C&A (CEAB3) liga o modo “Full Power”: varejista planeja abrir até 80 lojas e acelerar investimentos até 2030
Novo ciclo estratégico prevê ainda a reforma de até 120 unidades, reforço da estrutura logística e avanço das vendas omnicanal; investimentos devem alcançar 8% da receita líquida por ano

A C&A (CEAB3) escolheu o aniversário de 50 anos de operação no Brasil para pisar no acelerador. Nesta quarta-feira (26), a varejista apresentou o Full Power, plano estratégico que orientará o crescimento da companhia entre 2027 e 2030.
E as lojas físicas estarão no centro da estratégia. A empresa pretende inaugurar entre 60 e 80 unidades ao longo do período, o equivalente a uma média de 15 a 20 aberturas por ano.
Hoje, a C&A possui mais de 341 lojas distribuídas por 172 cidades. Caso cumpra o plano e não feche nenhuma unidade, a rede poderá chegar ao fim de 2030 com algo entre 401 e 421 pontos de venda.
A expansão, porém, começa antes mesmo da largada oficial do Full Power. Nesta quinta-feira (27), a varejista inaugura uma loja na Avenida Paulista, em São Paulo. Com a abertura, a unidade passa a integrar uma rede de mais de 50 endereços na capital paulista.
Do Energia ao Full Power
O Full Power sucede o ciclo estratégico Energia, no qual a C&A concentrou esforços no aumento da produtividade das lojas, na recuperação das margens e na integração entre os canais físicos e digitais. Você pode entender melhor nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Segundo a companhia, a margem bruta de vestuário avançou por 20 trimestres consecutivos durante o período, hoje em 58,1%. O índice de satisfação dos clientes, medido pelo NPS, também aumentou 13 pontos considerando todos os canais de compra.
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Agora, a proposta é usar essa estrutura para acelerar a expansão da rede, elevar os investimentos e ampliar a operação logística e digital. Além das inaugurações, a C&A pretende reformar entre 100 e 120 lojas até 2030, média de 25 a 30 unidades por ano.
As mudanças seguirão o modelo chamado de Loja Energia, que inclui alterações no ambiente, na exposição dos produtos e na experiência de compra.
A aposta nas reformas não vem do nada. Em uma apresentação a investidores realizada em 2024, a companhia afirmou que uma unidade remodelada no Shopping Morumbi registrou aumento de 14 pontos percentuais nas vendas em relação ao grupo de controle, além de um ganho de 5 pontos percentuais na rentabilidade da loja.
Naquela ocasião, a varejista também dizia ter mapeado mais de 120 oportunidades para novas unidades, prioritariamente em cidades onde ainda não estava presente e em municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes.
C&A abre a carteira
Colocar o Full Power em prática exigirá mais dinheiro. A C&A prevê investimentos anuais equivalentes a 7% a 8% da receita líquida entre 2027 e 2030, acima da média histórica da companhia.
O patamar também marca uma virada em relação à postura mais seletiva adotada nos últimos anos. Em 2023, os investimentos corresponderam a 3,2% da receita líquida, segundo a apresentação de 2024.
A proporção havia sido de 6% em 2022 e chegou a 13,2% em 2021, quando a empresa concentrava recursos na modernização dos sistemas, da logística e da operação digital.
Parte do dinheiro será destinada a reforçar a estrutura que abastecerá as novas lojas e as vendas pela internet. O plano inclui a construção de um centro de distribuição em Pernambuco, a ampliação da unidade logística de Santa Catarina e a criação de hubs urbanos no Rio Grande do Sul e em Goiás.
Uma rede mais digital
Mesmo com as lojas físicas à frente do novo ciclo, a estratégia também passa pela integração com o digital. A meta da C&A é fazer com que as vendas omnicanal — que combinam os canais físicos e online — representem 15% do total até 2030. Hoje, as vendas por site e aplicativo representam 7,7% da receita de mercadorias da C&A, segundo o release do 2T26. No 2T25, eram 5,9%.
A varejista também pretende triplicar a base de clientes que compra em mais de um canal e ampliar o uso da inteligência artificial no desenvolvimento de produtos, na definição do sortimento e na precificação.
A companhia, porém, não informou no material divulgado metas para receita, lucro ou margem operacional durante o Full Power. Também não detalhou quanto pretende desembolsar, em valores absolutos, para executar o plano até 2030.
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