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Com déficit de capital circulante de R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo em 2026, varejista recebe ressalva da Deloitte sobre continuidade operacional, enquanto diz renegociar débitos. Grupo divulgou resultados do 4T25 ontem
Não é de hoje que o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) enfrenta certo ceticismo do mercado em relação a quanto tempo a companhia vai conseguir se segurar diante das dívidas imensas e resultados insuficientes para cobrir o rombo. Na noite da última terça-feira (24), quem apontou para isso foi a Delloitte.
Com a divulgação dos resultados do quarto trimestre (4T25) da varejista, a consultoria afirmou em nota explicativa sobre as demonstrações que há “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional da empresa.
A dona da rede de supermercados encerrou o ano passado com um déficit de capital circulante líquido de cerca de R$ 1,2 bilhão, especialmente em razão de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 no montante de R$ 1,7 bilhão.
Em termos simples, isso significa que a empresa tem mais obrigações de curto prazo do que recursos disponíveis para pagá-las.
"Apesar de melhora nos principais indicadores operacionais, bem como geração positiva recorrente de caixa operacional, a companhia continua apurando prejuízo no período", aponta a Deloitte.
Diante da pressão no caixa e do calendário de vencimentos que se aproxima em 2026, o GPA diz ter colocado um plano em marcha para ganhar fôlego.
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Entre as frentes citadas pela companhia estão conversas com credores para estender prazos, esforços para baratear o custo da dívida, cortes de despesas e a tentativa de transformar créditos tributários em liquidez.
A auditoria, porém, faz um alerta: até o momento não há acordos formalizados para a renegociação das dívidas nem contratos fechados para a venda desses créditos fiscais. Além disso, parte dessas iniciativas depende de terceiros, o que limita o controle direto da empresa sobre a execução do plano.
Apesar disso, a Delloitte afirmou que o balanço foi elaborado sob a premissa de que o GPA seguirá em atividade no curso normal dos negócios.
Na prática, isso significa que as demonstrações não incorporam ajustes extraordinários em ativos ou passivos que seriam necessários caso houvesse a expectativa de uma piora mais acentuada da situação financeira.
Entre outubro e dezembro do ano passado, a companhia registou uma redução de quase 50% no prejuízo líquido, para R$ 572 milhões. A melhora, porém, não veio exatamente da operação no varejo, mas sim de um efeito contábil na linha de imposto de renda.
Houve um impacto positivo de R$ 179 milhões com o reconhecimento de um ativo fiscal diferido — basicamente, um crédito tributário registrado no balanço — relacionado ao impairment (perda contábil) contabilizado na venda da participação na Financeira Itaú CBD (FIC).
Em outras palavras, a empresa reconheceu que poderá compensar, no futuro, parte das perdas registradas nessa operação com redução de impostos, o que melhorou o resultado final do trimestre, mesmo sem uma virada estrutural no desempenho operacional.
Desconsiderando os negócios já encerrados, houve prejuízo líquido de R$ 523 milhões no trimestre, 29% menor do que o registrado um ano antes.
Nos três meses finais do ano passado, a receita líquida foi 2% menor do que o mesmo período de 2024, de R$ 5,1 bilhões. No consolidado de 2025, porém, a receita mostrou leve expansão: alta de 1,7% sobre o ano anterior, alcançando R$ 19,1 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado foi de R$ 510 milhões no trimestre, crescimento de 2,5%, com margem de 10%, avanço de 0,4 ponto porcentual (p.p). Enquanto no ano como um todo, o Ebitda ajustado consolidado atingiu R$ 1,7 bilhão, crescimento de 5,2%, com margem de 9,2%.
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