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LIVROS PROIBIDOS

Dua Lipa abre biblioteca de livros censurados em Portugal, com destaque para obra brasileira

Biblioteca fica na Livraria Lello, no Porto, e reúne 100 obras sobre poder, censura, memória e liberdade

dua lipa de blusa vermelha segurando livro aberto
Dua Lipa, cantora pop britânica e apaixonada por livros - Imagem: @service95bookclub via Instagram - Imagem: @service95bookclub via Instagram

Quem acompanha Dua Lipa nas redes sociais já sabe que a cantora é uma leitora voraz. Agora, a britânica acaba de abrir sua própria biblioteca em Portugal, com um acervo permanente de 100 obras que já foram proibidas, censuradas ou que desafiaram estruturas de poder.

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Trata-se da Biblioteca Manifesto, novacoleção permanente localizada no auditório da centenária Livraria Lello, a principal do Porto.

Nas palavras de Dua Lipa, a biblioteca é “um santuário dedicado aos livros que desapareceram, aos autores cuja coragem desmascara as estruturas de poder e controle, e aos leitores que se recusam a que lhes digam que livros podem ler”.

vários livros em estante branca
Biblioteca Manifesto - Imagem: Reprodução/Livraria Lello

O projeto conversa com o posicionamento da britânica de ir além da música pop. Isso porque, nos últimos anos, a cantora britânica transformou a leitura em uma extensão de seu trabalho. Primeiro com o Service95, sua plataforma dedicada a lifestyle, e depois com o Service95 Book Club, clube de leitura em que recomenda um livro por mês e entrevista autores contemporâneos.

Por dentro da Biblioteca Manifesto de Dua Lipa

Biblioteca Manifesto - Imagem: Reprodução/Livraria Lello
Biblioteca Manifesto - Imagem: Reprodução/Livraria Lello

Mais do que reunir livros que foram oficialmente “proibidos”, o acervo olha para obras que incomodaram governos, foram alvo de debate público, saíram de currículos escolares ou foram retiradas de bibliotecas, por exemplo. Nesse sentido, a Biblioteca Manifesto divide sua coleção em quatro eixos:

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Poder

Na seção dedicada ao poder, entram obras que discutem quem tem influência, quem desafia essa influência e quem define as histórias que chegam até nós. Entre os títulos estão O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e 1984, de George Orwell.

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Controle

Já a seção de controle olha para os mecanismos que limitam a liberdade de pensamento — da vigilância à propaganda, passando por formas mais sutis de pressão institucional. É ali que aparecem livros como O Conto da Aia, de Margaret Atwood, O Processo, de Franz Kafka, e A Polícia da Memória, de Yoko Ogawa.

Voz

Em voz, o foco está em perspectivas historicamente excluídas ou deixadas à margem. A lista inclui A Cor Púrpur, de Alice Walker, Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie, e Brevemente Somos Lindos, de Ocean Vuong.

Memória

Por fim, a seção de memória reúne livros que lidam com história, apagamento, guerra, ditadura, exílio e injustiça. Entre os nomes escolhidos estão Pachinko, de Min Jin Lee, Patriota, de Alexei Navalny, A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, e Os Livros de Jacob, de Olga Tokarczuk.

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LEIA MAIS: Conheça o bar de São Paulo que entrou para a lista de favoritos de Dua Lipa

E já tem um título brasileiro nas prateleiras

Para inaugurar a coleção, a Dua Lipa escolheu Olhos d’Água, de Conceição Evaristo, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

capa de livro com um olho castanho grande em lágrimas
Capa do livro Olhos d'Água - Imagem: Divulgação

Publicado em 2014, o livro reúne contos que abordam questões como racismo, pobreza, violência, maternidade, ancestralidade e vida cotidiana de mulheres negras no Brasil. Em 2021, a obra ganhou os holofotes depois que uma professora que o utilizava em aula foi afastada da escola em que lecionava em Salvador.

Como visitar e quanto custa?

Como a Biblioteca Manifesto fica dentro Livraria Lello, é preciso adquirir um ingresso na plataforma da livraria portuguesa para visitação, que custa a partir de 15,95 euros (cerca de R$ 94). O valor, porém, funciona integralmente como voucher, que pode ser abatido na compra de um livro na própria livraria (desde que seja um título da editora da casa).

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escadarias da livraria lello, com vitral no teto
Livraria Lello, considerada uma das mais bonitas do mundo - Imagem: Reprodução/Livraria Lello

A censura de livros é antiga – e ainda perdura

Se ler é uma forma de acessar novas ideias e versões da realidade, muitos livros eram vistos como “ameaça” a instituições, regimes ou governos. Não à toa, a proibição de obras é uma prática comum ao longo da história.

Na Europa, um dos exemplos mais conhecidos foi o Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos da Igreja Católica. Criado no século 16, o índice reunia obras consideradas heréticas ou contrárias à fé e à moral católica, como Os Miseráveis, de Victor Hugo, e “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin. Para se ter ideia, a lista só foi abolida oficialmente em 1966, depois de cerca de quatro séculos de existência.

Já no século 20, o controle sobre livros também apareceu em regimes autoritários, como é o caso da queima públicas de livros durante a Alemanha nazista.

No Brasil, a censura literária era comum durante a Ditadura Militar. Entre 1964 e 1985, cerca de 140 livros de autores brasileiros foram oficialmente vetados pelo Estado. Entre eles, Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, censurado em 1976.

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Mas a censura literária não ficou presa ao passado

Nos Estados Unidos, o debate sobre livros banidos ganhou força nos últimos anos, especialmente em escolas e bibliotecas públicas. Em 2025, a American Library Association registrou tentativas de censura em 4.235 títulos, o segundo maior volume já documentado pela entidade. Do total, 39% tratavam de experiências de pessoas LGBTQIA+ e pessoas racializadas.

Já no Brasil, casos de livros que incomodam escolas ou secretarias de educação também não são raros.  Já chegaram a ser retirados de escolas tanto livros nacionais, como vencedor do Prêmio Jabuti de 2021 O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, quanto clássicos como Laranja Mecânica, de Anthony Burgess.

“Você está convidado a nos visitar e a decidir por si mesmo o que deve estar nestas prateleiras”, afirmou a cantora. “Por vezes, a coisa mais subversiva que se pode fazer é ler um livro e, depois, falar sobre ele.”

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