Com guerra no Irã, sua passagem de avião pode ficar mais cara; hora de comprar ou melhor esperar?
Alta no preço do petróleo deve afetar o preço das passagens aéreas no Brasil; especialistas explicam como isso acontece e o que fazer

A turbulência no Oriente Médio pode chegar até o preço da sua passagem aérea. O aumento no valor do petróleo, provocado pela escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, está encarecendo o combustível de aviação, que representa um dos principais custos das companhias aéreas.
Com isso, empresas ao redor do mundo já anunciaram que vão começar a ajustar seus preços. A americana United Airlines é uma delas, conforme alertou seu CEO, Scott Kirby, à CNBC nesta semana.
A Scandinavian Airlines System, conhecida como SAS, introduziu o que chamou de um ajuste temporário nas passagens. Já a Air New Zealand aumentou tarifas da classe econômica para voos domésticos e intercontinentais.
Enquanto isso, outras companhias optaram por mexer diretamente nas tarifas de combustível. É o caso da Hong Kong Airlines, que anunciou um aumento de até 35,2% em suas taxas.
O que explica o encarecimento das passagens?

Esse movimento pode ser justificado por um dos itens mais sensíveis do orçamento das companhias aéreas: o combustível. Afinal, ele costuma responder por cerca de um quarto dos custos de operação de uma empresa aérea, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
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Desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, há duas semanas, o preço do petróleo disparou. O barril do Brent, que serve como principal referência internacional, chegou a ultrapassar a marca de US$ 119 na última segunda-feira (9). Nesta quinta-feira (12), ele está sendo negociado na faixa dos US$ 100. E não é por acaso.
O Irã fechou o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica entre Omã e Irã, é responsável por escoar 20% do petróleo mundial. Com isso, o fluxo de combustível foi afetado, reduzindo a oferta da commodity e pressionando seus preços no mercado global.
Quando o petróleo sobe, o efeito também chega no querosene de aviação (QAV). De acordo com estimativas da IATA, o preço médio global do combustível saltou mais de 58% em relação à semana anterior.
E os impactos já desembarcaram em solo brasileiro
Só no Brasil, país em que 40% dos custos das empresas aéreas estão ligados ao QAV, de acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o querosene de aviação subiu 9,4% desde 1º de março.
E o responsável disso não é só o preço do petróleo. Esse movimento também é potencializado pela variação do câmbio, já que a desvalorização do real encarece ainda mais o produto importado, explica o professor da FIA Business School, José Carlos de Souza.
E se viajar de avião estava nos seus planos, mesmo que dentro do Brasil, é melhor já preparar o bolso. Afinal, como os custos das companhias aéreas são dolarizados, o preço do combustível pode afetar tanto voos domésticos quanto os internacionais.
Adeus, promoções: sua viagem pode ficar mais cara

Segundo o professor de Economia do Transporte Aéreo do ITA, Alessandro Oliveira, embora as companhias aéreas consigam absorver parte do custo do combustível, a parcela restante é inevitavelmente repassada ao consumidor.
O economista explica que como a precificação das passagens é dinâmica e feita diariamente, o impacto costuma aparecer com menos promoções e preços mais altos para voos futuros.
“O mais comum é que as tarifas promocionais desapareçam. Quem pretende viajar nos próximos meses provavelmente vai encontrar menos ofertas do que em anos anteriores”, afirma o professor.
Comprar a passagem de avião agora ou esperar o desenrolar do conflito? Especialistas respondem
“Quem pretende viajar no curto e médio prazo deve comprar a passagem o quanto antes”, afirma José Carlos de Souza, professor da FIA Business School.
Afinal, com a incerteza sobre a duração do conflito e o avanço dos custos do setor, os preços podem subir e dificilmente voltar aos patamares anteriores no curto prazo.
Alessandro Oliveira, professor do ITA, explica que o período de pós-carnaval costuma ser um momento de preços mais baixos, em que as companhias aéreas lançam promoções para estimular a demanda.
No entanto, a tendência é que essas ofertas apareçam com menos frequência neste ano, diante do conflito no Oriente Médio. Por isso, a recomendação é antecipar a compra caso o passageiro encontre uma boa oferta — porque ela pode não durar muito tempo.
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