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Larissa Bernardes

Larissa Bernardes

Repórter no Seu Dinheiro, formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Possui experiência na cobertura do mercado financeiro em tempo real, economia, política e cenário internacional. Passou por Agência Estado, Safras News, DCM e Record TV.

SEMANA NEGATIVA

O que derrubou a Suzano (SUZB3)? Ação fica abaixo dos R$ 50 mesmo com Ibovespa em alta recorde

Companhia cai 7,26% na semana e destoa do clima positivo na bolsa brasileira. Entenda o impacto do dólar, do corte do BofA e da pressão no mercado de celulose

Larissa Bernardes
Larissa Bernardes
10 de abril de 2026
19:28 - atualizado às 19:02
Suzano (SUZB3)
Suzano (SUZB3) - Imagem: Divulgação

A Suzano (SUZB3) voltou a fechar no vermelho nesta sexta-feira (10), em um dia de forte alta da bolsa brasileira. As ações da companhia recuaram 0,92%, a R$ 47,16, acumulando perda de 7,26% na semana.

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O movimento contrasta com o desempenho do Ibovespa, que encerrou o pregão em alta de 1,12%, aos 197.323,87 pontos, renovando máximas históricas pelo terceiro dia consecutivo.

No câmbio, o dólar à vista terminou o dia a R$ 5,0115, com queda de 1,03% e recuo de 2,88% na semana — fator que ajuda a explicar parte da pressão sobre a exportadora.

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Câmbio e rebaixamento pesam sobre Suzano

O principal vetor de baixa vem da combinação entre a desvalorização do dólar, que reduz a receita em reais de empresas com forte exposição externa, e a revisão de recomendação feita pelo Bank of America (BofA) no início da semana.

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Na terça-feira (7), o banco rebaixou a ação de compra para neutra, refletindo uma visão mais cautelosa para o mercado global de celulose. A avaliação é de que os preços da commodity devem seguir pressionados por mais tempo, diante de um excesso estrutural de oferta.

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Além disso, os analistas promoveram um corte relevante no preço-alvo para o fim de 2026, de R$ 82 para R$ 57 — uma redução de R$ 25. O novo valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 21% em relação ao fechamento de hoje.

No caso do ADR negociado na bolsa de Nova York (Nyse), o preço-alvo caiu de US$ 16 para US$ 11, com potencial de upside de cerca de 17%.

Energia cara e guerra ampliam riscos

O cenário adverso para o setor vai além da dinâmica de oferta e demanda. A disparada dos preços de energia tem impacto direto sobre a indústria de celulose, considerada uma das mais intensivas nesse insumo.

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Desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, as ações da Suzano acumulam queda superior a 15%.

O conflito também elevou os custos logísticos e de insumos. A alta do petróleo encareceu o transporte marítimo, rodoviário e ferroviário, além de pressionar o preço de produtos químicos utilizados na produção.

Nesse contexto, a Suzano afirmou nesta sexta-feira (10) que os preços globais de itens como papel higiênico, lenços de papel e fraldas devem subir, à medida que as empresas tentam repassar os custos mais elevados ao consumidor.

Repasse de preços no radar da Suzano

Com valor de mercado superior a US$ 60 bilhões, a Suzano é a maior produtora global de celulose usada por empresas como a Kimberly-Clark, dona de marcas como Cottonelle e Kleenex.

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Segundo Paulo Leime, diretor-geral da companhia para Europa, Oriente Médio e África, a tendência é de pressão inflacionária ao longo da cadeia.

“Com certeza haverá um aumento de custos em todo o sistema, em toda a cadeia de valor”, afirmou o executivo à Reuters.

“Isso pressionará os preços do papel. Se essa crise continuar, a inflação deverá retornar a vários produtos, não apenas papel e lenços de papel”, completou.

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