Não é o ferro: preço de minério esquecido dispara e pode impulsionar a ação da Vale (VALE3)
O patinho feio da mineração pode virar cisne? O movimento do níquel que ninguém esperava e que pode aumentar o valor de mercado da Vale

Um mineral esquecido e, até então, deixado de escanteio, pode voltar a brilhar — e, de quebra, trazer bons resultados para a Vale (VALE3). Mais do que isso: o mercado ainda não percebeu esse potencial, o que pode ser uma oportunidade para os investidores. Caso a tendência se confirme, o Ebitda pode subir 8%, e a ação pode subir 20%.
O preço do níquel disparou em poucas semanas. Esse metal é usado em eletrônicos, componentes de aeronaves, aço inoxidável e baterias para veículos ou geradores, com usos em diversas indústrias. Porém, sua extração é pouco sustentável e depende de energia térmica vinda de carvão, com alta emissão de gases de efeito estufa.
A mineradora brasileira é uma das maiores produtoras globais de níquel, atrás da Norilsk Nickel, maior empresa de mineração e metalurgia da Rússia. Mas até então esse era visto como um patinho feio entre os cisnes da Vale, como o minério de ferro e o cobre.
A unidade de níquel da companhia tem um Ebitda negativo há diversos anos, e continuamente queima caixa. O aumento no preço do metal, porém, pode ajudar a companhia a transformar essa divisão em um segmento lucrativo.
Além disso, a companhia também realizou um programa de eficiência na divisão de níquel que já apresentou US$ 240 milhões em cortes de custos.
Mudanças na Indonésia
A Indonésia, responsável por mais de metade de todo o suprimento de níquel do mundo, está discutindo novas legislações. A Vale inclusive tem uma joint venture com o governo local para a exploração do metal no país do sudeste asiático.
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A associação de mineradores de níquel do país está propondo um alvo de extração de 250 milhões de toneladas da matéria-prima para este ano, ante 359 milhões de toneladas em 2025.
O receio de haver falta dessa commodity no mercado tem levado o preço a disparar no curto prazo, de US$ 14 mil para US$ 18 mil por tonelada em apenas um mês.
O potencial que o mercado ainda não enxergou
A Vale ainda é precificada como se fosse uma empresa baseada puramente em minério de ferro, com um valuation de 4 vezes entre valor de mercado e Ebitda, enquanto as rivais têm as ações negociadas entre 7 e 10 vezes.
O negócio de metais de base da mineradora — que engloba cobre, níquel e cobalto — pode ser responsável por 15% a 20% do seu Ebitda consolidado, com Ebida de US$ 3 bilhões em 2026. Com a explosão no preço do níquel, a Vale pode ganhar 8% a mais.
Em relatório, o BTG diz que ainda precisa de algumas semanas para avaliar se essa tendência se mantém. Se a recuperação da unidade de níquel realmente se confirmar, o banco pode atualizar suas projeções para a mineradora.
"Se você assumir que a unidade de metais básicos da Vale gera US$4 bilhões em Ebitda e é negociada a 6,5 vezes EBITDA, muito inferior ao grupo de pares globais, acreditamos que isso poderia destravar perto de 20% do valor de mercado apenas com esse efeito de reprecificação. Nada mal”, informou o banco.
Ou seja, a empresa poderia sair de um valor de mercado de US$ 59,5 bilhões para algo perto de US$ 73 bilhões.
"Acreditamos que a Vale virou a página em seus problemas de legado, como desafios institucionais, Brumadinho, Samarco e instabilidade operacional, e está reconquistando a confiança do investidor", afirma o relatório.
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