Dua Lipa abre biblioteca de livros censurados em Portugal, com destaque para obra brasileira
Biblioteca fica na Livraria Lello, no Porto, e reúne 100 obras sobre poder, censura, memória e liberdade

Quem acompanha Dua Lipa nas redes sociais já sabe que a cantora é uma leitora voraz. Agora, a britânica acaba de abrir sua própria biblioteca em Portugal, com um acervo permanente de 100 obras que já foram proibidas, censuradas ou que desafiaram estruturas de poder.
Trata-se da Biblioteca Manifesto, nova coleção permanente localizada no auditório da centenária Livraria Lello, a principal do Porto.
Nas palavras de Dua Lipa, a biblioteca é “um santuário dedicado aos livros que desapareceram, aos autores cuja coragem desmascara as estruturas de poder e controle, e aos leitores que se recusam a que lhes digam que livros podem ler”.

O projeto conversa com o posicionamento da britânica de ir além da música pop. Isso porque, nos últimos anos, a cantora britânica transformou a leitura em uma extensão de seu trabalho. Primeiro com o Service95, sua plataforma dedicada a lifestyle, e depois com o Service95 Book Club, clube de leitura em que recomenda um livro por mês e entrevista autores contemporâneos.
Por dentro da Biblioteca Manifesto de Dua Lipa

Mais do que reunir livros que foram oficialmente “proibidos”, o acervo olha para obras que incomodaram governos, foram alvo de debate público, saíram de currículos escolares ou foram retiradas de bibliotecas, por exemplo. Nesse sentido, a Biblioteca Manifesto divide sua coleção em quatro eixos:
Poder
Na seção dedicada ao poder, entram obras que discutem quem tem influência, quem desafia essa influência e quem define as histórias que chegam até nós. Entre os títulos estão O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e 1984, de George Orwell.
Leia Também
50 Best Bars 2026: São Paulo emplaca dois bares entre os melhores do mundo, mas Brasil ainda tem presença tímida no ranking
Lembra do Keds? Tênis básico que fez sucesso nos anos 1990 volta ao Brasil; veja quanto custa
Controle
Já a seção de controle olha para os mecanismos que limitam a liberdade de pensamento — da vigilância à propaganda, passando por formas mais sutis de pressão institucional. É ali que aparecem livros como O Conto da Aia, de Margaret Atwood, O Processo, de Franz Kafka, e A Polícia da Memória, de Yoko Ogawa.
Voz
Em voz, o foco está em perspectivas historicamente excluídas ou deixadas à margem. A lista inclui A Cor Púrpura”, de Alice Walker, Os Versos Satânicos, de Salman Rushdie, e Brevemente Somos Lindos, de Ocean Vuong.
Memória
Por fim, a seção de memória reúne livros que lidam com história, apagamento, guerra, ditadura, exílio e injustiça. Entre os nomes escolhidos estão Pachinko, de Min Jin Lee, Patriota, de Alexei Navalny, A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, e Os Livros de Jacob, de Olga Tokarczuk.
LEIA MAIS: Conheça o bar de São Paulo que entrou para a lista de favoritos de Dua Lipa
E já tem um título brasileiro nas prateleiras
Para inaugurar a coleção, a Dua Lipa escolheu Olhos d’Água, de Conceição Evaristo, um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

Publicado em 2014, o livro reúne contos que abordam questões como racismo, pobreza, violência, maternidade, ancestralidade e vida cotidiana de mulheres negras no Brasil. Em 2021, a obra ganhou os holofotes depois que uma professora que o utilizava em aula foi afastada da escola em que lecionava em Salvador.
Como visitar e quanto custa?
Como a Biblioteca Manifesto fica dentro Livraria Lello, é preciso adquirir um ingresso na plataforma da livraria portuguesa para visitação, que custa a partir de 15,95 euros (cerca de R$ 94). O valor, porém, funciona integralmente como voucher, que pode ser abatido na compra de um livro na própria livraria (desde que seja um título da editora da casa).

