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A essa altura, um brasileiro médio já pode se sentir especialista em Oscar. É o que acontece após dois anos de indicações, campanhas globais e de vitórias para o cinema nacional. Ganhamos, perdemos, mas, sobretudo, torcemos. E bem.
Mas, se em 2025 chegávamos à cerimônia com a campanha robusta de Ainda Estou Aqui, este ano a situação é um pouco diferente: O Agente Secreto entra em uma temporada menos óbvia e ainda mais acirrada que o ano passado.

Ainda que com um uma indicação a mais este ano, o Brasil enfrenta produções gigantes, blocos de eleitores unidos e campanhas difíceis de serem superadas. Não é assim só pra nós: em praticamente todas as principais categorias, 2026 está disputado demais. (O que é ótima notícia para os cinéfilos, inclusive.)
Torcida é diferente de análise. E as cartas, mais uma vez, seguem na mesa para O Agente Secreto, ao menos para algumas categorias. Mas, para acertar quem deve vencer, vale olhar para outros critérios - notadamente para as campanhas e premiações conquistadas até aqui.
É o que fazemos no termômetro abaixo: uma análise balizada pelo histórico das principais categorias na temporada 2026 até aqui. No fim, entre poucas certezas e muitas dúvidas, nossa aposta é de o Brasil traga ao menos uma estatueta pra casa, mas provavelmente não é que está pensando. Portanto, à lista.
Elle Fanning, Valor Sentimental
Inga Ibsdotter Lilleaas, Valor Sentimental
Amy Madigan, A Hora do Mal
Wunmi Mosaku, Pecadores
Teyana Taylor, Uma Batalha Após a Outra
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Como em outras categorias, Valor Sentimental sai à frente. Na disputa pela estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante não com uma, mas com duas indicações, para Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas.
O problema para as duas? Todas as outras indicadas.
A começar pela veterana Amy Madigan, que roubou a cena no papel da extravagante e sádica Tia Gladys em A Hora do Mal. Ela já tinha levado a melhor no Critics' Choice Awards em janeiro. Sua candidatura, no entanto, ganhou fôlego recente, quando arrebatou também o Actor Awards no início de março, considerado o indicador mais apurado para a categoria.
Porém, Madigan não é a única premiada nesta temporada. Basta lembrar do Globo de Ouro, quando Teyana Taylor saiu à frente pelo papel de Perfidia, tão central em Uma Batalha Após a Outra. Pelo caminho, ainda há a nigeriana Wunmi Mosaku, que adiciona uma valiosa camada dramática a Pecadores como Annie. Sua atuação não passou em branco, sendo reconhecida com a estatueta britânica do BAFTA.
Vale dizer que, com A Hora do Mal, Amy Madigan atinge um feito curioso: concorrer 40 anos após sua última indicação, no Oscar 1986, também como atriz coadjuvante por Duas Vezes na Vida. Resta saber se a trajetória será o bastante para convencer uma academia tão resistente premiar filmes de terror. Nossa aposta vai em Teyana Taylor com Uma Batalha Após a Outra.
Benicio del Toro, Uma Batalha Após a Outra
Jacob Elordi, Frankenstein
Delroy Lindo, Pecadores
Sean Penn, Uma Batalha Após a Outra
Stellan Skarsgard, Valor Sentimental

Na categoria que abre a noite de premiações há três destaques, com um aparente favorito.
De imediato, o sueco Stellan Skarsgård surge como um consenso entre público e crítica. Sua atuação comovente em Valor Sentimental garantiu a ele um ótimo início de temporada e um Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante.
Skarsgård acabaria superado por Jacob Elordi nos Critics Choice Awards. O galã surpreendeu e levou a melhor na ocasião pelo papel-título no Frankenstein de Guillermo del Toro.
Porém, quem chega com mais força à cerimônia de amanhã é, sem dúvidas, Sean Penn. O veterano, que já é dono de duas estatuetas do Oscar, já tinha levado a melhor no BAFTA como o Coronel Steven J. Lockjaw, vilão de Uma Batalha Após a Outra. Porém, foi sua vitória no Actor Awards do início de março que o colocou na rota da estatueta – os vencedores do Sindicato de Atores na categoria se repetiram no Oscar em 21 dos últimos 30 anos.
O Agente Secreto (Brasil)
Foi Apenas um Acidente (França)
Valor Sentimental (Noruega)
Sirât (Espanha)
A Voz de Hind Rajab (Tunísia)

