A fabricante Randon (RAPT4) disparou na bolsa depois de fechar um contrato com Arauco e Rumo (RAIL3); veja o que dizem os analistas sobre o acordo
Companhia fecha acordo de R$ 770 milhões para fornecimento de vagões e impulsiona desempenho de suas ações na B3

A Randoncorp (RAPT4) acelerou também fora das estradas e figura entre as maiores altas da B3 nesta terça-feira (6). A fabricante de vagões e implementos rodoviários viu suas ações, negociadas fora do Ibovespa, dispararem depois de fechar um contrato com a Arauco Porto Brasil para o fornecimento de vagões por cerca de R$ 770 milhões.
Por volta de 13h36 (horário de Brasília), RAPT4 registrava avanço de 5,11%. Mais cedo, os papéis registraram máxima intradia com alta de 7,94%.
Segundo a empresa, o contrato prevê o fornecimento de um “volume relevante” de vagões, que serão fabricados e entregues ao longo de 19 meses — entre maio de 2026 e novembro de 2027.
“Esse contrato contribuirá de forma relevante para o desempenho da Vertical Montadora nos próximos dois anos”, afirmou a Randoncorp à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A companhia já fabricou mais de 13 mil vagões ao longo da sua história.
A Arauco Porto Brasil é uma subsidiária da chilena Arauco, empresa florestal líder na produção de painéis de madeira (MDF e MDP) e celulose. Ela está construindo uma fábrica em Inocência, o Projeto Sucuriú, com um investimento de cerca de US$ 4,6 bilhões.
As operadoras logísticas da Rumo (RAIL3) entraram como intermediárias no negócio, já que esses vagões irão rodar nas suas ferrovias.
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O que dizem os analistas?
Para os especialistas no assunto, o negócio da Randocorp é positivo para a companhia.
Nas contas do Bradesco BBI/Ágora Investimentos, o novo contrato deve aumentar a receita do segmento de montadoras em cerca de 10% neste ano e elevar a receita consolidada da empresa em cerca de 2%.
O pedido vem em um bom momento, já que a demanda por implementos, outro produto da Randon, permanece fraca, afirmaram os analistas Daniel Federle, André Ferreira, Wellington Lourenço e José Ricardo Rosalen.
A equipe ainda considera que a Randon começou a entregar um contrato de vagões no terceiro trimestre de 2025 (3T25), que contribuiu com R$ 34 milhões no período. Com essa referência, os analistas estimam que o novo contrato deve contribuir entre R$ 110 milhões e R$ 120 milhões no 4T25.
“Esse novo contrato deve permitir manter a contribuição dos vagões nesse nível de R$ 120 milhões por trimestre até o final de 2027”, acrescentaram.
O Bradesco BBI avalia que o acordo também é positivo para Rumo. “A empresa continua diversificando sua base de carga e crescimento por meio de uma abordagem de poucos ativos, já que o cliente fará o investimento no material rodante.”
Já o Safra destaca que os contratos de vagões geralmente possuem maior rentabilidade, “o que deve ajudar a compensar volumes mais fracos de semirreboques e a pressão contínua do setor de agronegócio”.
“Em discussões recentes com a gestão, a Randon apontou uma forte atividade comercial no segmento de vagões ferroviários. Embora não esperemos que contratos adicionais se materializem no curto prazo, acreditamos que novos processos de licitação possam ocorrer ao longo do ano, o que aumentaria a visibilidade da carteira (backlog) e daria suporte incremental ao crescimento da receita”, diz o banco.
Perspectivas para a Randon
Apesar de considerar o acordo positivo para a Randon, o Itaú BBA manteve a visão cautelosa sobre a empresa por enquanto, já que os negócios de reboques e autopeças da Randon estão sendo afetados negativamente pela fraca demanda de veículos pesados no Brasil.
O banco tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 7,50, o que corresponde a um salto potencial de 27,8% sobre o preço de fechamento de ontem até o final de 2026.
O Bradesco BBI também tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 8,00 — potencial alta de 36,3% sobre o preço de fechamento anterior até dezembro.
Já o Safra recomenda compra das ações RAPT4 e tem preço-alvo de R$ 7,80, o que implica em uma valorização de 38% sobre o preço de ontem nos próximos 12 meses.
*Com informações do Money Times
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