A censura de livros é antiga – e ainda perdura
Se ler é uma forma de acessar novas ideias e versões da realidade, muitos livros eram vistos como “ameaça” a instituições, regimes ou governos. Não à toa, a proibição de obras é uma prática comum ao longo da história.
Na Europa, um dos exemplos mais conhecidos foi o Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos da Igreja Católica. Criado no século 16, o índice reunia obras consideradas heréticas ou contrárias à fé e à moral católica, como Os Miseráveis, de Victor Hugo, e “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin. Para se ter ideia, a lista só foi abolida oficialmente em 1966, depois de cerca de quatro séculos de existência.
Já no século 20, o controle sobre livros também apareceu em regimes autoritários, como é o caso da queima públicas de livros durante a Alemanha nazista.
No Brasil, a censura literária era comum durante a Ditadura Militar. Entre 1964 e 1985, cerca de 140 livros de autores brasileiros foram oficialmente vetados pelo Estado. Entre eles, Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, censurado em 1976.
Mas a censura literária não ficou presa ao passado
Nos Estados Unidos, o debate sobre livros banidos ganhou força nos últimos anos, especialmente em escolas e bibliotecas públicas. Em 2025, a American Library Association registrou tentativas de censura em 4.235 títulos, o segundo maior volume já documentado pela entidade. Do total, 39% tratavam de experiências de pessoas LGBTQIA+ e pessoas racializadas.
Já no Brasil, casos de livros que incomodam escolas ou secretarias de educação também não são raros. Já chegaram a ser retirados de escolas tanto livros nacionais, como vencedor do Prêmio Jabuti de 2021 O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, quanto clássicos como Laranja Mecânica, de Anthony Burgess.
“Você está convidado a nos visitar e a decidir por si mesmo o que deve estar nestas prateleiras”, afirmou a cantora. “Por vezes, a coisa mais subversiva que se pode fazer é ler um livro e, depois, falar sobre ele.”
APOCALIPSE SURREALISTA
Criada por Salvador Dalí, capa do ‘livro mais caro do mundo’ é roubada na França
6 de outubro de 2026 - 13:24FRACASSO RETUMBANTE
Nem atuação elogiada de Tom Cruise salva Digger de candidatura a flop do ano nos cinemas
6 de outubro de 2026 - 11:05CINEMA ALÉM DO FILME
8 novos cinemas de rua ressuscitam salas com arquitetura arrojada e um quê de café-bar
6 de outubro de 2026 - 9:30O’ZAPFT IS!
Oktoberfest Blumenau 2026: de preços a atrações, o que saber antes de ir à maior festa alemã do Brasil
6 de outubro de 2026 - 8:46ARTE MILIONÁRIA
Quadro atribuído a Renoir encontrado em mansão de Vorcaro pode valer milhões; entenda o que define o preço de uma obra
5 de outubro de 2026 - 14:18DO MATO AO ASFALTO
Salomon: o tênis de trilha que virou febre entre quem nunca pisou numa trilha movimenta mais de US$ 2 bilhões
5 de outubro de 2026 - 9:16BOLSA VS BIRKIN
É melhor investir na bolsa de valores ou em uma Birkin Bag? Veja o que rendeu mais nos últimos 10 anos
5 de outubro de 2026 - 8:16CINGAPURA REDESCOBERTA
Cingapura: as compras, a gastronomia e o novíssimo lado cool que o turismo (ainda) desconhece
3 de outubro de 2026 - 8:00CHINELO DO FUTURO
Havaianas quer ir além do chinelo e lança calçado híbrido (meio chinelo, meio mule) impresso em 3D
2 de outubro de 2026 - 16:00AMPLIOU
BTG Pactual Hall inaugura nova sala para shows intimistas e reforça agenda cultural em outubro
2 de outubro de 2026 - 10:10PRAIA URBANA
Beyond The Club: como é (e quanto custa) ser sócio do clube de surf e lifestyle em SP
2 de outubro de 2026 - 8:16MIRA NO LUXO
Zara x John Galliano: conheça a nova coleção, veja os preços e saiba se ela chega ao Brasil
1 de outubro de 2026 - 16:00ALÉM DA HOSPEDAGEM
Airbnb vai permitir aluguel de carros no Brasil; veja como reservar e quem pode usar
1 de outubro de 2026 - 10:30QUIET LUXURY
Os ‘bunkers’ ultraexclusivos do turismo de luxo; veja destinos onde só se chega de helicóptero, iate ou por meio dos contatos certos
1 de outubro de 2026 - 9:18100 DIAS
Por que retratar Amyr Klink? Diretor Carlos Saldanha detalha como levou navegador brasileiro às telas do cinema
1 de outubro de 2026 - 8:16DESCANÇO MERECIDO
Os 5 melhores países para brasileiros se aposentarem em 2026, segundo novo ranking
30 de setembro de 2026 - 15:40RIXA COM OS CHINESES
O Corolla vai virar elétrico: Toyota prepara grande mudança no sedã; saiba quando chega ao mercado
30 de setembro de 2026 - 11:30CLUBE DE ONDAS
Alphaville vai ganhar ‘praia’ de luxo de R$ 1 bilhão com Ronaldo Nazário como sócio
30 de setembro de 2026 - 8:16OBRA ANTI-BREXIT
Um “T” e um rato: por que esta obra de Banksy que vai a leilão pode valer R$ 11 milhões
29 de setembro de 2026 - 16:50NOITE DE MILHÕES