Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
A Natura anuncia mudança na liderança e antigo CEO assume o cargo de João Paulo Ferreira, impulsionando a próxima fase da empresa

A Natura (NATU3) afirmou que, depois de 10 anos no cargo de CEO, João Paulo Ferreira deixará a liderança da companhia. Alessandro Carlucci, que já comandou a companhia no passado e faz parte do seu conselho, passará a ser o novo diretor-presidente.
A decisão foi tomada em uma reunião do conselho de administração da companhia de beleza e cosméticos no dia 28 de agosto e divulgada hoje (31) pela manhã, em fato relevante.
Ferreira ficará no cargo até 30 de setembro deste ano. Ele também renunciou ao cargo de membro do conselho de administração e de comitês, com efeitos a partir de agora. "João Paulo deixa como legado uma empresa sólida e uma marca forte, prontas para o próximo ciclo de expansão", escreveu a companhia.
"Como CEO, João Paulo liderou importantes marcos na história da Natura. Foi sob a sua liderança que a empresa se tornou multicanal, digitalizou a Venda Direta, integrou as operações da Avon, ampliou sua presença nos mercados hispânicos e alcançou a liderança do mercado latino-americano de beleza, triplicando a receita no período e mantendo sempre o propósito de transformar desafios socioambientais em oportunidade de negócios", disse a companhia no fato relevante.
Carlucci já comandou a Natura como CEO entre 2005 e 2014 "e reúne profundo conhecimento do modelo de negócios da Companhia com vasta experiência recente adquirida em outras grandes organizações nos setores de consumo, varejo e comércio digital".
Mudanças no conselho
A empresa também anunciou mudanças em seu conselho de administração. Fábio Barbosa, membro do conselho consultivo da empresa e responsável pela estratégia de reorganização de capital da empresa, retorna à presidência do conselho de administração.
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Na semana passada, a Advent International garantiu seu lugar à mesa da Natura, com a eleição de dois nomes indicados pela gestora para o conselho de administração.
Além disso, os investidores aprovaram a dispensa da obrigação de OPA para o Lotus Fundo de Investimento, veículo ligado à gestora, e a ampliação do conselho para 10 cadeiras.
"Ainda que essas mudanças fossem amplamente esperadas como consequência do investimento da Advent, vemos como os primeiros passos concretos da transição na governança da Natura debaixo de sua nova estrutura acionária", escreveu o BTG Pactual em relatório.
"A representação da Advent no Conselho de Administração deve aumentar sua capacidade de influenciar decisões estratégicas e marca o início do que pode se tornar uma transformação mais ampla em termos de governança e operações", dizem os analistas.
Mesmo assim, o futuro da empresa não depende apenas de suas mudanças de governança, mas sim da execução, diz o banco.
Natura vive nova crise?
Mesmo depois de uma reorganização intensa, a empresa de beleza continua enfrentando resultados ruins. A Natura viu a receita cair 9,1% e o lucro despencar 82% no segundo trimestre do ano.
"O desempenho foi pressionado pelo ambiente de consumo fraco e por desafios operacionais internos e ajustes que impactaram as vendas das marcas Natura e Avon no Brasil", explicou a empresa.
"Reconhecemos que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos", afirmou Ferreira na teleconferência de resultados.
Um dos principais problemas da companhia nos últimos meses foi a escassez de produtos, provocada por mudanças em sistemas e processos logísticos que a companhia vem implementando.
A falta de produtos, somada ao cenário macroeconômico desafiador, também derrubou o volume de vendas das consultoras. Como consequência, houve uma redução na atividade e na produtividade dessas parceiras.
E será esse cenário que o próximo presidente deve enfrentar.
"Como o cenário operacional continua desafiador, um potencial de valorização mais significativo dependerá, em última instância, da execução e da capacidade da companhia de transformar a nova estrutura acionária em melhorias sustentadas de desempenho operacional e financeiro", diz o BTG, que tem recomendação neutra para a ação.
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