Depois de Venezuela, esse outro país pode virar o novo “El Dorado” da Aura Minerals (AURA33)
A mineradora recebeu a licença final de construção e deu início às obras preliminares do Projeto Era Dorada. Como isso pode impulsionar a empresa daqui para frente?

Como toda mineradora, a Aura Minerals (AURA33) sonha em encontrar seu próprio El Dorado: a terra mítica onde o ouro brotaria do chão e tudo seria revestido pelo precioso metal. Na última segunda-feira (5), as incertezas geopolíticas chegaram a colocar a Venezuela nesse imaginário, ajudando a impulsionar as ações da companhia na bolsa. Mas, hoje, a empresa parece ter encontrado um novo caminho dourado da América Latina – e ele se encontra um pouco mais ao norte: mais especificamente, na Guatemala.
É ali, em Jutiapa, que a mineradora a Aura acaba de destravar um projeto que há meses figurava como promessa: a empresa recebeu a licença final de construção e deu início às obras preliminares do Projeto Era Dorada.
Até pouco tempo atrás, o ativo era conhecido como Cerro Blanco e estava sob controle da Bluestone. Trata-se de um depósito de ouro de alto teor no sudeste da Guatemala.
Em janeiro de 2025, a Aura concluiu a aquisição da empresa e herdou, junto com o projeto, todas as licenças preliminares necessárias para o desenvolvimento de uma mina subterrânea.
Faltava apenas uma peça para tirar o projeto do papel: a autorização definitiva para iniciar a construção. Ela veio agora — e reposiciona a Guatemala como o novo “El Dorado” no mapa estratégico da mineradora brasileira.
Guatemala: o novo El Dorado da Aura Minerals
O Projeto Era Dorada está localizado no departamento de Jutiapa, a cerca de 160 quilômetros da capital, Cidade da Guatemala, e aproximadamente nove quilômetros da fronteira com El Salvador. A licença de exploração cobre uma área de 15,25 quilômetros quadrados.
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A mina será subterrânea e tem produção estimada de 111 mil onças de ouro equivalente (GEO) nos primeiros quatro anos de operação plena, com potencial adicional de expansão ao longo do tempo.
Segundo Rodrigo Barbosa, presidente e CEO da Aura Minerals, a liberação da licença é resultado de um longo processo de diálogo com autoridades locais e representantes das comunidades da região.
Um ponto central dessa negociação foi a decisão da empresa de avançar exclusivamente com operações subterrâneas, descartando qualquer modelo de mineração a céu aberto.
Embora não haja histórico de mineração na área imediata do Era Dorada, a região conta com um legado relevante: o fechamento da mina Marlin, operada pela Goldcorp, em 2017, deixou uma base de mão de obra local treinada.
É justamente esse capital humano que a Aura pretende aproveitar. A empresa planeja contratar trabalhadores da própria região, com custos de treinamento já incorporados ao orçamento do projeto.
Um projeto que muda a escala da produção
Com a licença em mãos e as obras preliminares iniciadas, o Era Dorada deixa de ser apenas um ativo promissor no papel e passa a entrar, de fato, na rota de desenvolvimento da Aura.
No fim do ano passado, a Aura Minerals revisou para cima sua estimativa de produção anual, elevando o intervalo de 450 mil onças para cerca de 600 mil onças de ouro.
A projeção já incorpora a contribuição do Projeto Era Dorada, além da aquisição da MSG e de outros ativos em desenvolvimento.
“Com a integração desses ativos e projetos de alta qualidade, identificamos cenários em que a produção anualizada em ouro equivalente pode superar 600 mil onças nos próximos anos”, afirmou a companhia, em comunicado à época.
Segundo a Aura, esse avanço será impulsionado pela entrada plena em operação de Borborema, pelo turnaround operacional da MSG, pela construção e ramp-up planejados do Era Dorada e de Matupá, além do potencial de expansão em minas como Almas e Borborema.
Desde 2020, a estratégia da Aura Minerals tem sido clara: crescer por meio de projetos greenfield e expansões, alongar a vida útil das minas com exploração para ampliar recursos e reservas, e gerar valor ao acionista por meio de aquisições estratégicas.
Com o caminho finalmente aberto na Guatemala, a Aura dá um passo concreto nessa direção — transformando a busca pelo “El Dorado” em um projeto com licença, obras em andamento e ouro no horizonte.
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