Aqui a disputa fica pessoal. Na categoria em que O Agente Secreto chega com mais chances de vitória, a disputa está longe de ser resolvida. E a questão toda talvez seja melhor representada pelos premiados do Festival de Cannes do ano passado.
A competição oficial começou bastante positiva para a produção brasileira, que, na ocasião, arrebatou duas importantes categorias, de Melhor Ator para Wagner Moura e de Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho.
O problema está em outros dois vencedores da mesma noite. Valor Sentimental, de Joachim Trier, foi brindado com o Grand Prix, o segundo maior prêmio da noite, enquanto Foi Apenas Um Acidente ganhou a Palma de Ouro, reconhecimento máximo da premiação.
Com o início do ano, a competição se acirrou. Em janeiro, O Agente Secreto superou os dois concorrentes, levando a estatueta de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa no Globo de Ouro. Ainda que não confirme favoritismo, a vitória certamente reforçou o início da campanha brasileira. Já em fevereiro, o BAFTA entregou a estatueta a Valor Sentimental.
Na previsão da Variety, uma votação massiva dos votantes europeus pode confirmar a vitória da produção norueguesa. Ainda assim, diz a revista, quem deveria ganhar é O Agente Secreto. Nós concordamos.
Wagner Moura, O Agente Secreto
Leonardo DiCaprio, Uma Batalha Após a Outra
Timothée Chalamet, Marty Supreme
Michael B. Jordan, Pecadores
Ethan Hawke, Blue Moon

Quem acompanhou a campanha por Melhor Atriz no Oscar 2025 deve se lembrar do caso Karla Sofía Gascón. Favorita à estatueta por grande parte da campanha, a artista espanhola viu suas chances minguarem após declarações polêmicas em alguns tweets antigos virem à tona pouco antes da cerimônia.
Guardadas as devidas proporções, Timothée Chalamet enfrenta um momento semelhante em 2026. O astro de Marty Supreme já tinha o Globo de Ouro como Melhor Ator em Comédia ou Musical; o Critics Choice Awards e Satellite Awards como Melhor Ator.
Porém, Timmy viu tudo mudar após uma entrevista, em 21 de fevereiro, na qual classificou o balé e a ópera como formas de arte "em declínio" e "desconectadas da realidade atual". Pegou mal. Logo, outras declarações semelhantes do ator emergiram nas redes.
Não ajudou que, logo em seguido, ele tenha perdido em duas outras premiações. No BAFTA, realizado um dia após a fatídica entrevista, Robert Aramayo foi sagrado Melhor Ator por I Swear. No início de março, Michael B. Jordan levaria a melhor no Actor Awards. A premiação é, atualmente, um dos termômetros mais apurados da temporada de atuação, confirmando 24 vencedores das 30 últimas edições do Oscar – uma margem de 80% de correspondência.
E Wagner Moura? Nosso conterrâneo segue com uma das campanhas mais positivas das categorias de atuação, um trabalho fortemente apoiado pela Neon, distribuidora global de O Agente Secreto. Ainda que pareça difícil derrubar o que vem se construindo como o momentum de Jordan, Wagner sai da temporada maior do que entrou. Para a Variety, Moura deveria levar a estatueta em 2026. O baiano, afinal, tem o molho.
Jessie Buckley, Hamnet: A vida antes de Hamlet
Rose Byrne, Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria
Kate Hudson, Song Sung Blue: Um Sonho a Dois
Renate Reinsver, Valor Sentimental
Emma Stone, Bugonia

Talvez a maior briga aqui seja pelo segundo lugar. Isso porque Jessie Buckley construiu uma das campanhas mais sólidas e é a favorita indiscutível dessa temporada.
A atriz conseguiu um feito ao arrebatar praticamente todas as estatuetas a que concorreu por seu papel como Agnes Shakespeare em Hamnet: A vida antes de Hamlet. Na prática, isso inclui o Globo de Ouro, os Critics Choice Awards, o BAFTA e, mais recentemente, os Actor Awards.
Sua trajetória praticamente solo rumo à estatueta, no entando, não esconde o que se confirmou como uma das temporadas mais potentes na categoria de Melhor Atriz, com destaque para as outras quatro indicadas. Chamam atenção, particularmente, as atuações de Rose Byrne em Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria e de Kate Hudson e sua caracterização impecável em Song Sung Blue: Um Sonho a Dois.
Chloé Zhao, Hamnet: A vida antes de Hamlet
Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra
Joachim Trier, Valor Sentimental
Josh Safdie, Marty Supreme
Ryan Coogler, Pecadores

