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Fenômeno que viralizou nas redes sociais mistura DJs, percursos urbanos e encontros coletivos em um momento de crescimento recorde da corrida no Brasil

"I come from a land down under..." Enquanto um remix do clássico da banda australiana Men at Work ecoa pelas ruas de Pinheiros, centenas de jovens correm em grupo. Alguns acompanham a letra em coro. Outros filmam a cena para as redes sociais. O vídeo, que viralizou recentemente no Instagram e acumulou milhões de visualizações, principalmente de fora do Brasil, ajudou a popularizar um fenômeno que vem ganhando espaço em São Paulo, as running raves.
Depois de transformar os clubes de corrida em novos pontos de encontro, seja amizades, networking e até relacionamentos amorosos, o universo da corrida agora ganhou uma versão mais festiva. Nas running raves (que pode ser traduzido como "rave de corrida") o treino acontece ao som de DJs, playlists cuidadosamente selecionadas e uma atmosfera que se aproxima mais de uma balada do que de uma corrida tradicional.
A tendência ganha força em um momento de expansão da corrida. Dados do Strava mostram que o número de novos clubes de corrida triplicou em relação ao ano anterior. O Brasil se destacou como o mercado mais social da plataforma, com um crescimento de cerca de 800% na criação de grupos.
Foi nesse contexto que nasceu a Pacetronik, projeto criado pelos empresários Luigi Ceragioli, Gianpietro Secci, Fernando Costa e Demétrius Adib. A estreia aconteceu em abril deste ano, em São Paulo, com a proposta de unir dois universos que, à primeira vista, parecem opostos: a disciplina da corrida e o espírito descontraído das pistas de dança.
"A ideia surgiu com o objetivo de mostrar que performance e lazer, disciplina e diversão podem sim coexistir, além da união entre o esporte e a música eletrônica", afirma Luigi, que é DJ e empresário.
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A inspiração, no entanto, não veio de nenhuma ideia estrangeira, onde esses movimentos já acontecem. "A movimentação do mercado em direção ao wellness, as running crews aparecendo cada vez mais e a ambição de fazer dar certo fizeram a gente acreditar que existia espaço para isso", diz.
A dinâmica é simples: os participantes se reúnem para uma corrida coletiva acompanhada por música e, ao final, seguem para uma festa.
Na primeira edição da Pacetronik, os corredores partiram do Crema Club, casa noturna voltada para a música eletrônica em Pinheiros. O percurso passou pela Praça Panamericana e pela Praça do Pôr do Sol antes de retornar ao ponto de partida, onde aconteceu o after party.
A proposta é que o percurso mude a cada edição. "A ideia é que todas as edições saiam e terminem no Crema Club porque é lá que acontece a festa depois da corrida. Mas os percursos mudam conforme a altimetria, os cruzamentos, o fluxo de carros e a experiência que queremos proporcionar", explica Luigi.
Segundo ele, a segurança e a fluidez do trajeto são fatores determinantes. "Existem caminhos que poderíamos fazer, mas que têm cruzamentos muito grandes ou um volume muito alto de carros. Como temos pacers ajudando a conduzir o grupo, precisamos pensar em toda a experiência de quem está correndo."

Antes de reunir centenas de pessoas, os fundadores precisaram resolver uma questão pouco comum para eventos esportivos: como fazer uma corrida embalada por DJs que também participassem da prova.
"O maior desafio foi entender como iríamos fazer com o som, porque queríamos algo diferente, onde o DJ que estivesse tocando também estivesse correndo", conta Luigi. A solução acabou se tornando um dos diferenciais do projeto e ajudou a criar uma experiência mais imersiva do que a encontrada em corridas convencionais.
Embora tenha realizado sua primeira edição há poucos meses, a Pacetronik já conseguiu atrair patrocinadores de peso. Entre as marcas parceiras estão ASICS, Red Bull, Liquid I.V., Snugg, Mamba Water, Kollectiv e Brasil Nuts, empresas ligadas aos universos de esporte, hidratação, nutrição e bem-estar.
Segundo Luigi, a captação aconteceu por meio de uma estratégia comercial estruturada e da apresentação do potencial de crescimento do projeto. "Conseguimos atrair as marcas com uma boa estratégia de venda, além de projeções futuras para o projeto, mostrando o quanto a marca pode crescer", afirma.
Apesar da estética fortemente conectada à geração Z, o público costuma ser mais diverso do que parece. "Temos pais, mães, jovens, homens, mulheres, atletas e não atletas. Mas o principal perfil é o de pessoas entre 24 e 30 anos que gostam de corrida e música eletrônica", afirma.
Para participar, existem duas modalidades de ingresso: corrida ou corrida com acesso ao after party. Os valores variam entre R$ 40 e R$ 55, dependendo do lote. A organização também limita cada edição a aproximadamente 800 ou 900 participantes, uma decisão tomada para preservar a experiência coletiva.
Até o fim do ano, a Pacetronik planeja realizar pelo menos mais três ou quatro edições, incluindo eventos fora de São Paulo. A próxima edição acontece no dia 20 de junho.
No entanto, o projeto não é o único na capital paulista. No feriado de Corpus Christi, em 4 de junho, o Minhocão foi palco de mais uma running rave. A partir das 9h30, entre 600 e 900 participantes se reuniram para o evento promovido pela Rave4Runners em parceria com a marca de isotônicos Up&Gas. Após a corrida, a programação continuou com um after party no Espaço Usine, na Barra Funda.
Outro exemplo é a Run&Bass. No último dia 30 de maio, o projeto reuniu mais de mil pessoas em um percurso pela região da Avenida Paulista ao som de música eletrônica comandada por um DJ sobre uma bicicleta.
Lá fora, comunidades de corrida já experimentam formatos semelhantes há alguns anos, misturando esporte, música e encontros sociais.
No Reino Unido, por exemplo, o Friday Night Lights ficou conhecido como uma das noites "saudáveis" da capital britânica. A proposta combina percursos de 5 km e 6 km com música, atmosfera de festa e senso de comunidade. Tudo isso sem álcool e sem ressaca. Os ingressos custam entre 14 e 25 libras (R$ 95 a R$ 170) e podem incluir brindes como meias fluorescentes e bastões de LED para acompanhar os corredores durante o percurso.
Já em Nova York, a Run & Rave, é uma das running raves mais conhecidas. O evento combina atividade física e entretenimento, reúne uma corrida coletiva de 5 km, seguida por uma festa diurna comandada por DJs de música eletrônica e house. Os ingressos custam US$ 20 (R$ 101).
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