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‘Santo Graal’ para colecionadores, par de barris do whisky Karuizawa são vendidos a preço recorde em leilão (e talvez, pela última vez); mas por que o destilado é tão valioso?

Um leilão histórico entre os amantes de whisky. Na última terça-feira (10), dois barris raríssimos da antiga destilaria japonesa Karuizawa foram vendidos na casa de leilões Christie's, em Londres.
O valor foi o maior já registrado em um leilão de vinhos e destilados da casa. Cada barril foi arrematado por 2,125 milhões de libras, resultando em uma transação de 4,250 milhões de libras (ou R$ 29,621 milhões).

Trata-se do whisky da destilaria fantasma Karuizawa, que operou de 1955 até o ano 2000, produzindo artesanalmente pequenas quantidades da bebida.
O destilado é considerado “único” entre os colecionadores. Frequentemente envelhecido em barril de xerez, o líquido se destaca por ser encorpado, escuro e complexo. Apesar disso, a sua qualidade não foi suficiente para manter a Karuizawa em pé.
No entanto, foi justamente o fechamento da destilaria que transformou seu produto, anos depois, em um dos mais cobiçados do mundo.
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Depois que o whisky japonês se popularizou no século 21, com rótulos premiados, como Yamazaki e Hibiki, o interesse pelo Karuizawa disparou. Somado ao paladar, há o fato de seu estoque ser finito — e muito difícil de se encontrar hoje em dia, o que aumenta ainda mais o desejo pelo rótulo.
2. Segundo, não estamos falando de uma garrafa, mas sim, de um barril
De acordo com a própria Christie’s, barris inteiros de Karuizawa quase nunca estão à venda em leilão. Para se ter ideia, garrafas individuais da marca são extremamente valiosas — algumas delas chegam a custar seis dígitos.

No caso do leilão da semana passada, se trata não de um, mas de dois barris do destilado. Cada um deles guarda 500 litros do whisky japonês, que rende aproximadamente 420 garrafas.
Os barris vieram da coleção privada de Sukhinder Singh, fundador da produtora Elixir Distillers e cofundador da varejista global de destilados premium The Whisky Exchange (que ele vendeu à Pernod Ricard em 2021).
Foram à leilão os barris de número 6195 e 888, ambos destilados em 1999, um ano antes da destilaria japonesa encerrar suas atividades. E provavelmente, estão entre os últimos barris existentes.
Embora preenchidos no mesmo ano e no mesmo lugar, o perfil de cada um deles é bem diferente. Veja os detalhes, conforme a avaliação da Christie’s.

Feito de carvalho americano. Sua coloração, inclusive, sugere que ele já havia sido utilizado para envelhecer outro whisky antes de receber o destilado da Karuizawa (prática conhecida como sherry butt).
Dentro do barril, se encontra um whisky de cor âmbar clara, com um aroma intenso de frutas silvestres e incenso. À medida que se abre, torna-se um pouco mais seco. Após algum tempo na taça, surgem elementos mais elevados e aromáticos, como tomilho e urtiga, com um toque sutil de baunilha ao fundo.
Trata-se de um whisky encorpado. Na boca, é possível sentir uma sensação de calor nas laterais da língua, bem como taninos leves.
Sua concentração alcóolica é alta: 61,8% de álcool por volume (ABV). Embora elevado para um whisky dessa idade, isso não é incomum para a Karuizawa, explica Noah May, chefe de Vinhos e Destilados da Christie’s:
“O ambiente particular da destilaria, que se localizava na única cidade que já sediou tanto eventos de Olimpíadas de Verão quanto de Inverno, faz com que a evaporação do álcool (conhecida como angel’s share) praticamente não ocorra durante o processo de maturação.”

Aqui, o destilado amadureceu em um barril de xerez, mas foi transferido em 2019 para um segundo barril que também já tinha sido usado para envelhecer xerez.
De cor âmbar escura, o whisky do barril 888 é mais intenso, marcado pelo envelhecimento em barril de xerez.
Predominam aromas maduros, com notas de alcaçuz, molho de soja leve e cogumelos shitake secos. Já o corpo é denso, com taninos macios. Sua concentração alcóolica de 57,7% (ABV).
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