O jogo virou para o Magazine Luiza (MGLU3)? Itaú BBA eleva recomendação para compra com alívio nos juros e crise na Casas Bahia (BHIA3)
Depois da disparada de quase 60% em outubro, banco vê potencial de alta de 30,9% para as ações até o fim de 2027

Há tempos, o Magazine Luiza (MGLU3) tem sido visto como um dos patinhos feios da bolsa, não necessariamente por uma característica individual, mas pelo cenário macro. A companhia é muito sensível aos juros, que estão em dois dígitos há mais de quatro anos. Agora, as coisas parecem estar mudando para a empresa, pelo menos na visão do Itaú BBA.
O banco elevou a recomendação para as ações de neutra para compra (outperform) e estabeleceu um preço-alvo de R$ 16 até o fim de 2027, o que implica em uma valorização de 30,9% em relação ao fechamento da última sexta-feira (9). Cabe lembrar que o papel já subiu quase 60% desde o começo do mês de outubro.
Com a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições para presidente, o mercado está precificando que uma vitória do senador abriria caminho para reformas consideradas essenciais pelos investidores, sobretudo um ajuste fiscal. A expectativa também é favorecida pelo fato de que, se eleito, o filho do ex-presidente contará com um Congresso alinhado a essas mudanças, cenário que contribuiu para aliviar as curvas de juros futuros nos últimos dias.
Na avaliação do Itaú BBA, a perspectiva de juros mais baixos é especialmente importante para o Magazine Luiza, uma das empresas mais sensíveis às condições de crédito entre as varejistas acompanhadas pelo banco. Segundo os analistas, cada redução de 1 ponto percentual na curva de juros pode elevar o lucro por ação da companhia em 11%.
O banco projeta um cenário de normalização das taxas, com juros reais próximos de 6%. Nesse ambiente, a combinação entre alívio financeiro e melhora operacional pode impulsionar os resultados da varejista nos próximos anos.
Mas o Magalu também tem outro fator a seu favor: a crise de uma de suas principais concorrentes, a Casas Bahia (BHIA3).
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Crise da Casas Bahia abre espaço para o Magazine Luiza
Segundo os analistas, a varejista deve ganhar participação de mercado em meio às dificuldades enfrentadas pelo Grupo Casas Bahia. Em recuperação judicial, a concorrente fechou cerca de 29% de sua rede de lojas, movimento que pode abrir espaço para a companhia da família Trajano absorver parte da demanda.
Além disso, a deterioração das condições financeiras da empresa também pode comprometer sua capacidade de abastecimento, reduzir a variedade de produtos disponíveis e limitar os investimentos comerciais nas lojas que continuam em operação.
Isso porque empresas em recuperação judicial podem enfrentar restrições no crédito concedido por fornecedores, o que dificulta a recomposição dos estoques e a manutenção de condições comerciais competitivas. Inclusive, esse foi justamente o motivo que empurrou a Casas Bahia rumo a recuperação judicial, como você pode conferir neste vídeo do Seu Dinheiro no YouTube.
O relatório destaca que os estoques da Casas Bahia já haviam recuado de R$ 5,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026 para R$ 4,2 bilhões no segundo trimestre, antes mesmo do pedido de recuperação judicial.
Para o Itaú BBA, esse movimento reforça a possibilidade de que a oferta de produtos e a capacidade de competir da varejista continuem pressionadas nos próximos trimestres. Nesse cenário, fornecedores também poderiam direcionar mais mercadorias e apoio comercial a empresas com melhores condições financeiras para absorver a demanda deslocada, beneficiando diretamente o Magazine Luiza.
A proximidade entre as lojas das redes também favorece o Magalu. Segundo o Itaú BBA, aproximadamente dois terços das lojas fechadas da Casas Bahia tinham uma unidade do Magazine Luiza a menos de 400 metros. Essa sobreposição geográfica facilita a migração de consumidores, que podem encontrar na concorrente uma alternativa próxima para comprar eletrodomésticos, móveis e outros bens duráveis.
Os primeiros indicadores já apontariam para uma possível transferência de demanda. O banco estima que o crescimento das vendas nas mesmas lojas (same-store sales, ou SSS) do Magazine Luiza tenha alcançado a casa dos dois dígitos altos em setembro de 2026, primeiro mês completo após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia.
Como referência, o indicador havia avançado 9,7% no segundo trimestre deste ano. O banco também espera que as vendas online de produtos próprios, tenham voltado a crescer após uma queda de 11% no segundo trimestre.
Casas Bahia pode abrir espaço para bilhões entrarem no Magalu
Na visão dos analistas, o Magazine Luiza pode conquistar R$ 3,6 bilhões em vendas anuais adicionais até 2027 com a perda de espaço da Casas Bahia. O cálculo considera duas oportunidades: absorver parte das vendas das lojas fechadas pela concorrente e atrair consumidores que deixarem de comprar nas unidades que continuam em operação.
A primeira oportunidade está nas lojas fechadas. O banco estima que essas unidades respondiam por cerca de R$ 3 bilhões em vendas anuais. Se o Magalu conseguir atrair um terço desses consumidores, poderá adicionar R$ 1 bilhão por ano ao faturamento. Em um cenário mais conservador, com captura de 20% das vendas, o ganho seria de R$ 600 milhões. Já se conquistar 37,5% desse mercado, a receita adicional chegaria a R$ 1,125 bilhão por ano.
A segunda oportunidade está nas lojas que permanecem abertas. Nesse caso, o Itaú BBA considera uma base de vendas anuais de aproximadamente R$ 20 bilhões e projeta uma queda de 30% no faturamento dessas unidades. Isso representaria uma perda de R$ 6 bilhões para a Casas Bahia. Se o Magazine Luiza absorver 40% desse volume, poderá acrescentar cerca de R$ 2,6 bilhões às vendas anuais.
Essa segunda frente, porém, deve avançar mais lentamente, já que depende da capacidade da Casas Bahia de recompor os estoques e manter o abastecimento das lojas. Quanto maiores forem as dificuldades da concorrente para oferecer produtos e condições comerciais competitivas, maior poderá ser o espaço para o Magalu conquistar clientes.
A oportunidade é relevante, mas não está livre de riscos
Apesar da perspectiva favorável, o Itaú BBA não trata a captura de mercado como garantida. A Casas Bahia pode estabilizar suas operações durante o processo de recuperação judicial, recompor estoques e preservar parte de sua base de clientes. Além disso, o desempenho do setor de eletrodomésticos continua condicionado às condições de crédito e à demanda por bens duráveis.
Para o Magazine Luiza, o desafio será transformar o aumento das vendas em rentabilidade e geração de caixa. O crescimento exige mais capital de giro para financiar estoques e recebíveis, e uma expansão acelerada pode pressionar as necessidades de financiamento da companhia.
Por isso, embora a crise da concorrente represente uma oportunidade comercial, o impacto efetivo sobre o valor da ação dependerá da velocidade com que o Magalu conquistar esses consumidores, das margens obtidas nas vendas e de sua capacidade de converter os ganhos operacionais em fluxo de caixa.
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