Vale (VALE3) enfrenta suspensão de alvarás em Minas Gerais após vazamentos, mas ações avançam
Os transbordamentos de água em instalações da mineradora ocorreram em Ouro Preto e Congonhas, no último domingo (25), em meio a um período de chuvas intensas na região central de Minas Gerais

No aniversário de sete anos da tragédia em Brumadinho, a Vale (VALE3) está vivendo um déjà vu amargo: um transbordamento de água em Congonhas (MG) de 200 mil metros cúbicos e um rompimento de um dique em Ouro Preto (MG).
Após os dois episódios, a Vale entrou na mira dos órgãos públicos. Nesta manhã (27), a prefeitura de Congonhas determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento da empresa na região, nas unidades de Fábrica e Viga.
A administração municipal também exigiu a adoção de medidas emergenciais de controle, monitoramento e mitigação ambiental. Com os incidentes, a água levou sedimentos para os rios da região, além de assorear os cursos d’água, de acordo com o governo mineiro.
Segundo a mineradora, as operações nas duas unidades foram suspensas e a companhia vai se manifestar “tempestivamente” sobre as ações demandadas.
A Vale também reiterou que suas barragens na região permanecem estáveis e seguras, sem qualquer alteração nas condições de monitoramento. Ela afirma que colabora com as autoridades e presta os esclarecimentos necessários.
Os dois episódios ocorreram no mesmo fim de semana em que Minas Gerais marcou os sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, tragédia que deixou 270 mortos.
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O peso dos vazamentos nas ações da Vale
Com os vazamentos, as ações VALE3 fecharam o último pregão em forte queda, de 2,29%, a R$ 83,07. Segundo a Ativa Investimentos, a notícia reascende preocupações com a segurança das operações da companhia.
Além disso, o movimento de desvalorização dos papéis da Vale ocorre também após uma sequência de forte alta das ações nos últimos dias, impulsionada pelo fluxo estrangeiro para ações brasileiras.
Já o Itaú BBA avalia que o impacto dos vazamentos é gerenciável, já que representam apenas uma pequena fração da meta anual da companhia. As unidades afetadas somam uma produção de aproximadamente 8 milhões de toneladas por ano, de acordo com a Vale.
Assim, segundo os analistas, se as operações pararem por um ano inteiro, representaria cerca de 2% da meta de produção da Vale para 2026, que é de 335 milhões a 345 milhões de toneladas. Mesmo com os vazamentos, a mineradora manteve o guidance para este ano.
O Itaú BBA manteve a recomendação de compra para os ADRs (American Depositary Receipts), embora estimem um preço-alvo de US$ 14, o que indica uma queda de 10,8% em relação ao fechamento de ontem. Na segunda-feira, a mineradora encerrou a sessão em queda de 2,97%, a US$ 15,70, na bolsa norte-americana.
Além disso, os analistas reconhecem que o fluxo de notícias negativas e o maior escrutínio regulatório podem pressionar o desempenho das ações no curto prazo.
Apesar disso, nesta manhã, os ADRs (American Depositary Receipts) da Vale disparavam. Por volta das 11h40 os papéis subiam 3,18%, a US$ 16,20.
Com a abertura dos mercados no Brasil, as ações da Vale também registram forte valorização. Por volta das 11h40, VALE3 subia 1,96%, a R$ 84,70.
Os transbordamentos em Minas Gerais
Os episódios ocorreram em meio a um período de chuvas intensas na região central de Minas Gerais. O primeiro transbordamento foi registrado no domingo (25), na mina de Fábrica, localizada em Ouro Preto.
A água atravessou o dique Freitas e carregou sedimentos, provocando impactos ambientais, mas sem vítimas. A prefeitura de Ouro Preto informou que a ocorrência se deu em área rural, afastada do centro histórico e em um local pouco populoso.
O material avançou sobre a Unidade Pires, da CSN Mineração, alagando áreas como o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque entre outras áreas e atividades. Apesar disso, a companhia informou ainda que as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração continuam operando normalmente.
Menos de 24 horas depois, outro vazamento foi registrado, dessa vez em Congonhas. Segundo a Vale, o episódio ocorreu também no domingo (25), na Mina Viga.
Segundo a prefeitura, houve vazamento de 263 mil metros cúbicos de água turva que continha minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral.
De acordo com a Defesa Civil, a água atingiu o Rio Maranhão e, apesar de não ter causado bloqueio de vias ou necessidade de evacuação, foram causados danos ambientais.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou a adoção de medidas emergenciais de reparação, como limpeza, monitoramento e a apresentação de um plano de recuperação ambiental. A Vale também será autuada por infrações à legislação estadual de licenciamento ambiental.
O impacto, de acordo com a prefeitura de Congonhas, é ambiental, com perda de biodiversidade, piora da qualidade da água, queda de oxigenação, aumento de possibilidades de enchentes e efeitos nas matas ciliares.
"Nas áreas mais próximas ao rompimento da cava na área da Mina de Fábrica, da Vale, percebemos arraste de árvores e rochas e mudança no curso do rio”, disse João Lobo, secretário de municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, em nota.
Vale sob pressão
Diante dos episódios, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) realize fiscalização rigorosa e apure a responsabilidade dos casos.
Em ofício encaminhado ao diretor-geral da agência, o ministro solicitou a análise das estruturas impactadas e a adoção das medidas necessárias, incluindo eventual interdição de operações, além do acionamento de órgãos ambientais e de Defesa Civil.
Este é o segundo ofício enviado pelo ministro à ANM. O primeiro foi enviado no domingo, após o primeiro extravasamento de água.
Em nota, a Vale reiterou que os vazamentos não têm relação com barragens de rejeitos, que não houve carregamento de rejeitos de mineração e que as ações de inspeção e manutenção são reforçadas durante o período chuvoso.
Segundo a mineradora, as causas dos dois episódios estão sendo apuradas e os aprendizados serão incorporados aos planos de contingência.
*Com informações do Money Times.
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