Vitorioso no Globo de Ouro, Kleber Mendonça Filho ficou de fora dos indicados ao Oscar de Melhor Direção. Marmelada, se nos perguntarem. Mas isso deixa aberto o caminho para uma disputa que pode ter um desfecho surpreendente.
Na prática, Paul Thomas Anderson emerge como candidato único ao prêmio. Sua trajetória inclui vitória em praticamente todas as disputas, incluindo o Globo de Ouro, os Critics Choice, o BAFTA e o Directors Guild Awards, a premiação do sindicato dos diretores.
Ainda assim, tal qual Michael B. Jordan entre os atores, Ryan Coogler vem crescendo com a campanha de Pecadores. Parte disso se deu logo no anúncio dos indicados ao Oscar, em janeiro, quando o filme, que também é escrito por ele, quebrou o recorde histórico, ao disputar em 16 categorias.

Trata-se de uma disputa interessante, que deve repetir-se na categoria de Melhor Filme. Resta saber se a academia está pronta para reconhecer um filme como Pecadores, que navega entre gêneros menos tradicionais à premiação. Talvez por isso, seja mais fácil apostar no reconhecimento de Coogler como filmmaker habilidoso pelo conjunto da obra. A estatueta, afinal, pode ser dele.
Bugonia
F1
Frankenstein
Hamnet: A vida antes de Hamlet
Marty Supreme
Uma Batalha Após a Outra
O Agente Secreto
Valor Sentimental
Pecadores
Sonhos De Trem

Vamos começar pelo básico: a indicação de O Agente Secreto coloca o Brasil no topo do cinema mundial. Ponto. Isso posto, podemos acalmar os corações quanto a uma improvável vitória como Melhor Filme.
Quem seguir acordado até o fim da cerimônia no domingo, deverá ver uma noite de disputas entre Uma Batalha Após a Outra e Pecadores. São filmes muitísismo diferentes, com propostas, estruturas e campanhas diferentes.
Enquanto Pecadores cresceu muito desde o recorde de indicações em janeiro, Uma Batalha Após a Outra arrebatou tantas estatuetas quanto pôde no caminho até o Oscar. Podemos mencionar Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, DGA (do sindicato dos diretores) e WGA (do sindicato dos roteiristas).
Para a estatueta de Melhor Filme, no entanto, o melhor termômetro são os Producers Guild Awards, do sindicato dos produtores americanos. E aqui, mais uma vez, deu Uma Batalha Após a Outra. Ao que tudo indica, a vitória é deles.
A pedra no caminho é o filme de Ryan Coogler, que pode surpreender e arrebatar mais do que apenas indicações neste domingo. Toda a visibilidade conquistada nas últimas semanas poderia tornar uma possível uma vitória do longa, apontando para o futuro da academia. Para a Variety, a estatueta vai para eles. Aqui, discordamos: Uma Batalha Após a Outra deve confirmar-se como Melhor Filme em 2026.
Mas o Brasil vai ficar sem Oscar, afinal? Em nosso termômetro, não.
O Agente Secreto chega como forte candidato à histórica estatueta de Melhor Direção de Elenco, conferida pela primeira vez em 2026. No entanto, encontra pela frente o elenco extremamente diverso, bem construído e fundamental à trama de Pecadores, que deve ameaçar uma merecida vitória de Gabriel Domingues.
No entanto, um brasileiro desponta como franco favorito à estatueta neste domingo: Adolpho Veloso, o diretor de fotografia de Sonhos de Trem, da Netflix. Vencedor nos Critics Choice Awards, nos Film Independent Spirit Awards e no Gold Derby Film Awards, o Veloso chega bem cotado à estatueta no Oscar. Outras produções, como Frankenstein e Pecadores também têm chances, mas devem ser ultimamente superadas pelo olhar apurado do cineasta corintiano.

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