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Ex-príncipe Andrew foi preso hoje por "má conduta" em caso envolvendo suas relações com Jeffrey Epstein; se condenado, ele corre o risco de cumprir pena de prisão perpétua.

Quando os criados foram atender a porta da residência de Andrew Mountbatten-Windsor na manhã desta quinta-feira (19), talvez tenham chegado a pensar que algum amigo atencioso queria parabenizar pessoalmente o ex-príncipe pelo aniversário de 66 anos. No entanto, eles estavam apenas presenciando o mais recente revés na vida de um nobre britânico em desgraça.
O ex-príncipe Andrew foi preso hoje por "suspeita de má conduta no exercício de um cargo público". O episódio envolve suas relações com o financista Jeffrey Epstein.
De acordo com documentos divulgados nos últimos dias, o irmão do rei Charles III teria repassado, em 2010, informações confidenciais a Epstein, um financista condenado por uma série de crimes sexuais nos Estados Unidos e encontrado morto em sua cela quando cumpria pena.
Então representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, Andrew teria encaminhado a Epstein um "relatório confidencial" sobre "oportunidades de investimento" no Afeganistão ocupado.
Há também indícios de que o ex-príncipe teria compartilhado com o financista relatórios sobre viagens a trabalho à China, a Cingapura e ao Vietnã. Ele é suspeito de "má conduta no exercício de um cargo público".
Há quem veja a prisão como o resultado lógico da "carreira" de um dos herdeiros mais incompetentes de todos os tempos — se não o mais.
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Afinal, tão raro quanto sair do nada para chegar ao topo é despencar de um berço de ouro para cair em uma cela.
Isso porque a herança figura há séculos como um dos principais meios de transmissão de poder e riqueza no mundo como o conhecemos.
Em casos extremos, porém, até mesmo o fato de nascer em berço de ouro exige algum talento, nem que seja para manter a majestade. E nem para isso o ex-príncipe Andrew mostrou competência.
Terceiro dos quatro filhos da rainha Elizabeth II com o príncipe Philip, Andrew é irmão mais novo do rei Charles III e da princesa Anne. É mais velho apenas que o príncipe Edward.
Condições para uma vida mansa não lhe faltaram. Como herdeiro da família real britânica, Andrew era chamado de príncipe desde o nascimento e ostentava o título de duque de York. Isso garantia a ele um estipêndio anual de 250 mil libras. A quantia equivale a quase R$ 2 milhões.
Andrew não foi o primeiro membro da família real britânica a se divorciar, mas sua separação de Sarah Ferguson deu o que falar. Andrew e Fergie, como ela é conhecida, se casaram em 1986. Eles tiveram duas filhas, as princesas Beatrice e Eugenie.
No entanto, Andrew passava pouco tempo em casa. Observadores da família real britânica calculam que o príncipe tenha permanecido em torno de 40 dias por ano com a esposa nos primeiros cinco anos de casamento. Isso por causa de seus deveres na Marinha Real.
Tudo ia bem até 1992, pelo menos para o grande público. Foi quando Sarah Ferguson acabou fotografada na companhia de um amante. O divórcio do casal veio em 1996.
Foi também na década de 1990 que Andrew conheceu Epstein, um financista norte-americano que cultivava uma extensa rede social que incluía figuras públicas, políticos, celebridades e integrantes da elite de diversos países.
Epstein foi condenado por crimes sexuais, incluindo abuso, tráfico e exploração de menores. Ele morreu em 2019. Oficialmente, ele se suicidou na prisão, mas alguns detalhes sobre a morte alimentam uma série de teorias conspiratórias que não vêm ao caso agora.
Das relações com Epstein emergiram graves acusações contra o hoje ex-príncipe.
A jovem Virginia Giuffre afirmou ter sido vítima de agressões sexuais cometidas por Andrew em 2001, quando ela tinha apenas 17 anos. Virginia suicidou-se em 2025. Posteriormente, mais duas acusações similares surgiram contra o ex-príncipe.
Em meio ao escândalo, Andrew Mountbatten-Windsor aceitou abdicar de sua posição na realeza, devolver suas honrarias militares e renunciar ao título de duque, bem como às 250 mil libras que recebia anualmente.
Ele também não pode mais representar a monarquia em eventos oficiais, o que parece prestes a deixar de ser um problema na vida do ex-príncipe Andrew.
Andrew é o primeiro membro do alto escalão da família real britânica a ser preso na história moderna.
Antes dele, a última prisão de um integrante da família real ocorreu há quase 400 anos.
Em 1647, o rei Charles I foi preso por forças alinhadas com o parlamento em meio a uma guerra civil.
Depois da prisão, o monarca foi julgado e condenado por traição após se recusar a aceitar limites à autoridade real. Acabou decapitado em 1649.
Andrew não precisa temer fim semelhante. A pena de morte no Reino Unido foi abolida em 1969. A pena máxima para a "má conduta" do ex-príncipe é de prisão perpétua.
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