Menu
2019-04-04T13:58:33+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Bolsonaro no centro do palco

Discurso do presidente brasileiro durante fórum econômico em Davos é o destaque do dia

22 de janeiro de 2019
5:27 - atualizado às 13:58
BolsoDavos
Presidente deve defender agenda de reformas e vender imagem do Brasil como um país com bom ambiente de negócios

O presidente Jair Bolsonaro está no centro das atenções nesta terça-feira, dia de agenda econômica esvaziada no Brasil e no exterior. O foco se concentra no discurso dele logo na abertura do fórum econômico mundial, em Davos, a partir das 12h30.

Os investidores estarão atentos ao tom a ser usado por Bolsonaro. A expectativa é de que ele mantenha a linha liberal, defendendo a agenda de reformas, em especial, a da Previdência. Também na fala do presidente será apresentado um roteiro de privatizações em várias áreas, tanto em infraestrutura quanto em energia.

O presidente deve evitar falar de improviso ou comentar o caso sobre movimentações financeiras suspeitas, envolvendo um dos filhos. Tampouco deve detalhar a proposta do governo de novas regras para aposentadoria. Além disso, ele deve se esquivar de temas em que é criticado, como as questões ambientais.

Resta saber se a retórica de Bolsonaro será contundente, de modo a restabelecer a confiança internacional no Brasil. Segundo ele, o discurso na abertura do evento na cidade suíça será "muito curto, objetivo, claro", a fim de dar o recado mais amplo possível sobre “o novo Brasil que se apresenta” com a chegada dele ao poder.

Olho vivo, faro fino

Bolsonaro sabe que há pouco espaço para erros. Ainda mais após o desconforto causado pelos detalhes sobre os depósitos, em espécie e fracionados, feitos nas contas de Flávio Bolsonaro. A sensação é de que o presidente precisa “mandar bem” para manter o otimismo do mercado financeiro brasileiro com o novo governo.

Ao agir assim, o presidente conseguirá acertar o tom com a elite político-financeira e ser capaz de vender a imagem de um novo perfil do Brasil, como um país com bom ambiente de negócios. Com essa mensagem, o governo que mostrar que terá condições de cobrir o rombo das contas públicas, com maior rigor fiscal.

Será, portanto, uma fala alinhada à do ministro da Economia, Paulo Guedes, que também está na cidade suíça. A comitiva presidencial conta ainda com o ministro Sergio Moro (Justiça), que têm agenda cheia para enfatizar o combate ao crime organizado, além do chanceler Ernesto Araújo (Relações Exteriores).

O destaque dado ao presidente - será a primeira vez que um latino-americano abre o evento - reforça o interesse e a curiosidade da comunidade internacional sobre o governo brasileiro. Ainda mais após a desistência de vários outros líderes importantes, que cancelaram a presença no fórum de Davos.

Entre as baixas no evento, destaque para as ausências da primeira-ministra britânica, Theresa May, além dos presidentes francês, Emmanuel Macron; norte-americano, Donald Trump; chinês, Xi Jinping; e argentino, Mauricio Macri. Todos eles estão às voltas com suas próprias crises domésticas.

Exterior pesado

O temor com a desaceleração econômica global volta a pesar nos mercados internacionais. Um dia após a China registrar o menor crescimento em 30 anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) no mundo em 2019 e em 2020, o que penaliza os negócios no exterior.

As principais bolsas asiáticas encerraram a sessão em queda, com as perdas lideradas em Xangai e Hong Kong, onde o recuo superou 1%. As praças chinesas reagiram ao alerta feito pelo presidente Xi a outras lideranças do Partido Comunista, de que é preciso “prevenir riscos maiores” para garantir a saúde da economia.

No Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York voltam do fim de semana prolongado no vermelho, à medida que paralisação do governo dos EUA (shutdown) entra na quinta semana. Ao que tudo indica, porém, Trump e os líderes democratas deram o primeiro passo em direção a uma resolução do impasse.

