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Fundo teve leve alta em março e acumula ganhos acima do CDI em 2026, com estratégia focada no Brasil e proteção contra inflação

Em meio à instabilidade global, a Verde Asset Management, do gestor Luis Stuhlberger, decidiu recalibrar a carteira: aumentou a aposta na bolsa brasileira e reduziu a exposição à renda fixa local logo no começo de março. O movimento reflete uma leitura mais construtiva para os ativos de risco no Brasil.
Em sua carta mensal, divulgada na terça-feira (7), a gestora afirma que o país “performou excepcionalmente bem” no período, com destaque para o câmbio e o mercado acionário, impulsionados pela entrada de capital estrangeiro.
“Os fluxos estrangeiros seguiram positivos, suportando os preços de ativos”, diz o documento.
A leitura é de que o país tem se beneficiado do preço mais elevado do petróleo — fator que melhora tanto o quadro fiscal quanto o balanço de pagamentos —, em contraste com outros mercados emergentes importadores de energia.
Mas a principal mudança da gestora de Stuhlberger veio na renda fixa. A Verde zerou a posição aplicada em juro real no Brasil, ou seja, desmontou uma aposta na queda das taxas reais — aquelas descontadas da inflação e muito associadas a títulos como o Tesouro IPCA+.
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Na prática, estar “aplicado” em juros significa apostar na queda dessas taxas, o que tende a gerar ganhos com a valorização dos títulos.
Ao sair dessa posição, a gestora sinaliza que está menos confiante de que os juros reais vão cair ainda mais no curto prazo, com um cenário ainda difícil para a inflação e gastos fiscais. Também vê espaço para investidores aproveitarem os ganhos recentes.
A decisão também sugere uma mudança na relação risco-retorno da renda fixa local, em um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais e por pressões inflacionárias vindas do cenário global.
Enquanto reduziu exposição no Brasil, a gestora manteve posições relevantes no exterior. Nos Estados Unidos, segue aplicada em juros reais e comprada na inflação implícita, reforçando a visão de um ambiente global mais pressionado por preços.
A alocação em moedas também foi mantida, com posição no renminbi chinês e em uma cesta de divisas contra o dólar, além de opções de compra no real — sinalizando uma visão construtiva para moedas emergentes.
Em commodities, a Verde manteve exposição ao ouro e adicionou uma nova posição em prata.
Já no crédito, zerou a proteção contra risco brasileiro frente a outros emergentes e passou a comprar proteção de crédito da Arábia Saudita, com o aumento da relevância do petróleo, por causa do cenário geopolítico.
O pano de fundo dessas mudanças foi a escalada das tensões no Oriente Médio. Para a gestora, o impacto do conflito envolvendo o Irã ainda não foi totalmente refletido nos preços de energia.
“Mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo”, afirmou a Verde. “Os impactos de segunda ordem dessa lógica ainda não foram precificados nos mercados: é um mundo mais estagflacionário”, completou.
Em março, o fundo teve alta de 0,05%, abaixo do CDI de 1,21%. No acumulado do ano, a rentabilidade é de 4,57%, contra 3,41% do indicador.
*Com informações do Money Times
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