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Empresas de apostas online tiveram faturamento de R$ 2,2 bilhões em janeiro deste ano; pesquisa da FecomercioSP mostra o que está no radar desse mercado

As bets, plataformas de apostas online que caíram nas graças dos brasileiros, registraram a segunda maior alta da história no faturamento durante o mês de janeiro. Segundo dados da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a cifra alcançada foi de R$ 2,2 bilhões, um crescimento de 44,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A federação explica que os dados do estudo evidenciam a velocidade da expansão das apostas na economia digital. Em janeiro de 2025, as empresas de apostas online registravam faturamento de R$ 1,5 bilhão.
De acordo com a FecomercioSP, mais do que um nicho específico, o segmento se consolidou como um mercado relevante, com reflexos econômicos, regulatórios e sociais crescentes.
O estudo da FecomercioSP cita estimativas do Banco Central com base em transações via Pix, mostrando que os fluxos mensais direcionados às plataformas de apostas oscilaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões ao longo de 2024.
Embora esses valores representem o volume financeiro bruto — e não a receita líquida do setor —, evidenciam a capacidade de absorção da renda familiar, diz o levantamento.
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda apontam que, no ano passado, houve 25,2 milhões de CPFs únicos apostando nas plataformas autorizadas, com 100,8 milhões de contas ativas.
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Na avaliação da FecomercioSP, os números mostram duas tendências principais: por um lado, o segmento está ampliando as receitas do setor de serviços e movimentando plataformas digitais.
Por outro, pode estar levando ao deslocamento de renda, pressionando o orçamento das famílias e reduzindo a demanda por bens e serviços em segmentos mais tradicionais, especialmente frente a juros elevados, crédito restrito e endividamento alto.
Em linha com essa visão, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) divulgou que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões no comércio varejista.
Para a entidade empresarial, “as bets não representam apenas entretenimento; configuram-se como um risco sistêmico para a saúde financeira das famílias, drenando recursos que seriam destinados ao comércio varejista e ao consumo produtivo.”
A pesquisa da FecomercioSP também destaca pontos de atenção além dos fatores econômicos. "Parte das operações ainda se dá por meio de plataformas não regulamentadas, muitas vezes sediadas no exterior, o que amplia os riscos ao consumidor", diz.
O levantamento explica que, nesses casos, não há garantias adequadas de proteção de dados, mecanismos eficazes de resolução de conflitos ou segurança na recuperação de valores.
A atuação irregular também dificulta a fiscalização do governo, compromete a arrecadação tributária e auementa perigos associados à lavagem de dinheiro, diz a entidade. Por isso, o marco regulatório tem ganhado mais força no Brasil.
As apostas de cota fixa passaram a exigir autorização prévia da SPA e, desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas podem operar nacionalmente.
Entre as principais exigências do marco regulatório está a utilização do domínio "bet.br", com o objetivo de diferenciar operadores regulares de plataformas ilegais.
Em relação ao ambiente regulatório, a pesquisa da FecomercioSP pontua que a Secretaria de Prêmios e Apostas tem, entre os planos de 2026, focar no fortalecimento da fiscalização, na revisão do regime sancionador e na ampliação de instrumentos de proteção ao consumidor.
Além disso, medidas específicas voltadas para a redução de riscos sociais e financeiros têm sido adotadas, como o Sistema Centralizado de Autoexclusão, que permite ao usuário bloquear voluntariamente seu acesso às apostas.
Há também iniciativas de educação financeira conduzidas em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade de Brasília (UnB), com foco na prevenção do endividamento e no uso responsável.
"Além desses avanços institucionais, há evidências cada vez mais consistentes de que as apostas digitais estão associadas a endividamento, ansiedade, depressão e ruptura de vínculos familiares. Nesse contexto, o Ministério da Saúde lançou um guia nacional voltado para a conscientização e o enfrentamento desses impactos", diz a federação.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Agência Brasil
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