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PRÉ-COPOM

Vai dar zebra com a Selic? A expectativa do mercado para os juros agora é outra — e manutenção também paira no ar

Imprevisibilidade da guerra impõe novos desafios ao Banco Central, que se vê diante de um corte já antecipado ou uma manutenção pelo novo risco inflacionário

Imagem: Montagem Canva Pro/ Seu Dinheiro

O cenário estava posto: redução de 0,50 ponto percentual (p.p.) na taxa Selic agora em março, e continuidade de cortes até o juro básico do país se aproximar de 12% ao fim do ano. Essa era a trajetória projetada pela maioria dos agentes financeiros para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ao longo de 2026.

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E estava tudo em linha para isso acontecer. O próprio Copom sinalizou na reunião de janeiro que iria começar os cortes em março, o arrefecimento da inflação vinha constante, o câmbio controlado, a economia desacelerando aos poucos: um ‘céu de brigadeiro’ para a política monetária brasileira.

Eis que os Estados Unidos, em parceria com Israel, resolvem começar uma guerra contra o Irã e criar uma crise em um dos maiores mercados globais: o do petróleo.

Além de o Irã e os países a sua volta — que também estão sob ataque — serem grandes exportadores de petróleo, Teerã controla um dos pontos mais estratégicos de escoamento da commodity. Neste momento, o abastecimento global de petróleo está em risco, e a cotação da matéria-prima no mercado internacional só cresce.

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A última vez que o mercado de petróleo passou por um estresse desse foi no início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022.

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A guerra entre os dois países dura até hoje. Mas o preço do petróleo encontrou seu eixo de novo, com o barril cotado entre US$ 60 e US$ 70.

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Agora, a commodity está na casa dos US$ 100, e a dúvida que paira no ar é: o Copom vai considerar o risco do petróleo mais caro como um efeito passageiro e cortar os juros ou vai manter a taxa Selic em 15% até ter mais clareza sobre o conflito no Oriente Médio?

Cortar ou manter: o dilema do Copom

Atualmente, as opiniões dos agentes financeiros estão divididas.

A pesquisa pré-Copom da XP, que recolheu as respostas de 23 gestores de fundos multimercado entre os dias 2 e 10 de março, mostra o corte de 0,50 p.p. como opinião predominante, com adesão de 74% dos gestores.

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Naquele momento, 22% projetavam corte de 0,25 p.p. e apenas 4% esperavam uma manutenção da taxa Selic em 15% ao ano.

No entanto, em questão de dias — e mais ventos contrários vindos do Oriente Médio — essa opinião se deslocou um pouco mais.

O levantamento pré-Copom do BTG, que ouviu 52 agentes financeiros alguns dias depois, entre 13 e 16 de março, mostrou que o corte de 0,25 p.p. tomou a frente.

A maioria (71,2%) espera, às vésperas da decisão, que o corte cauteloso seja a decisão dos diretores do Banco Central. A projeção de um corte de 0,50 p.p. caiu para 17,3%, enquanto a manutenção aumentou para 11,5%.

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Você pode argumentar que são metodologias diferentes e possivelmente outros entrevistados. E é um bom ponto. Mas acontece que as opções de Copom — derivativos que permitem se posicionar sobre as variações da taxa Selic — vão pelo mesmo caminho.

Até o dia 10 de março, a expectativa pelo corte de 0,50 p.p. tinha a maior adesão do mercado, com 56,9% das probabilidades versus 36% para o corte de 0,25 p.p. e 8% de manutenção.

Dois dias depois, as probabilidades mudaram para 53% de chances de um corte de 0,25 p.p. e 25 % de manutenção, tomando a frente dos 23% de chances de um corte de 0,50 p.p..

Selic vs. inflação

Relatórios e conversas com gestores nos últimos dias indicam que a sensação predominante é de incerteza.

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Alberto Ramos, economista-chefe LatAm no Goldman Sachs, acredita que, se o Copom não tivesse sinalizado corte em janeiro, a manutenção seria o consenso absoluto.

“Avaliamos uma probabilidade moderada de não haver corte, dado que as previsões de inflação dos bancos centrais vão se deteriorar e as expectativas de inflação já começaram a subir. Na verdade, se não fosse pelo fato de o Copom ter sinalizado um corte para esta reunião, provavelmente ele teria se mantido”, escreveu em relatório.

E o motivo é um caso de ‘a volta dos que não foram’: a inflação.

Bancos centrais mundo afora começaram a ver a inflação de seus países voltando a algum nível mais confortável faz pouco tempo, coisa de um ano ou meses.

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O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e o Banco Central Europeu (BCE) começaram a cortar os juros no segundo semestre do ano passado. O Banco Central do Brasil iniciaria o afrouxamento somente agora.

No entanto, o “choque do petróleo” trouxe consigo a sombra do dragão de volta.

O petróleo não serve apenas para produzir gasolina e abastecer carros. Ele encarece a produção e o transporte de tudo porque a maior parte dos combustíveis e matérias-primas vem dele.

Se o preço do barril estacionar em níveis elevados, como US$ 100 por barril, ele pode empurrar a inflação para cima, dificultando a meta do BC de manter os preços sob controle.

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E a arma contra a inflação é apenas uma: juros altos.

Atualmente, a inflação acumulada em 12 meses está em 3,81%, acima da meta de 3% do Banco Central, embora dentro da faixa de tolerância, que vai até 4,5% em 12 meses.

Expectativas para o IPCA e a Selic

Mesmo com esse cenário turbulento, o mercado ainda espera que o Banco Central consiga reduzir os juros ao longo de 2026, mas de forma menos intensa.

A projeção para a Selic ao final de 2026 está atualmente em 12,5%, segundo os relatórios de XP e BTG.

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Com relação à expectativa de inflação (IPCA), 73% dos analistas avaliam que houve uma piora moderada na divulgação de fevereiro. No entanto, a avaliação de deterioração no horizonte de um ano e meio ainda é considerada baixa.

O relatório do BTG aponta que a projeção do Banco Central vai aumentar de 3,2% no terceiro trimestre de 2027 para 3,4% ou 3,5%.

No entanto, a boa notícia é que o câmbio deve continuar controlado, o que também ajuda nas expectativas de inflação.

A maior parte dos gestores (51,9%) espera que o dólar se mantenha em R$ 5,25, enquanto a outra maior parcela (40,4%) espera uma taxa no intervalo de R$ 5,30 a R$ 5,40.

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Só falta combinar com o Donald Trump, para a guerra não se estender e o caldo entornar de vez.

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