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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

FICOU PARA TRÁS

Comeu poeira? Ação do Nubank decepciona entre os bancos em 2026, mas analistas enxergam “oportunidade rara” antes do 4T25

Enquanto os bancões brasileiros sobem mais de 20% no ano, o roxinho patina em Wall Street. Às vésperas do 4T25, analistas veem oportunidade onde o mercado vê risco; veja o que esperar

Camille Lima
Camille Lima
24 de fevereiro de 2026
17:47 - atualizado às 15:16
Celular com logo Nubank
Nubank - Imagem: Shutterstock

Às vésperas de divulgar o balanço do quarto trimestre, o Nubank (B3: ROXO34; Nasdaq: NU) entra em campo com estatísticas de campeão — mas, na bolsa, joga como coadjuvante. Enquanto os bancões renovam máximas em 2026, o roxinho ainda tenta encontrar tração — e acumula uma das piores performances entre os bancos latino-americanos desde o início do ano. 

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Desde janeiro, as ações do Nu recuam mais de 4% em Wall Street. No mesmo período, o Banco do Brasil (BBAS3) e o Itaú Unibanco (ITUB4) avançam mais de 20% na B3, enquanto o Bradesco (BBDC4) sobe 16%.  

Já o Santander Brasil (SANB11) e o Inter (INTR) tiveram desempenhos mais modestos na bolsa brasileira, de 3% e 4%, respectivamente. 

A fotografia mostra o Nubank ficando para trás — e levanta uma pergunta inevitável: o mercado está sendo exigente demais? 

Mas, para o Itaú BBA, a queda pode ser justamente uma oportunidade de ouro para marcar o gol. 

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O que pesa sobre as ações do Nubank em 2026? 

Segundo os analistas, a queda das ações do Nubank em 2026 não reflete deterioração dos fundamentos. Pelo contrário: tanto fatores micro quanto macro estariam evoluindo na direção correta, abrindo espaço para revisões positivas nas estimativas. 

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Na avaliação do BBA, a principal fonte de pressão sobre a ação do Nu não está nos números, mas sim na narrativa. O mercado vem discutindo o impacto da inteligência artificial (IA) sobre os serviços financeiros mundo afora.  

A tese mais pessimista sugere que a disseminação da IA poderia “desintermediar” até mesmo os atuais vencedores do setor, reduzindo barreiras de entrada e comprimindo vantagens competitivas.  

Em outras palavras, a tecnologia que ajudou os disruptores a ganhar mercado poderia agora começar a ameaçá-los.  

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Inteligência artificial: oportunidade ou risco? 

Mas o BBA discorda dessa leitura quando o assunto é Nubank. Para os analistas, a IA não é um fator que, por si só, gera disrupção.  

O diferencial está na capacidade de integrar essa tecnologia profundamente aos processos de crédito, risco e relacionamento com clientes. Isso exige cultura tecnológica, capacidade de testar e aprender rapidamente e, principalmente, escala de dados. 

“Aqueles com a mentalidade tecnológica correta e espírito empreendedor devem sempre permanecer um passo à frente, não importa o quão ‘barata’ ou ‘acessível’ a IA se torne”, avaliam os analistas. 

E é nesse ponto que o Nubank se encaixa na tese otimista. Quanto maior a base de clientes e mais fluido o uso de dados, mais potente se torna a aplicação da IA. “Simplesmente colocá-la em uma prateleira não gera disrupção”, resume o banco. 

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O Itaú BBA afirmou que é um “comprador na fraqueza” e manteve recomendação outperform – de desempenho acima da média, equivalente à compra – para o Nubank. 

O que esperar do balanço do Nubank no 4T25? 

O balanço do quarto trimestre de 2025 será divulgado na quarta-feira (25), após o fechamento do mercado. E a expectativa do mercado é predominante positiva. 

Segundo consenso da Bloomberg, o lucro líquido ajustado deve alcançar US$ 882 milhões, o que representaria uma alta de quase 60% na comparação anual.  

rentabilidade também chama atenção: a projeção é de um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 32,4%, de acordo com estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro

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Se confirmado, o número colocaria o Nubank acima de pares que tiveram trimestres fortes e lideraram a briga por rentabilidade, como o BTG Pactual (ROE de 27,6%) e o próprio Itaú Unibanco (24,4%). 

No geral, os analistas esperam crescimento acelerado da carteira de crédito, impulsionado pelo aumento de limites no cartão e expansão dos empréstimos pessoais. A disciplina em despesas operacionais e a valorização do real também devem contribuir. 

Ao mesmo tempo, a maior utilização dos limites pode exigir provisões mais elevadas, pressionando parcialmente a margem.  

Ainda assim, o JP Morgan avalia que, embora “a barra esteja alta”, o Nubank tende a entregar o que o mercado espera. 

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Onde está o próximo motor de crescimento do Nubank? 

A expectativa do Itaú BBA é que os resultados do Nubank sejam “excelentes”. Segundo os analistas, os indicadores mostram avanço na penetração da faixa de renda média no Brasil, com tíquetes médios maiores e mais transações, devem reforçar a visão positiva para os próximos trimestres.  

Além disso, o México segue como peça estratégica, com expectativa de expansão de margem apoiada por menor remuneração de depósitos e aumento sazonal de liquidez, segundo o Bank of America (BofA)

Por outro lado, o UBS BB chama atenção para um dado relevante: o 4T25 não indica ganho expressivo de fatia (market share) no mercado de cartões.  

Embora o Nubank tenha ficado com 55% da expansão líquida da carteira — acima de seu market share total, de 52% — o desempenho não foi tão superior ao dos quatro grandes bancos tradicionais. 

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Na visão do UBS BB, o verdadeiro espaço de crescimento pode estar nos empréstimos pessoais.  

Enquanto grandes incumbentes reduziram suas carteiras nessa linha, o sistema financeiro como um todo cresceu — o que indica uma oportunidade para o Nubank capturar participação, segundo os analistas. 

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