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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

VEJA OS NÚMEROS DO BALANÇO

Pão de Açúcar (PCAR3): há “incerteza relevante” sobre capacidade da empresa de seguir de pé, diz auditoria; veja detalhes

Com déficit de capital circulante de R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo em 2026, varejista recebe ressalva da Deloitte sobre continuidade operacional, enquanto diz renegociar débitos. Grupo divulgou resultados do 4T25 ontem

Bia Azevedo
Bia Azevedo
25 de fevereiro de 2026
8:47
Pão de Açúcar
Pão de Açúcar - Imagem: Jacques Lepine / Estadão Conteúdo

Não é de hoje que o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) enfrenta certo ceticismo do mercado em relação a quanto tempo a companhia vai conseguir se segurar diante das dívidas imensas e resultados insuficientes para cobrir o rombo. Na noite da última terça-feira (24), quem apontou para isso foi a Delloitte.

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Com a divulgação dos resultados do quarto trimestre (4T25) da varejista, a consultoria afirmou em nota explicativa sobre as demonstrações que há “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional da empresa.

A dona da rede de supermercados encerrou o ano passado com um déficit de capital circulante líquido de cerca de R$ 1,2 bilhão, especialmente em razão de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão.

Em termos simples, isso significa que a empresa tem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis para pagá-las.

"Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período", aponta a Deloitte.

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Pão de Açúcar diz estar trabalhando na solução, mas Delloitte faz alerta

Diante da pressão no caixa e do calendário de vencimentos que se aproxima em 2026, o GPA diz ter colocado um plano em marcha para ganhar fôlego.

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Entre as frentes citadas pela companhia estão conversas com credores para estender prazos, esforços para baratear o custo da dívida, cortes de despesas e a tentativa de transformar créditos tributários em liquidez.

A auditoria, porém, faz um alerta: até o momento não há acordos formalizados para a renegociação das dívidas nem contratos fechados para a venda desses créditos fiscais. Além disso, parte dessas iniciativas depende de terceiros, o que limita o controle direto da empresa sobre a execução do plano.

Apesar disso, a Delloitte afirmou que o balanço foi elaborado sob a premissa de que o GPA seguirá em atividade no curso normal dos negócios.

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Na prática, isso significa que as demonstrações não incorporam ajustes extraordinários em ativos ou passivos que seriam necessários caso houvesse a expectativa de uma piora mais acentuada da situação financeira.

Os resultados do quarto trimestre do Pão de Açúcar

Entre outubro e dezembro do ano passado, a companhia registou uma redução de quase 50% no prejuízo líquido, para R$ 572 milhões. A melhora, porém, não veio exatamente da operação no varejo, mas sim de um efeito contábil na linha de imposto de renda.

Houve um impacto positivo de R$ 179 milhões com o reconhecimento de um ativo fiscal diferido — basicamente, um crédito tributário registrado no balanço — relacionado ao impairment (perda contábil) contabilizado na venda da participação na Financeira Itaú CBD (FIC).

  • Cabe lembrar que no final do ano passado, o GPA e a Casas Bahia aprovaram a venda de suas participações na financeira para o Itaú Unibanco. O contrato prevê ainda que o Itaú compraria, dois anos após o fechamento inicial, a participação indireta do Assaí na FIC.

Em outras palavras, a empresa reconheceu que poderá compensar, no futuro, parte das perdas registradas nessa operação com redução de impostos, o que melhorou o resultado final do trimestre, mesmo sem uma virada estrutural no desempenho operacional.

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Desconsiderando os negócios já encerrados, houve prejuízo líquido de R$ 523 milhões no trimestre, 29% menor do que o registrado um ano antes.

Nos três meses finais do ano passado, a receita líquida foi 2% menor do que o mesmo período de 2024, de R$ 5,1 bilhões. No consolidado de 2025, porém, a receita mostrou leve expansão: alta de 1,7% sobre o ano anterior, alcançando R$ 19,1 bilhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado foi de R$ 510 milhões no trimestre, crescimento de 2,5%, com margem de 10%, avanço de 0,4 ponto porcentual (p.p). Enquanto no ano como um todo, o Ebitda ajustado consolidado atingiu R$ 1,7 bilhão, crescimento de 5,2%, com margem de 9,2%.

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