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Além da Pinot Noir, outras castas se juntam à busca por vinhos tintos mais frescos e menos alcoólicos

Se prestarmos atenção, em fins de tardes quentes em qualquer wine bar, não são apenas os brancos e rosés que andam fazendo sucesso. Há também aqueles tintos quase translúcidos, servidos em baldes de gelo. E tampouco são apenas Pinot Noirs ou Gamays: são Cerezas, Bastardos e País, castas que originam vinhos naturalmente frescos, leves, delicados.
Junte a isso novas intenções de vinificação, e nascem os chillable reds, tintos pensados especialmente para serem resfriados. Uma boa síntese está no termo francês GlouGlou, onomatopeia do líquido descendo pela garganta e definição de vinhos de alta acidez, baixo álcool e consumo jovem.
“Vem de uma busca por vinhos mais versáteis, principalmente em dias e noites quentes do verão no Brasil”, conta Júlia Derado, sommelier do Rosewood. E a escolha não vem só da preferência sazonal, mas também da procura por tintos mais leves, uma tendência crescente do mercado aliás, como confirma a profissional.
De acordo com ela, o espaço antes ocupado por rótulos muito amadeirados agora é dividido com vinhos que acompanham momentos informais, como piqueniques e happy hours, quebrando o status quo que associa a qualidade de um bom tinto à carga tânica e ao corpo robusto. É para quem gosta de novidade na taça.
Tecnicamente, a leveza está ligada ao corpo, ao “peso” que o vinho apresenta no paladar. “Quando falamos de leveza, estamos falando a respeito do corpo do vinho, ou seja, o peso que ele tem na boca”, explica Juliana Carani, sommelier do Ristorantino, também consultada para a matéria.
Para explicar, ela usa uma analogia sensorial bem simples: a diferença de densidade entre a água e o suco de manga. O que molda essa sensação é o extrato seco, que abrange o conjunto de minerais, ácidos e fenóis. “Quanto mais extrato seco, maior a sensação de densidade e persistência.”
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Nesse estilo, o álcool, que normalmente confere viscosidade e calor, é mantido em patamares mais baixos.
“Para um vinho leve, podemos levar em consideração o teor alcoólico entre 11% e 12%”, diz Júlia Derado. A sommelier explica que o álcool elevado gera peso, enquanto a baixa extração de taninos, que devem ser macios, e a acidez mais alta garantem a vivacidade do GlouGlou.
Mas, servir qualquer tinto gelado não o transforma automaticamente em um chillable red. “Um tinto leve por intenção do enólogo continua sendo leve mesmo a temperaturas superiores”, conta Juliana Carani. “Já um tinto que apenas parece ser leve por ser servido mais frio muito provavelmente soará um certo desequilíbrio na taça.”
O consenso entre as sommeliers para a temperatura ideal fica entre 12°C e 14°C. “Abaixo disso, você mata os aromas e o vinho perde a vivacidade”, diz Júlia Derado.
A criação de um tinto leve vem inclusive de uma intenção de vinificação que prioriza a preservação do frescor. Na adega, o objetivo é reduzir a extração tânica e evitar elementos que adicionem peso.
“Os enólogos fazem necessariamente uma extração mais leve, podendo utilizar a maceração carbônica – uma fermentação da uva inteira, com o cacho, em ambiente de CO2, que extrai muita fruta e pouco tanino”, explica Júlia Derado.
O uso de recipientes também mudou. Tanques de aço inoxidável ou cimento ganham preferência para manter a pureza da fruta, evitando o carvalho novo.
“O carvalho adiciona peso e aromas de baunilha e tostado”, diz Derado. Carani complementa que técnicas como “maceração curta e menos pigeage, o ato de afundar as cascas no líquido, são fundamentais para evitar uma extração agressiva”.
Essas escolhas técnicas ainda acompanham a tendência da vez: sustentabilidade, menos álcool e menor intervenção.
“A redução de extração, menos madeira e a busca por menos álcool são as grandes novidades na produção atual”, afirma Juliana Carani. De acordo com a sommelier, há ainda um resgate de castas históricas ligadas às suas origens, preservando a acidez natural em detrimento da potência alcoólica.
Além disso, é claro, entra também o papel da natureza. “O terroir imprime suas características na uva”, diz Júlia Derado, destacando que regiões de altitude ou com influência marítima são ideais porque a planta preserva a acidez e não acumula tanto açúcar.
A sommelier ainda lembra que “solo, altitude e clima mudam a expressão genética da planta”. Isso ainda quer dizer que em anos muito quentes, o desafio aumenta, favorecendo safras mais frescas e chuvosas para este estilo de vinho.
Quanto às castas, as queridinhas são as de pele fina e baixa concentração fenólica. Aqui, Gamay e Pinot Noir são exemplos clássicos.
“Uvas com cascas mais finas, principalmente se produzidas em regiões frias, são classicamente leves”, diz Júlia Derado. Carani acrescenta Frappato, Poulsard e Cinsault à lista de variedades que “mantêm identidade a baixas temperaturas ou até melhoram sua expressão”.
Ao mesmo tempo, o mercado tem olhado para além do óbvio, apostando em variedades alternativas que levam resultados, muitas vezes, surpreendentes. No sul do Chile, especialmente em regiões como Maule, Itata e Bio Bio, a uva País tem se destacado, sobretudo em versões Pipeño.
“É um vinho simples, de consumo local, com pouca intervenção e sem madeira nova”, conta Juliana Carani. Na Argentina, a uva Cereza surge como a estrela das chamadas criollas (já falamos delas aqui), com baixíssima concentração de cor e estrutura.
Na Europa, Júlia Derado cita a Ilha da Madeira, onde a uva Bastardo produz tintos “superleves, frutados e complexos”, e o Vale do Loire, na França, famoso por seus Cabernet Francs mais herbáceos e fluidos.
Entram ainda Mencía (da região de Bierzo, na Espanha), a Trousseau (conhecida como Bastardo em Portugal) e variedades austríacas como a Blaufrankisch.
O objetivo, em todas elas, é a preservação da essência da fruta. Como resume Juliana Carani, o objetivo é garantir a “vontade de bebericar”, um atributo que os chillable reds entregam com um charme irresistível para os dias de verão.
Para fechar, as sommeliers contam quais são seus rótulos favoritos.