Mas ainda não está claro o quanto a Casa Branca está disposta em fazer um acordo. Com isso, os investidores redobram a postura defensiva, em meio à busca por proteção em ativos seguros, como o iene japonês e o título norte-americano de 10 anos (T-note). O yuan chinês caiu, após as declarações incomuns de Xi.

Já as moedas europeias não exibem uma direção única, com o euro ensaiando alta, enquanto a libra esterlina recua, após May descartar um novo plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Ela também negou que irá adiar a data do Brexit, em 29 de março. Nas commodities, o petróleo cede.

O apetite por risco está mais baixo, diante das perspectivas cada vez mais escuras quanto ao crescimento econômico global e em relação à guerra comercial. O otimismo nas negociações sino-americanas diminuiu, após relatos de que houve pouco progresso em questões-chave e chegou-se a um ponto de “make-or-brake”.

Dia de agenda fraca

Ainda na cidade suíça, Bolsonaro também irá participar de um jantar, acompanhando de outros presidentes da América Latina. Alguns encontros bilaterais foram agendados, mas a coletiva de imprensa que o presidente concederia em Davos não está mais na programação oficial.

O evento havia sido incluído pelos organizadores. Entre os indicadores econômicos, o calendário doméstico está esvaziado e não traz nenhuma divulgação relevante. Já no exterior, saem dados do setor imobiliário nos EUA em dezembro (13h) e sobre o sentimento econômico na zona do euro neste mês (8h).

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Nova cartada

Trump contra-ataca e anuncia um aumento nas tarifas sobre importações chineses

O presidente dos Estados Unidos anunciou a elevação das tarifas de importação sobre produtos da China, elevando a tensão no front da guerra comercial

Seu Dinheiro na sua noite

O Buraco do Twitter

O vale de Jackson Hole (Buraco do Jackson, para os íntimos) já serviu de cenário para as filmagens de Rocky 4. Em plena guerra fria, Sylvester Stallone usou a paisagem coberta de neve das montanhas que ficam no estado norte-americano do Wyoming para emular a Sibéria. Para quem acompanha o mercado financeiro, o lugar é […]

Estreitando relações

Bolsonaro anuncia acordo de livre comércio entre Mercosul e 4 países europeus

Anúncio foi comemorado por entidades diretamente envolvidas, como a Confederação Nacional da Indústria

Câmbio

BC ofertará até US$ 11,6 bilhões no mercado à vista a partir de 2 de setembro

Leilões serão iguais aos feitos ao longo desta semana, com o BC trocando swaps por dólar à vista a depender da demanda de mercado

Relação abalada

Maia volta a disparar contra Bolsonaro e diz que país vive ‘quase um Estado autoritário’, inclusive no Meio Ambiente

Presidente da Câmara também classificou como desculpa as ameaças da Europa sobre a questão das queimadas na Amazônia

OUÇA O QUE BOMBOU NA SEMANA

Podcast Touros e Ursos: No meio da guerra tinha um banco central

Seu Dinheiro traz em podcast um panorama sobre tudo o que movimentou os seus investimentos nesta semana

Seguindo a Caixa...

Banco do Brasil pode adotar linha de crédito imobiliário atrelada ao IPCA

Se confirmado, novo tipo e crédito se somaria às novas linhas com taxas mais baixas para prazos de financiamento menores

Economia em dificuldades

Incertezas com Brexit e quadro global pesam no Reino Unido, diz Carney

Presidente do BoE afirmou que a economia do Reino Unido poderia ter várias reações, a depender dos progressos no Brexit

Deu a louca no gerente

Caixa vai vender todas as participações não estratégicas, diz presidente

Pedro Guimarães também voltou a mencionar que a Caixa vai “despedalar” os Instrumentos Híbridos de Capital de Dívida

Ela não para!

Caixa avalia mudança para taxa prefixada no financiamento imobiliário

Banco está avaliando excluir todo tipo de indexador e adotar taxa prefixada para o financiamento da casa própria

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements