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A companhia, que tenta se reestruturar, anunciou no fim do ano passado uma capitalização de R$ 797,3 milhões, voltada ao fortalecimento da estrutra financeira
Em meio às investigações envolvendo o controlador Nelson Tanure no caso do Banco Master, a Alliança Saúde e Participações (AARL3) comunicou, nesta quinta-feira (15), a prorrogação do prazo para exercício do direito de preferência em seu aumento de capital.
A companhia, que tenta se reestruturar, anunciou no fim do ano passado uma capitalização de R$ 797,3 milhões, voltada ao fortalecimento da estrutura financeira. No processo, os acionistas têm prioridade para comprar novas ações e preservar sua participação percentual.
Prorrogações desse tipo costumam acontecer em momentos de menor apetite por novos aportes ou quando a empresa avalia que parte dos investidores ainda não se posicionou.
O movimento ocorre em um momento de maior exposição do controlador da companhia — que vem enfrentando também problemas de liquidez.
Na quarta-feira (14), a Polícia Federal apreendeu o celular de Tanure durante a segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. O empresário é investigado por suposto envolvimento em uma rede de fundos e operações financeiras associadas à instituição.
Segundo reportagem do UOL, ao menos R$ 720 milhões em supostos empréstimos tomados pela Lormont Participações — empresa ligada a Tanure e detentora de 46,2% da Alliança — teriam abastecido fundos da Reag, gestora investigada na operação Carbono Oculto e liquidada nesta quinta-feira pelo Banco Central.
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Para o BC, há suspeita de que essas operações tenham sido usadas para retirar recursos do Banco Master.
Em nota, o empresário negou as acusações e disse estar à disposição da Justiça. "Os recursos financeiros que investimos, com resultados positivos ou não, têm origem exclusivamente em nossa trajetória empresarial, que gerou e segue gerando milhares de empregos e riqueza para a sociedade brasileira, e no crédito construído ao longo de décadas de atuação responsável no mercado", afirmou Tanure.
Já no fim de dezembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reabriu um processo sancionador para apurar possíveis irregularidades na oferta pública de aquisição (OPA) feita por Tanure na Alliança há mais de dois anos, operação que consolidou seu controle sobre a então Alliar.
A autarquia analisa a atuação do FIP Fonte de Saúde Multiestratégia — fundo ligado ao empresário, com 20,62% do capital da companhia — e da MAM Asset Management, gestora associada ao Banco Master.
Segundo a CVM, a OPA teria sido protocolada fora dos prazos previstos na regulamentação, o que pode configurar infração às regras do mercado de capitais. O foco não está na operação em si, mas no intervalo entre a mudança de controle e a formalização da oferta.
A CVM também apura possíveis ligações entre Tanure e o Banco Master em outro processo, que investiga eventual manipulação de mercado nas ações da Ambipar (AMBP3), após a valorização de mais de 800% dos papéis em 2024.
A investigação aponta indícios de atuação coordenada entre o controlador da empresa e investidores relevantes, com compras concentradas em curto período, em paralelo a eventos corporativos, o que teria distorcido a formação de preços.
Nesse contexto, Tanure e fundos ligados ao Banco Master passaram a ser analisados pela autarquia. O empresário e Daniel Vorcaro, fundador do banco, já dividiram posições em companhias como Ambipar, Gafisa e Light.
A defesa do empresário Nelson Tanure nega que ele tenha qualquer relação societária com o Banco Master.
Além das investigações, a situação de liquidez de Tanure passou a ser vista pelo mercado como mais pressionada desde o meio do ano passado.
Como revelou o Estadão, a Alliança está inserida em um processo mais amplo de reorganização financeira do empresário, que renegociou uma dívida de R$ 1,2 bilhão ligada à aquisição da Ligga Telecom.
O passivo foi alongado por até dois anos, com compromisso de venda de ativos — entre eles, segundo o mercado, a própria Alliança, hipótese não confirmada oficialmente.
A situação também afeta outras empresas nas quais o empresário, conhecido por gostar de investir em empresas em situações sensíveis, tem participações.
Quando a Light estruturou seu plano de recuperação judicial, no início de 2025, Tanure havia se comprometido a aportar parte relevante da capitalização.
A piora na liquidez, porém, levanta dúvidas sobre sua capacidade de sustentar novos aportes bilionários, como o aumento de capital de ao menos R$ 3,7 bilhões previsto para a companhia ainda neste ano. Notícias circulam que Tanure espera realizar novos financiamentos, dando ações da companha de energia como garantia.
Em outubro do ano passado, Tanure perdeu o controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) após não conseguir honrar parcelas de uma debênture de cerca de R$ 520 milhões, emitida por um fundo ligado a ele e garantida pelas ações da companhia. Com a execução das garantias, a participação acabou sendo negociada com a Sabesp.
Ontem, por fim, segundo a Bloomberg, o empresário se desfez da sua participação na Prio (PRIO3) para acertar sua situação com credores. Ele possuia 20% da companhia, avaliada, no fim do fechamento desta quinta, em R$ 38,20 bilhões.
*Com informações do Money Times
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