Um Bastardo 100% que mostra o lado mais leve e atual da Madeira. De cor levemente avermelhada, traz aromas delicados de cereja, ginja e ervas do campo, com um toque sutil que lembra gelatina de morango. No boca, conta Júlia Derado, é leve, com taninos presentes, acidez fresca e final seco e persistente. Preço: R$ 1.450, na Grapy Vinhos

Orgânico e cheio de frescor, o Durigutti Cara Sucia nasce em Mendoza a partir de uvas Cereza colhidas manualmente, conta a sommelier do Rosewood. A maceração curta em ovos de concreto e a fermentação com leveduras indígenas preservam o caráter leve e frutado. “Para tomar bem fresco”, sugere a profissional. Preço: R$ 117,90, na Curavino

Derado indica inclusive o Águas de Março Gamay Sanabria, um brasileiro com o espírito de Beaujolais. Fermentado com parte dos engaços e mínima intervenção, ele chega vibrante, com pegada floral e de frutas vermelhas. Fica especialmente gostoso quando servido levemente resfriado. Preço: R$ 189, na Sanabria Vinhos

Fermentado e criado em ânforas de argila centenárias, o De Martino Viejas Tinajas Cinsault é um vinho de textura fluida e perfil mineral. “Apresenta pureza de frutas, frescor e leveza”, diz a sommelier. Preço: R$ 343,90, na Tanino Adega e Empório

A última indicação de Dedaro, como o nome sugere, aliás, é um vinho para matar a sede: leve, refrescante e descomplicado. O corte de Syrah com Grenache, de cultivo orgânico, passa por maceração semi carbônica e longa fermentação com leveduras indígenas, resultando em muita fruta e fluidez. Preço sob consulta.
Juliana Carani também destaca alguns rótulos:

Região: Vale de Cinti, Bolívia
Uva: Negra Criolla
Preço: R$ 444,60, na Wine Lovers

Região: Valle Yumbel, Chile
Uva: 100% País
Preço: R$ 211, na Catta Wines

Região: Toscana, Itália
Uvas: Alicante Nero, Carignano, Mourvédre, Sangiovese e Alicante Bouschet
Preço sob consulta
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