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Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, fala no podcast Touros e Ursos sobre os impactos da situação da Venezuela e do Irã no mercado petroleiro

A captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos abriu um debate sobre a volta das reservas de petróleo do país ao mercado global. A Venezuela tem as maiores reservas globais, mas retomar o posto de grande produtor não é uma possibilidade tão simples.
Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, afirma que os principais questionamentos agora são quanto tempo e como vai ser esse processo de retomada de produção para o mercado global.
O especialista aponta há o desafio financeiro, mas também humano, devido à fuga de mão de obra qualificada durante o regime de Maduro. Para ele, o retorno estrutural levará bastante tempo.
“Existe um potencial de 300 mil a 400 mil barris adicionais por dia num prazo razoavelmente curto. Mas aquele grande retorno estrutural da oferta venezuelana é uma coisa de anos mesmo", diz Sousa.
A Venezuela sofreu uma queda drástica na produção, segundo o analista da Genial. De 3,3 milhões de barris por dia em 2005 para apenas 700 mil atualmente. Sousa afirma que o país perdeu profissionais qualificados, como geólogos e geofísicos, e esse capital humano é essencial para reconstruir o setor para além do investimento financeiro.
E, mesmo a questão do investimento financeiro não é simples. Para ele, as empresas interessadas usarão um racional de alto risco, colocando uma quantia de capital com a consciência de que esse valor pode ser multiplicado por 10 ou 20 vezes caso o país se estabilize, ou simplesmente virar zero em caso de novas expropriações.
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“Mas, por hora, também não sabemos se o mercado da Venezuela vai ser aberto para outras empresas que não as americanas. São poucas informações ainda”, diz Sousa.
Para ele, o objetivo de Donald Trump é aumentar a oferta global para desacelerar a inflação interna, e não apenas controlar a renda do petróleo venezuelano. Isso cria uma pressão estrutural de baixa nos preços globais para os próximos anos.
Para a Petrobras (PETR4), o cenário de petróleo barato reduz a geração de caixa e afeta os acionistas — via desvalorização da ação e queda no pagamento de dividendos.
O analista também pondera sobre o aumento de investimentos em outras áreas, o que também pressiona o fluxo de caixa. Sousa vê risco em projetos menos lucrativos, como eólicas e refinarias, que podem deteriorar os fundamentos da estatal.
Por outro lado, a incerteza na Venezuela cria oportunidades para empresas menores focadas em revitalizar campos antigos. Sousa avalia que os ativos venezuelanos podem chegar ao mercado com preços muito baixos.
Empresas como Brava (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) poderiam aproveitar esses múltiplos baixos para entrar em novos mercados.
"A gente está falando de cases de revitalização, que são especialidade dessas empresas. Diante de um novo mercado, pode ser que a própria tese de investimento dessas empresas seja revitalizada", diz ele sobre as juniores.
No bloco final do programa, os convidados elegem os touros e ursos da semana, expressão que dá nome ao podcast. Nesta semana, o Banco Master voltou aos destaques negativos.
A escolha ocorreu devido ao ruído institucional gerado pelo questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a decisão técnica do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial da instituição. O impasse criou uma incerteza desnecessária para 1,6 milhão de investidores que aguardam ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Do lado positivo, Sousa escolheu a Prio (PRIO3) como touro. Ele destacou que a empresa possui o menor custo de extração entre as petroleiras juniores e demonstra uma execução eficiente de seus projetos.
Já o touro especial foi o filme brasileiro "Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho. A obra venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, enquanto Wagner Moura conquistou o prêmio de melhor ator de drama.
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