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C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA

Varejista pretende acelerar a abertura de lojas, dobrar a participação do digital e manter investimentos até 2030; mesmo após cortar estimativas, banco vê espaço para dividendos e recompra de ações

Fachada da loja da C&A (CEAB3).
Fachada da loja da C&A (CEAB3) - Imagem: iStock

Depois de gastar os últimos anos arrumando a casa, a C&A (CEAB3) acredita que chegou a hora de começar a colher os resultados — e uma parcela maior do dinheiro gerado pela varejista poderá acabar no bolso dos acionistas.

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Essa foi a principal mensagem captada pelo Itaú BBA durante o Investor Day da companhia. Mesmo diante de um cenário mais difícil para o consumo, a administração indicou que pretende aumentar o foco no retorno aos investidores, sem abandonar os investimentos considerados necessários para sustentar o crescimento.

Para o banco, a C&A deve ter caixa suficiente para conciliar as duas frentes. A questão é quanto desse dinheiro será efetivamente distribuído.

No cenário-base do Itaú BBA, as ações podem entregar um dividend yield mínimo de aproximadamente 6% em 2027. O retorno ao acionista pode alcançar teoricamente 14% em uma hipótese mais otimista, caso a varejista também use o excesso de fluxo de caixa para recomprar ações.

A cifra, chamada de shareholder yield, combina dividendos e recompras. Não se trata, porém, de uma promessa da C&A, mas de uma simulação feita pelos analistas a partir do caixa que a companhia poderá gerar.

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Mesmo após reduzir as projeções de receitas e lucros, o banco manteve a recomendação de compra para CEAB3. O preço-alvo é de R$ 18 ao fim de 2027, o que representa um potencial de valorização de cerca de 121% em relação aos valores atuais de negociação.

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De onde virá o dinheiro da C&A

O Itaú BBA estima que a varejista alcançará um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de aproximadamente R$ 1,2 bilhão em 2027, antes dos efeitos contábeis do IFRS 16. O indicador mede o resultado operacional da companhia.

Essa geração será parcialmente consumida pelos investimentos e pelas necessidades do próprio negócio. O banco calcula um consumo de R$ 145 milhões pelo capital de giro e desembolsos de aproximadamente R$ 700 milhões em investimentos, equivalentes a 7,9% da receita líquida.

Também entram na conta R$ 250 milhões provenientes da monetização de créditos tributários. Depois de considerar impostos, despesas financeiras e outros efeitos, a projeção é de um fluxo de caixa livre para os acionistas de aproximadamente R$ 340 milhões em 2027.

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Os investidores gostariam de ver a maior parte desse montante devolvida por meio de dividendos ou recompras, segundo o Itaú BBA. A decisão final, contudo, continuará nas mãos da administração.

A C&A também indicou que poderia operar com uma dívida líquida equivalente a até 0,5 vez o Ebitda. Isso não significa, segundo os analistas, que a empresa pretenda tomar empréstimos no curto prazo para financiar um dividendo extraordinário.

Pelas estimativas do banco, a varejista deve encerrar 2027 com uma posição de caixa líquido, desconsiderando os passivos de arrendamento.

Investimento não será sacrificado

A maior disposição para remunerar os acionistas não significa que a C&A pretende fechar a torneira dos investimentos.

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A companhia espera destinar entre 7% e 8% da receita líquida a investimentos até 2030. O percentual está próximo dos 7,2% registrados nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2026.

O dinheiro financiará a abertura de 60 a 80 lojas, a reforma de 100 a 120 unidades dentro do modelo Energia, iniciativas de tecnologia e mudanças na estrutura logística.

Portanto, o plano não consiste apenas em extrair caixa do negócio atual. A estratégia é ampliar uma fórmula que, na visão da administração, já provou ser capaz de elevar a produtividade das lojas e as vendas por metro quadrado.

Batizado de Full Power, o planejamento para o período entre 2027 e 2030 terá quatro pilares: reforço da oferta de produtos, maior integração entre lojas e canais digitais, aprofundamento do relacionamento com os clientes e aceleração da expansão física.

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A nova fase da C&A

Boa parte da estratégia futura parte dos resultados alcançados pelo Projeto Energia, plano de transformação implantado pela varejista nos últimos anos.

Uma das iniciativas é o programa Dispersão, que adapta a quantidade de funcionários, os processos, o desenho das lojas e o sortimento às características específicas de cada unidade.

O modelo já foi implantado em mais de 100 lojas. Segundo os dados apresentados pela companhia, as vendas de roupas por metro quadrado dessas unidades aumentaram 34% entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025.

