Itaú eleva projeção da Selic para 13,25% ao ano em 2026; veja os motivos para a piora do cenário
Segundo o banco, a autoridade monetária segue comprometida com um ciclo de flexibilização, mas agora sob maior cautela, diante da piora do ambiente inflacionário

Os juros estão (um pouco) menores, mas as dificuldades do ciclo restritivo na economia ainda devem continuar por um tempo. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, na reunião desta quarta-feira (29), veio em linha com as expectativas do mercado.
Ainda assim, o Itaú Unibanco aponta para um cenário mais desafiador à frente, com inflação mais pressionada e menor espaço para cortes adicionais de juros.
Segundo o banco, a autoridade monetária segue comprometida com um ciclo de flexibilização, mas agora sob maior cautela, diante da piora do ambiente inflacionário e da elevação das incertezas, especialmente no cenário externo.
Inflação mais alta testa limites do ciclo
O Itaú chegou a revisar para cima suas projeções de inflação em seu último relatório, refletindo pressões mais intensas no curto prazo. A estimativa para o IPCA de 2026 subiu de 4,5% para 5,2%, enquanto a projeção para 2027 foi ajustada de 4,1% para 4,3%.
A revisão incorpora, principalmente, o impacto de combustíveis em meio à alta do petróleo e alimentos, pressionados por efeitos climáticos associados ao El Niño. O balanço de riscos segue assimétrico para cima.
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Durante coletiva com os jornalistas após a decisão do Copom, Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisas Econômicas do Itaú, afirmou que a desancoragem das expectativas de inflação continua sendo um dos principais pontos de atenção para o Banco Central, especialmente em horizontes mais longos.
Selic deve parar mais alta
Diante desse cenário, o Itaú elevou sua projeção para a taxa Selic ao final do ciclo de cortes. A expectativa agora é de juros em 13,25% em 2026, ante 13% anteriormente.
Apesar disso, o banco avalia que o Copom ainda pretende seguir com o ciclo de flexibilização, mas em ritmo gradual. A expectativa é de novo corte de 0,25 p.p na próxima reunião.
“Nos parece que o comitê quer continuar cortando os juros em passos pequenos”, disse Gonçalves.
Ao mesmo tempo, o economista indicou que eventuais ajustes na condução da política monetária tendem a ocorrer por meio da extensão do ciclo, com possibilidade de interrupção antecipada dos cortes caso o cenário inflacionário continue se deteriorando.
Um dos pontos de destaque do comunicado foi a inclusão da possibilidade de ajuste na extensão do ciclo de cortes, além do ritmo. Na avaliação do Itaú, essa mudança amplia a flexibilidade do Banco Central diante do cenário mais incerto.
Gonçalves ressaltou que a menção à extensão do ciclo introduz a possibilidade de mudanças no tamanho total do processo de flexibilização, a depender da evolução dos dados econômicos.
Atividade resiliente e câmbio favorável
Do lado da atividade, o Itaú manteve suas projeções de crescimento do PIB em 1,9% para 2026 e 1,7% para 2027.
Os dados recentes indicam alguma resiliência da economia no curto prazo, mas o banco destaca que o ambiente externo mais volátil e o crédito mais restrito devem limitar uma aceleração mais forte.
O banco também revisou suas projeções para o câmbio, com o dólar esperado em R$ 5,15 em 2026 e R$ 5,35 em 2027, refletindo um ambiente mais favorável para moedas emergentes e o papel do Brasil como exportador de petróleo.
Ainda assim, o cenário incorpora volatilidade maior à frente, especialmente com o avanço do ciclo eleitoral.
Fiscal segue como ponto de atenção
Na frente fiscal, o Itaú manteve a projeção de déficit primário em -0,5% do PIB em 2026 e -0,6% em 2027. Parte da melhora conjuntural das receitas, impulsionada pelo petróleo, deve ser utilizada para mitigar o impacto da alta dos combustíveis sobre a economia doméstica.
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