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Atlas, o robô humanoide de 1,90 m que chamou atenção na Copa do Mundo, se tratava de uma ação de marketing e faz parte dos planos da Hyundai para levar a robótica às fábricas

Enquanto o Brasil deixava a Copa do Mundo diante da Noruega no último domingo (5), um personagem inusitado conseguiu atravessar o intervalo da partida sem virar alvo de críticas.
Com cerca 1,90 m de altura (e não estamos falando do Haaland), o robô humanoide Atlas entrou em campo no New York New Jersey Stadium, reproduziu comemorações de jogadores como Harry Kane, Matheus Cunha, Son Heung-min e Haaland, em seguida, entregou a bola ao árbitro marroquino Ismail Elfath para o reinício da partida.
Ao contrário de alguns atletas que disputavam uma vaga nas quartas de final, Atlas fez exatamente o que tinha de fazer: cumpriu a missão, não provocou ninguém, não discutiu com a arbitragem e deixou o gramado sem erros.
A cena, inédita na história da Copa do Mundo da FIFA, fazia parte, na verdade, de uma ação de marketing da Hyundai, dona da Boston Dynamics, empresa responsável pelo robô. A empresa queria apresentar ao mundo uma tecnologia que a companhia pretende colocar para trabalhar em fábricas dentro dos próximos anos.

Embora a participação de Atlas tenha durado apenas alguns minutos, a preparação começou há cerca de cinco anos. Para a Hyundai, colocar um robô humanoide em um dos eventos esportivos mais assistidos do planeta representava uma oportunidade de mostrar que a robótica já começa a sair dos laboratórios para ganhar aplicações no mundo real.
Segundo Sungwon Jee, diretor global de marketing da Hyundai Motor Company, em entrevista à Fortune, a entrega da bola marcou o momento em que Atlas foi apresentado ao grande público como uma tecnologia capaz de colaborar com pessoas, e não apenas impressioná-las em vídeos de demonstrações.
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"Ao colocar a Atlas no centro do ritual mais sagrado do futebol, fizemos uma declaração que nenhum comercial jamais poderia", disse o executivo. "A entrega a bola é o momento em que Atlas entra na consciência pública pela primeira vez", completou.
Diferentemente dos robôs industriais tradicionais, Atlas não funciona apenas executando comandos previamente programados.
A quinta geração do humanoide utiliza técnicas de aprendizado semelhantes às empregadas em sistemas modernos de inteligência artificial. Em vez de decorar uma sequência fixa de movimentos, ele aprende padrões de comportamento e se adapta às situações que encontra.
O treinamento combinou vídeos de jogadores profissionais, registros de captura de movimento e milhões de simulações realizadas em computadores de alto desempenho. Desta forma, Atlas aprendeu a reproduzir movimentos e a reagir a diferentes situações.
Na prática, Atlas repetiu os mesmos movimentos incontáveis vezes em ambientes virtuais antes de colocá-los em prática. O treinamento incluía situações imprevisíveis: mudanças na posição da bola, alterações na aderência do solo e até informações propositalmente incorretas sobre o tamanho dos próprios pés. A ideia era ensinar o robô a reagir às condições do ambiente, e não apenas memorizar uma sequência de ações.

Se caminhar em um laboratório já era relativamente simples, entrar em um estádio lotado trouxe problemas inéditos.
O primeiro deles foi a comunicação. Com cerca de 80 mil torcedores usando celulares ao mesmo tempo, a equipe descartou o uso de Wi-Fi convencional. Em seu lugar, instalou um sistema de rádio dedicado para manter a conexão com Atlas durante a apresentação.
O segundo desafio estava sob seus pés. A grama reage de maneira diferente do concreto: em alguns pontos oferece pouca aderência, em outros, prende o movimento. Por isso, os engenheiros desenvolveram um novo treinamento para Atlas. O robô, que pesa cerca de 90 kg, aprendeu a andar, correr e manter o equilíbrio mesmo sobre esse tipo de superfície.
Apesar da repercussão nas redes sociais, Atlas não foi criado para aparecer em eventos esportivos.
O robô foi desenvolvido para executar tarefas industriais consideradas repetitivas, pesadas ou perigosas para seres humanos. Ele possui 56 graus de liberdade, o equivalente a 56 articulações independentes, consegue levantar aproximadamente 50 quilos e até trocar a própria bateria sem intervenção humana.
Desde que adquiriu o controle da Boston Dynamics em 2021, a Hyundai acelerou seus investimentos em robótica. A companhia anunciou um plano de US$ 26 bilhões nos Estados Unidos, que inclui uma fábrica próxima a Savannah, na Geórgia, com capacidade para produzir até 30 mil unidades do Atlas por ano a partir de 2028. Os primeiros testes já acontecem em linhas de montagem da montadora, onde o robô deverá assumir atividades repetitivas e de maior risco para trabalhadores.
Empresas como Hyundai, Tesla e diversas startups disputam quem conseguirá levar esse tipo de máquina para fábricas, centros logísticos e, futuramente, até residências. No Japão, por exemplo, robôs humanoides já estão carregando malas no aeroporto.
Em uma demonstração em abril deste ano, um modelo de 1,30 m apareceu empurrando contêineres em direção a uma aeronave da Japan Airlines. O projeto faz parte de um plano mais amplo de adoção dessas máquinas como resposta à escassez de mão de obra no país.
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