Juros são o maior desafio da Smart Fit (SMFT3), segundo o CEO. Como a líder do setor fitness tem crescido nesse cenário?
Em entrevista, o CEO Diogo Corona diz qual é o patamar atual da empresa e o que espera para o mercado fitness

O Grupo Smart Fit (SMFT3) é o maior do mercado fitness. Ele reúne academias próprias, franquias, estúdios de wellness e a plataforma agregadora TotalPass. Porém, mesmo com uma estrutura robusta e que tem conquistado os investidores na bolsa — a alta de 44% na ação nos últimos 30 dias é exemplo disso —, a companhia não é blindada do cenário macroeconômico.
Segundo Diogo Corona, CEO do grupo há oito meses, o principal fator que afeta a rede hoje é o nível dos juros.
Em entrevista exclusiva ao Money Times, portal de notícias parceiro do Seu Dinheiro, o executivo com mais de 15 anos de experiência na companhia e que foi o responsável pela criação do TotalPass diz qual é o patamar atual da empresa.

“O que mais nos afeta é a questão de juros. Eu não me lembro de ter visto o varejo sofrendo tanto. Cada vez que a gente abre o jornal, vê uma rede quebrando”, diz Corona.
"Empreender num país com juros quase a 15% é inviável. Porque você tem que investir dinheiro que dê mais retorno que 15%. Como você vai fazer isso? É superdifícil”.
Na realidade da Smart Fit, o cenário colocou a cautela e diligência no centro das tomadas de decisões de investimentos e expansões.
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Ainda assim, a empresa recentemente anunciou a chegada na Venezuela e a compra de parte do Buddha Spa. Essas movimentações fazem parte da estratégia do grupo de ir além do campo da academia para diversificar e criar um ecossistema completo.
Franquia como expansão internacional com menor risco
Diogo Corona é filho do fundador e ex-CEO do Grupo Smart Fit, Edgard Corona. Ele assumiu a posição com o desafio de expandir a rede em meio a um cenário macroeconômico desfavorável e com o acirramento da competitividade no setor.
Uma das decisões mais recentes nesse sentido foi a entrada na Venezuela, local apontado pelo CEO como a lacuna que faltava preencher no mapa latino-americano da companhia.
Com a abertura da primeira unidade venezuelana, a companhia passa a estar presente em 17 países e continua avaliando oportunidades de expansão.
A entrada na Venezuela se deu por meio de franquias. A presença global da companhia se divide entre unidades próprias e as franqueadas, sendo que alguns locais — como Brasil — contam com uma mistura das possibilidades. Entre os critérios para definição, está o tamanho do mercado.
Nos bastidores, a administração da companhia pondera o tamanho do mercado, ambiente macroeconômico e geopolítico de cada país antes de decidir se e como irá entrar.
Além disso, em geral, quando o país é pequeno, a companhia opta por um modelo 100% franquia. Já em países médios, a Smart Fit entra 100% com unidades próprias.
Já países grandes, o modelo optado é o misto, como Brasil e México. “O Brasil é muito grande. Fazer o Brasil inteiro com o nosso dinheiro é muito dinheiro. Então fazemos os dois ao mesmo tempo”, detalhou.
No caso da Venezuela, a Smart Fit já olhava para o mercado há algum tempo, mas era travada justamente pela instabilidade política e econômica.
A percepção mudou diante da entrada de capital estrangeiro no país e da melhora do cenário econômico, colocando a Venezuela em um ambiente mais favorável aos negócios.
“Queremos entrar e colher frutos disso agora que a gente vê uma perspectiva positiva. Mas, como o nível de risco ainda é muito grande, preferimos tomar esse risco como franquia, que não tem um risco de capital”, contou.
O hype do mercado fitness
O executivo do grupo também vê com bons olhos o crescimento do mercado fitness. Corona afirma que a preocupação com saúde e atividade física já segue uma trajetória de crescimento há mais de duas décadas.
Na visão do executivo, a pandemia pode ter acelerado essa percepção, mas a tendência já estava em curso.
Principalmente nas redes sociais, é possível observar uma intensificação da chamada “era wellness”, pautada em bem-estar, atividades físicas e saúde.
A economia global de bem-estar atingiu US$ 6,8 trilhões em 2024, segundo o Global Wellness Economy Monitor. Um prato cheio para o ecossistema da Smart Fit.
Somado a isso, ele vê a maturação do setor tornando o consumo mais sofisticado.
À medida que o público se interessa mais por atividade física, surgem demandas por modalidades específicas, academias especializadas e produtos direcionados a diferentes perfis de consumidores.
“Não parece ser uma moda que a galera vai voltar depois a beber, fumar. Parece realmente ser uma coisa muito consistente, que já vinha vindo. Só que eu acho que tem os países em pontos diferentes dessa curva. Nem todo mundo está no ponto da curva que está o Brasil, Estados Unidos e Europa.”
Cabe destacar, no entanto, que o outro lado da moeda neste cenário é uma competitividade elevada, tanto com academias de bairro e quanto com outras redes.
A Gaviões, por exemplo, tem o apelo de funcionamento 24 horas por dia em diversas unidades, e a Panobianco possui 400 lojas abertas e com a leitura do Itaú BBA de que “veio para ficar”.
Fora isso, o agregador TotalPass tem no Wellhub uma forte concorrente em uma outra frente do negócio.
Nesse sentido de se destacar em meio à concorrência e ao “hype” do mercado fitness, a Smart Fit tem fortalecido as operações além da academia.
Hoje, o grupo reúne 192 estúdios, dos quais 89% são franquias, com marcas como Aera Pilates, Vidya Studio, Tonus Gym, Velocity, Kore, Jab House e Race Bootcamp. As operações foram recentemente concentradas sob uma única plataforma, a BEON Studios.
A aquisição de até 20% do Buddha Spa, anunciada no início de outubro, é mais um passo nessa estratégia. A ideia é fortalecer seu ecossistema de saúde e bem-estar em um mercado cada vez mais competitivo, incorporando serviços complementares e marcas com diferenciais próprios.
Estratégia diferente em locais diferentes
De acordo com Corona, outra estratégia do grupo é ter modelos diferentes de acordo com cada local de atuação.
Enquanto no Brasil há uma mistura de operações próprias, franquias, marcas próprias e TotalPass, outras geografias contam apenas com unidades da academia.
Na prática, o ecossistema abre um arsenal de possibilidades, que a administração da companhia precisa selecionar de acordo com cada passo de expansão que dá.
“Em algumas geografias operamos com esse modelo mais de ecossistema, agregador. Tudo que eu falei das três verticais não está presente em todos os países. Todos os países têm Smart Fit. Os estúdios estão mais no Brasil, e o TotalPass está no Brasil e México. Então você tem múltiplos negócios e múltiplas geografias”, diz o executivo.
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