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Em uma das áreas mais isoladas do Brasil, novo parque marinho revela biodiversidade, disputas e curiosidades históricas

O Brasil ganhou recentemente o maior parque nacional marinho de sua história. Localizado no extremo sul do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira com o Uruguai, o Parque Nacional do Albardão — em conjunto com a Área de Proteção Ambiental (APA) do Albardão — ocupa uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares.
As unidades de conservação se estendem pelos municípios de Santa Vitória do Palmar, Chuí e Rio Grande e têm como principal missão resguardar um dos trechos mais relevantes da biodiversidade marinha do país, segundo especialistas.
Com baixa ocupação humana, a região funciona como um refúgio natural para a reprodução e alimentação de diversas espécies, incluindo algumas ameaçadas de extinção. Nesse contexto, o parque estabelece restrições a atividades como a pesca em seu território.
A criação da área protegida, porém, não aconteceu de forma repentina. A proposta foi discutida ao longo de cerca de duas décadas até ser finalmente implementada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Apesar disso, a iniciativa está longe de ser unanimidade. Enquanto especialistas destacam a importância da preservação ambiental, pescadores e produtores rurais demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos e criticam a condução do processo, especialmente pela percepção de falta de diálogo.
As novas áreas de proteção também se inserem em um contexto que vai além da conservação: a região chama atenção por sua geografia singular e pelas histórias e curiosidades que a cercam.
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Ali se estende a Praia do Cassino, cuja faixa de areia ultrapassa os 200 quilômetros de extensão e é frequentemente apontada como a maior praia do mundo.
Na prática, trata-se de um único trecho contínuo que atravessa municípios e muda de nome ao longo do caminho, incluindo a Praia do Hermenegildo e a Barra do Chuí. A disputa pelo título entre cidades vizinhas existe, mas é mais simbólica do que geográfica.

No meio dessa imensidão, histórias ajudam a explicar a paisagem. Um dos marcos é o Farol Sarita, que sinaliza a divisão informal entre Cassino e Hermenegildo e guarda um episódio curioso do fim do século XIX.
Em 1897, o marinheiro italiano Cosmo Marasciulo encalhou propositalmente o navio a vapor Sarita na região como parte de um golpe para acionar o seguro da embarcação. A estratégia funcionou. Após o naufrágio, a tripulação caminhou até Rio Grande e o caso acabou garantindo a indenização à companhia.
Anos depois, no exato ponto onde o navio ficou encalhado, foi construído, em 1952, o farol que herdou o nome Sarita.
A história, no entanto, não termina no mar. O próprio comandante voltou à região, formou família e passou a viver na cidade, deixando um legado que ainda ecoa no litoral sul gaúcho.

Mais ao sul, em um trecho ainda mais remoto dessa mesma faixa de areia, está o Farol do Albardão, um dos pontos mais isolados do litoral brasileiro.
A cerca de 135 km de Rio Grande e a 70 km da Praia do Hermenegildo, a estrutura de 44 metros de altura funciona desde 1909 como guia para navegantes em uma região marcada por ventos fortes e histórico de naufrágios.
Mantido pela Marinha do Brasil, o farol opera com gerador próprio e é administrado por militares que se revezam em longos períodos no local.
Cercado por dunas, sem acesso fácil e distante de centros urbanos, o Albardão reforça o caráter isolado da região.
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