentes’

Como parte dos preparativos para o encontro que deve ocorrer durante a reunião do G20, o Representante Comercial dos EUA, Robert Lightizer, falou ontem com o principal negociador de Pequim, o vice-primeiro-ministro Liu He

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements