Como Aeroporto de Istambul aplicou eficiência também a uma gastronomia de nível global (e onde comer por lá)
Distante de uma ideia de ‘trash food’, o quinto aeroporto mais movimentado do mundo abriu espaço para chefs renomados, restaurantes-espetáculo e vitrines da culinária local

Durante décadas, aeroporto foi sinônimo de sanduíche triste, café caro e pressa. Esse tempo acabou. Hoje, grandes aeroportos operam como cidades gastronômicas completas, com consumo real, volumoso e cuidadosamente planejado. Não que a fila do lounge e o buffet insosso tenham desaparecido. Mas hoje há opções desenhadas para quem quer ficar, gastar, experimentar e, em muitos casos, marcar reunião ali mesmo.
A explicação é simples: o viajante mudou. O aeroporto teve de acompanhar. Executivos em trânsito constante, passageiros de luxo, nômades globais hoje coexistem entre conexões nem sempre curtas. Gente com tempo, repertório e disposição para consumir bem.
É de olho nesse recorte que hubs evoluem sua disponibilidade de produtos, serviços e, sobretudo, gastronomia. Aí vêm Madrid e Barcelona, onde design, tapas e negócios se cruzam. Abu Dhabi e Dubai, onde viram vitrines absolutas do luxo global em trânsito. E Singapura, referência mundial em eficiência, experiência e gastronomia de alto nível.
Um dos exemplos mais relevantes desse movimento, no entanto, é nada menos que o Aeroporto Internacional de Istambul, grande destaque da renomada Análise de Desempenho de Pontualidade 2025, da Cirium. Líder global em eficiência e confiabilidade, o espaço também transformou seu caos delicioso em um playground foodie, entre o kebab ancestral e o fine dining global.

Istambul como primeiro grande case
Recém renovado, gigante, intenso e deliciosamente caótico, o Istanbul Airport funciona como um retrato contemporâneo da própria cidade. Vai do fast food premium, como o Shake Shack, até restaurantes de cozinha turca tradicional comandados por nomes que não estão ali por acaso.
O nome mais emblemático é o projeto de Ömür Akkor, chef conceituado e pesquisador da culinária otomana. Em sua cozinha, Akkor transforma receitas ancestrais em experiências gastronômicas de alto nível, mesmo antes do embarque. Depois de destaques em hubs como o Aeroporto de Anatólia, ele se volta agora para o hub internacional com seu Taste of Anatolia.
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Há ainda espaços inteiros dedicados aos doces turcos. Baklavas, lokums, pistaches, mel, caldas e vitrines que funcionam como museus comestíveis. Sai o souvenir, entra o patrimônio cultural embalado para viagem.
E Istambul, claro, não ignora o espetáculo. O aeroporto abriga um grande espaço do Nusret Gökçe, o homem por trás do fenômeno global #SaltBae. Grande mesmo: são 200 lugares geralmente ocupados por quem busca conferir a experiência viral da steakhouse high end em hambúrgueres e outras opções casuais. Tem carne, tem performance, mas, sobretudo, tem selfie.

Um aeroporto que funciona como cidade gastronômica
Reduzir o Aeroporto de Istambul a uma referência em desempenho talvez seja insuficiente para classificar o que ele representa. Isso porque se trata, na realidade, de um mega hub por onde 62,9 milhões de passageiros circularam em 2025. O fluxo o elevou à quinta posição na lista de aeroportos mais movimentados do mundo.
Ao consolidar-se como um dos polos gastronômicos mais relevantes do trânsito global, o aeroporto ainda equilibrou consistência, controle e escala. Em abril de 2025, por exemplo, ele tornou-se o primeiro aeroporto europeu a implementar operações de pistas triplas independentes, aumentando sua capacidade de 120 para 148 movimentos por hora.
Impressionante pelo tamanho, sim, mas pela lógica de consumo. São mais de 100 restaurantes, cafés e bares distribuídos entre áreas públicas, embarque e conexão. Tudo com uma oferta que vai da comida rápida às refeições completas, passando por sobremesas, conceitos premium e até cafés especiais, que podem dar um gostinho da tradição turca do kahvaltı matutino mesmo a quem só experimenta uma escala por lá.
Guias internacionais e premiações do setor apontam números ainda mais precisos. Cerca de 117 pontos de alimentação ativos, com culinária turca e internacional em múltiplos formatos e níveis de preço. Isso coloca Istambul em outro patamar, onde comer no aeroporto deixa de ser necessidade e passa a ser escolha.
Curadoria pensada para o passageiro global
O mix gastronômico é desenhado para atender desde o executivo que chega cedo para uma reunião até o viajante em conexão longa, disposto a sentar, pedir vinho e transformar o aeroporto em parte da experiência da viagem.

Entre os conceitos que ajudam a entender essa lógica estão o Obicà Mozzarella Bar, aberto em 2024, com pratos leves e foco em queijos frescos, ideal para quem quer comer bem sem sair pesado para o voo. O Slim Chickens, direto e eficiente, atende quem precisa de rapidez. Já o Saltbae Burger traduz o apelo midiático de Nusret para o universo do hambúrguer premium, com alto giro e carnes de qualidade.

O The House Cafe funciona como café bistrô, com ambiente confortável, pratos variados e clima ideal para trabalhar ou esperar o embarque sem pressa. Já a cozinha local aparece com força em projetos como o Cuisine Anatolia, por exemplo, perfeito para experimentar clássicos turcos, e o Kaimakk, focado em doces, onde baklavas e chocolates finos dividem a atenção do passageiro entre uma xícara e outra de chá. (Na dúvida, experimente os dois.)
Doces, aliás, são o destaque do Pierre Hermé, o pâtissier francês por trás de alguns dos macarons mais conhecidos mundo afora. Por lá, ele ocupa o vão por baixo de uma escada no píer F, próximo à loja Samsonite.

Para quem prefere comida direta ao ponto, porém, há opções como o Pidem, especializado no flatbread turco. Ou ainda as grandes food courts, como o GIA, completam a experiência com variedade suficiente para atender qualquer perfil de passageiro.

Negócio grande, estratégia maior
Nada disso é improviso. Cada restaurante, cada marca e cada metro quadrado respondem a dados de comportamento, tempo de conexão, perfil de gasto e expectativa do passageiro. E a engrenagem por trás dessa operação tem nome e escala. A BTA é uma das grandes empresas responsáveis pelo catering e pela curadoria gastronômica do Aeroporto de Istambul, além de atuar em outros hubs internacionais.
O objetivo é claro: transformar fluxo em permanência, mas com consumo qualificado. No encontro entre a Ásia e a Europa, uma interseção da mobilidade e da gastronomia, central na nova geografia do luxo
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