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Nem low cost, nem high-end e com Manu Cit entre os sócios, a academia carioca pretende inaugurar três unidades em São Paulo neste ano com ticket médio de R$ 500

Durante muito tempo, o mercado brasileiro de academias pareceu dividido entre dois extremos: de um lado, redes de baixo custo focadas em escala. De outro, academias boutique para o público AAA. A carioca The Simple Gym, no entanto, surgiu para ocupar o espaço entre esses dois universos. Em pouco menos de dois anos, transformou essa proposta em um dos negócios de wellness que mais despertam atenção.
Depois de consolidar quatro unidades no Rio de Janeiro e reunir uma comunidade com mais de 4 mil alunos, a empresa prepara sua chegada a São Paulo. O plano prevê a abertura de três academias na região dos entornos do Ibirapuera ainda neste semestre, com um investimento entre R$ 8 a R$ 12 milhões por unidade.
A mensalidade deve permanecer próxima da praticada no Rio, onde o ticket médio gira em torno de R$ 500. A expansão acontece em um momento de forte crescimento da marca. Em 2025, a empresa faturou cerca de R$ 20 milhões. Para 2026, a expectativa é encerrar o ano com uma receita entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, segundo os irmãos e fundadores Gabriel Rodrigues e Gustavo Rodrigues, de 39 e 32 anos.
Em maio, inclusive, a rede recebeu um aporte da Rebels Ventures, plataforma de investimentos fundada pelo empresário Rony Meisler após sua saída da Reserva e da Azzas 2154. O valor da operação, porém, não foi divulgado. A entrada do investidor reforça os planos de expansão da marca e deve acelerar sua consolidação no mercado de wellness.

A fama de academia aesthetic não é à toa. A identidade visual da marca e a própria estrutura das unidades gritam minimalismo. Paredes em branco-gelo, iluminação suave, concreto aparente e linhas limpas criam ambientes que equilibram referências do brutalismo com a estética escandinava.
Mas a diferença em relação às grandes redes vai além da estética bem pensada. A proposta da The Simple Gym também vai um pouco além dos modelos tradicionais de academia. Em vez de focar apenas no treino de musculação, os alunos têm acesso a sauna, studio de pilates, banhos de gelo e até clube de corrida.
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"Nós identificamos que o mercado brasileiro ainda tratava o exercício muito mais como uma ferramenta estética. Quando observamos referências internacionais, percebemos que o wellness já era entendido de forma muito mais ampla, envolvendo movimento, recuperação, saúde mental, comunidade e experiência", afirma Gabriel Rodrigues, sócio-fundador da empresa, em entrevista ao Seu Dinheiro.


Enquanto muitas redes competem por preço ou por exclusividade, a The Simple Gym escolheu um caminho intermediário. Hoje, o ticket médio da empresa gira em torno de R$ 500 por mês, valor que a coloca acima das academias de baixo custo, mas abaixo de parte das operações consideradas high-end.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o valor da mensalidade pode variar: em Botafogo, na primeira unidade da rede inaugurada em agosto de 2024, o plano básico começa em R$ 197 por mês, enquanto a academia em Ipanema, bairro nobre no Rio, oferece apenas um plano de R$ 567.
Na capital paulista, onde academias boutique como SIX e Les Cinq chegam a cobrar mensalidades de cerca de R$ 4 mil, a The Simple Gym pretende ocupar justamente o espaço entre o segmento de luxo e as redes de baixo custo. As três primeiras unidades ficarão na região nos bairros próximo ao Ibirapuera, como Moema e Vila Nova Conceição. A rede pretende manter um ticket médio próximo de R$ 500, repetindo o posicionamento adotado nos bairros nobres do Rio de Janeiro.
Para os fundadores, esse posicionamento responde a uma lacuna pouco explorada no mercado nacional.
"Havia um espaço vazio entre as academias de volume e as ultra premium. Existia quem entregasse preço e quem entregasse exclusividade, mas poucas marcas conseguiam combinar experiência, design, tecnologia e bem-estar com um valor percebido muito superior ao preço cobrado", explica Gabriel.

Embora rejeite o rótulo de academia exclusiva para jovens, a The Simple Gym admite que compreende os códigos culturais da geração Z. Um fator que, inclusive, ajudou a impulsionar sua popularidade nas redes sociais.
Por lá, por exemplo, é comum encontrar influenciadores criando conteúdo. O ambiente aesthetic, inclusive, é um convite para que os próprios alunos divulguem a marca e a própria academia incentiva gravações no local.
Entre os sócios está a influenciadora Manu Cit, que entrou no negócio ainda no início da operação por meio de uma estratégia de media for equity. Hoje, ela participa da construção do posicionamento da empresa e aproxima a marca dos universos de comportamento, bem-estar e cultura digital.
"O papel da Manu vai muito além da comunicação. Ela participa ativamente da construção da reputação da marca e nos conecta diretamente com o público que queremos alcançar", diz Gabriel. "São Paulo é o público perfeito para a Simple Gym. As pessoas estão cansadas, estressadas e as academias estão cada vez mais hiperestimulantes", disse Manu Cit ao Seu Dinheiro.
O perfil predominante dos alunos também ajuda a explicar essa identidade. A maior parte é formada por mulheres entre 20 e 40 anos, que conciliam rotinas profissionais intensas com o interesse por saúde, performance e qualidade de vida, descreve o sócio.
A concorrência no mercado fitness brasileiro está longe de ser pequena, especialmente em São Paulo. De acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil, o país reúne mais de 60 mil academias em operação e ocupa a segunda posição no ranking global do setor, atrás apenas dos Estados Unidos.
A escolha da capital paulista pela Simple representa um passo estratégico para consolidar a marca nacionalmente.
Segundo Gabriel, a cidade reúne um consumidor altamente conectado às tendências globais de wellness e concentra movimentos que costumam influenciar o restante do país. "Além do faturamento, São Paulo traz relevância para a construção da marca. Depois de consolidarmos nossa operação aqui, conseguiremos expandir para outras regiões do Brasil."
As primeiras unidades paulistas devem manter a identidade minimalista da rede, mas receberão adaptações pensadas para o ritmo da cidade, tanto na arquitetura quanto na programação de experiências.
O objetivo da empresa é construir um ecossistema nacional de wellness antes de avançar para novas capitais. "Nossa prioridade é crescer sem abrir mão da experiência. Queremos validar o modelo em diferentes mercados, sempre respeitando o nosso ritmo de expansão."
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