Ações de saúde pegaram carona na eleição; agora, UBS BB revela o que pode vir pela frente para Rede D’Or, Hapvida e outras
Após o rali provocado pelo primeiro turno das eleições, banco vê potencial adicional para esses papéis caso os juros longos recuem mais

A queda dos juros após o primeiro turno das eleições deu um impulso às ações de saúde na bolsa brasileira. Mas, depois de uma semana de fortes altas, a próxima etapa do rali pode depender de um movimento adicional: a redução dos juros de longo prazo, que influencia diretamente quanto o mercado está disposto a pagar pelas empresas, avalia o UBS BB.
Os analistas analisaram o efeito da queda das taxas sobre Rede D’Or (RDOR3), Bradsaúde (SAUD3), Hapvida (HAPV3), Fleury (FLRY3) e Dasa (DASA3).
Para o banco, boa parte da reação inicial na bolsa foi compatível com a mudança nas condições financeiras. Ainda assim, novas quedas dos juros podem abrir espaço para mais valorização dos ativos.
Na semana em torno do primeiro turno, as ações avançaram entre 17% e 33%, enquanto os juros dos títulos públicos brasileiros recuaram cerca de 1 ponto percentual nos vencimentos de um ano e 1,75 ponto nos de dez anos.
Quem ganha mais com a queda dos juros?
Segundo o UBS BB, o efeito dos juros sobre as companhias não é uniforme.
Taxas menores reduzem o custo de capital usado para avaliar os negócios, o que tende a beneficiar empresas cujo valor depende mais de resultados futuros.
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Ao mesmo tempo, aliviam as despesas financeiras de companhias endividadas — mas podem reduzir os rendimentos de empresas que ganham dinheiro com suas aplicações.
Na avaliação do banco, a Bradsaúde e a Rede D’Or estão entre as mais beneficiadas quando o assunto é valuation.
Em um exercício que considera uma queda de 1,75 ponto percentual nos juros de dez anos, o valor justo estimado pelo banco aumentaria 24% para a Bradsaúde, 22% para a Rede D’Or, 21% para o Fleury, 18% para a Dasa e 17% para a Hapvida.
A lógica é a de que parte relevante do valor dessas empresas está nos resultados que elas devem gerar ao longo dos próximos anos. Quando a taxa usada para trazer esses ganhos futuros para valores de hoje diminui, o valor presente do negócio aumenta.
Já quando a análise se volta para o impacto dos juros sobre os lucros, o destaque muda. Uma redução de 1 ponto percentual nos juros de curto prazo elevaria em 14% o lucro líquido projetado para 2027 da Dasa, para R$ 428 milhões, e em 8% o da Hapvida, para R$ 334 milhões, segundo as estimativas do UBS BB.
As duas têm despesas financeiras relevantes em relação à geração operacional de caixa e, por isso, tendem a se beneficiar mais de um custo menor da dívida. Para Rede D’Or e Fleury, o ganho estimado seria mais modesto, de 1% e 2%, respectivamente.
Na Bradsaúde, o efeito seria inverso: o lucro líquido projetado para 2027 cairia 2%, para R$ 5,18 bilhões. Como seguradora, a companhia obtém receitas financeiras com os recursos reservados para honrar compromissos futuros. Com juros menores, esses rendimentos tendem a diminuir.
Quanto as ações de saúde ainda podem subir?
Para o UBS BB, a próxima perna de valorização do setor dependerá menos de novas revisões de lucro e mais da percepção de risco do Brasil.
Na visão dos analistas, a queda dos juros de curto prazo já foi amplamente incorporada às cotações. Até o segundo turno, marcado para 25 de outubro, um novo avanço dependeria principalmente de uma redução adicional das taxas de longo prazo.
Se os juros dos títulos públicos de dez anos caírem 0,75 ponto percentual, para 11,8%, o banco calcula um potencial adicional de valorização de aproximadamente 7% para Hapvida e Dasa, 10% para Fleury e Rede D’Or e 11% para Bradsaúde.
Em um cenário mais favorável, com a taxa de dez anos recuando para 11,3%, o potencial estimado subiria para uma faixa de 12% a 20%, dependendo da empresa.
O UBS BB ressalta, porém, que esses números são exercícios de sensibilidade, não previsões de retorno. Os cálculos isolam o efeito dos juros e não consideram eventuais mudanças no desempenho operacional das companhias.
O banco também destaca que as ações de saúde tendem a reagir com mais intensidade aos movimentos do mercado e, em geral, têm liquidez inferior à de outros setores. Entre as empresas acompanhadas pelo banco, a Rede D’Or se destaca por ser a ação com maior liquidez.
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