A próxima etapa envolve levar essas medidas a um número maior de lojas e usar ferramentas digitais para tornar a oferta de produtos mais precisa.

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A administração pretende aumentar a velocidade de desenvolvimento das coleções, melhorar a qualidade e ajustar o sortimento de acordo com a demanda de cada região. Inteligência artificial, precificação dinâmica e análise de dados terão um papel importante nesse processo.

A C&A também quer ampliar o modelo conhecido como Push & Pull, que combina o envio inicial de mercadorias às lojas com a reposição baseada na demanda observada.

A cobertura desse sistema deve passar de 54% dos produtos em 2025 para aproximadamente 70% até 2030. A expectativa é reduzir estoques inadequados e aumentar a disponibilidade dos itens com maior procura.

C&A quer mais que dobrar participação digital

O comércio eletrônico representa atualmente cerca de 7% das vendas da C&A. A meta é elevar essa participação para 15% até 2030.

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A companhia também pretende triplicar a base de consumidores que compram em mais de um canal, combinando lojas físicas, site e aplicativo.

Esses clientes são especialmente valiosos para a varejista. De acordo com os números apresentados no encontro com investidores, consumidores considerados omnicanal compram duas vezes mais e gastam o dobro daqueles que utilizam apenas um canal.

As primeiras mudanças já apresentaram resultados. A reformulação do site e do aplicativo aumentou a conversão do comércio eletrônico em 29% e melhorou a margem bruta do canal em 5 pontos percentuais.

Ferramentas apoiadas por inteligência artificial, por sua vez, chegaram a registrar taxas de conversão até cinco vezes superiores às jornadas tradicionais de compra.

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O C&A Pay também será usado para reforçar esse ecossistema. A solução financeira responde atualmente por 28% das vendas da varejista, participação que deve subir para 35% até 2030.

Ao concentrar pagamentos e informações sobre o comportamento dos consumidores, a ferramenta pode ajudar a companhia a personalizar ofertas e estimular a recorrência das compras.

Logística entra na lista de prioridades

Parte relevante dos investimentos será destinada à reformulação da malha logística. A C&A pretende regionalizar a distribuição, criar centros urbanos de apoio, ampliar a capacidade do comércio eletrônico e acelerar a reposição dos produtos nas lojas.

A varejista também prevê investimentos em automação, identificação de mercadorias por radiofrequência, análise de dados e inteligência artificial.

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O objetivo é reduzir o tempo necessário para reabastecer as unidades e adequar o sortimento à procura de cada mercado. Uma logística mais eficiente também será necessária caso a companhia cumpra a meta de mais que dobrar a participação das vendas digitais.

Itaú corta projeções, mas mantém otimismo com CEAB3

Apesar da avaliação positiva sobre a estratégia, o Itaú BBA reduziu algumas de suas estimativas para a C&A.

A projeção de receita líquida para 2027 caiu 2,2%, para R$ 8,89 bilhões. A expectativa para o Ebitda ajustado, antes dos efeitos do IFRS 16, foi cortada em 6,6%, para R$ 1,2 bilhão.

Já a previsão para o lucro líquido ajustado recuou 5%, para R$ 504 milhões. Na metodologia própria do banco, que desconsidera os ganhos relacionados à correção monetária dos créditos tributários, a projeção de lucro caiu 5,5%, para R$ 458 milhões.

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Os analistas também ficaram mais conservadores com as vendas nas mesmas lojas — indicador que considera apenas as unidades em operação há mais de 12 meses. A estimativa de crescimento para 2027 passou de 7,1% para 5,2%.

Os cortes refletem um ambiente macroeconômico mais desafiador e uma recuperação mais gradual do consumo. Ainda assim, o banco considera que o preço atual das ações já embute um cenário excessivamente pessimista.

As ações da C&A são negociadas a aproximadamente cinco vezes o lucro estimado para 2027. Após os ajustes feitos pelo Itaú BBA para considerar os créditos tributários, o múltiplo cai para 3,9 vezes.

Além do desconto, os analistas enxergam a distribuição de dividendos e as possíveis recompras como uma proteção para a ação em caso de piora do mercado.

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Assim, a tese do banco combina três elementos: uma ação considerada muito barata, uma estratégia operacional que já começou a apresentar resultados e a perspectiva de que uma parcela maior do caixa seja devolvida aos investidores.

A C&A ainda precisará atravessar um ambiente difícil para o varejo, financiar a expansão e provar que os ganhos do Projeto Energia podem ser reproduzidos em uma rede maior. Mas, para o Itaú BBA, a companhia entra no novo ciclo com uma questão mais confortável do que no passado: não se o caixa será gerado, mas quanto dele chegará aos acionistas.

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